Em destaque na lista da Secretaria Estadual de Saúde que traz as cidades gaúchas infestadas pelo venenoso escorpião-amarelo, Esteio foi, mais um vez, ao ataque do animal peçonhento, que pode causar graves problemas devido à sua picada.

Foto: Djalma Corrêa Pacheco/Prefeitura de Esteio
Com apoio de servidores da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos (SMOSU), técnicos da Vigilância Ambiental de Esteio realizaram, na noite de quarta-feira (dia 5), uma ação de captura de escorpiões-amarelos na Rua Parobé, no Centro.
O local foi escolhido por que nos últimos meses os animais venenosos estão sendo avistados com uma frequência maior que o habitual naquela região da cidade, demandando intervenções periódicas do órgão vinculado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
LEIA TAMBÉM: RS confirma primeiros casos de Monkeypox em 2025; saiba as cidades
Somente na última ação, foram encontrados 26 escorpiões, a maioria dentro dos bueiros abertos pelos trabalhadores da SMOSU. Desde novembro, quando os moradores começaram a relatar a presença do animal com mais regularidade, já foram 292 capturados.

Foto: Djalma Corrêa Pacheco/Prefeitura de Esteio
Maior perigo à noite
De hábitos noturnos, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é raramente encontrado de dia. Para localizá-los, os técnicos da Vigilância Ambiental utilizam lanternas que emitem uma luz violeta que incide sobre o animal o deixando verde fluorescente, o que facilita a localização. Munidos de luvas de couro, eles recolhem os bichos com pinças de metal e os colocam em frascos de vidro com álcool para matá-los.
Para o servidor público federal Leandro Schneider Schefer, 45 anos, o trabalho dos técnicos ameniza a preocupação da comunidade com o problema enfrentado. “Eles têm vindo frequentemente capturar os escorpiões e dar orientações de como devemos proceder. O pessoal é fora de série, comprometido em encontrar uma solução. São incansáveis e sempre muito atenciosos”, comentou o morador da Rua Parobé, um dos primeiros a encontrar o animal no seu terreno.
CONFIRA: O que aponta laudo do IGP sobre causa da morte de gêmeas em Igrejinha
Picada pode ser fatal
A picada pode causar quadros clínicos graves, em alguns casos fatais, especialmente em crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas. Em casos de acidentes com o animal, a vítima deverá ser encaminhada imediatamente para o Hospital São Camilo (Rua Castro Alves, 948 – Tamandaré). O atendimento deverá seguir classificação de risco vermelha.
Primeiros socorros
– Lavar o local da picada com água e sabão
– Manter o local da picada elevado, para evitar o inchaço e diminuir a dor
– Não cortar, furar ou apertar o local da picada
– Beber bastante água
– Para assistência a esses casos, o Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT) pode ser acionado pela população para mais informações. O CIT atende 24 horas pelo telefone 0800- 721-3000.
Habitat
O animal vive em ambientes escuros, frestas de paredes, pedaços de madeira, restos de materiais de construção, tijolos e caliça empilhados, entulhos, esgotos, ralos, caixas de gordura, encanamentos de luz e telefone, caixas com verduras, legumes e frutas, roupas, calçados, cama, travesseiros e cortinas, entre outros. Eles se alimentam de insetos, sobretudo de baratas.

Foto: Djalma Corrêa Pacheco/Prefeitura de Esteio
Alta proliferação
A reprodução do escorpião-amarelo ocorre, em média, duas vezes por ano, dando origem a 20 filhotes por vez, chegando a 160 filhotes durante a vida. Os filhotes sobem no dorso do animal e ali permanecem. O período entre o nascimento e a dispersão dos filhotes é de aproximadamente 14 dias.
Esta espécie tem reprodução por partenogênese, ou seja, sem a necessidade de machos. A fêmea pode ter filhotes sem a necessidade de acasalamento. Este fenômeno, aliado a facilidade de adaptação a qualquer ambiente, favorece sua dispersão. Uma vez transportado de um local a outro (introdução passiva), o animal instala-se e se prolifera com muita rapidez. Além disso, a introdução do escorpião-amarelo em um ambiente pode levar ao desaparecimento de outras espécies de escorpiões devido à competição.

Foto: Djalma Corrêa Pacheco/Prefeitura de Esteio
Veio de fora
Desde 2001, escorpiões amarelos têm sido visualizados em Porto Alegre, e acidentes causados por sua picada, registrados na rede de saúde. Tudo indica que o animal chegou à Capital em caminhões de hortifrutigranjeiros vindos do Sudeste, especialmente de Minas Gerais, que se dirigiam à Ceasa. Desde então, a população desse artrópode – que há 420 milhões de anos está na Terra – só cresce, se espalhando também por municípios vizinhos.
O que fazer se for picado pelo escorpião
No caso de visualização do escorpião amarelo, a recomendação é evitar o contato com o animal e informar a localização dele para a Vigilância em Saúde através do telefone (51) 2700-4364 ramais 2318 / 2309 / 2343. Se possível, o morador também pode fotografá-lo e comunicar ao órgão pelos e-mails vigilancia.saude@esteio.rs.gov.br ou ambiental.saude@esteio.rs.gov.br.
Como evitar acidentes
– Verifique calçados, vestuário, toalhas e roupas de cama antes de utilizá-los
– Não deixe roupas no chão
– Mantenha os ambientes das residências limpos, sem entulho e lixo, inclusive os terrenos baldios
– Mantenha resíduos (lixo) bem-acondicionados em recipientes bem fechados
– Evite queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões
– Remova folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros
– Mantenha limpos caixas de gordura, ralos de banheiro e de cozinha
-Tape frestas nas paredes, móveis e rodapés de maneira para que não possam servir de abrigo aos escorpiões
– Mantenha camas e berços afastados das paredes
– Evite encostar lençóis no chão
– Use telas em aberturas de ralos, pias e tanques
– Mantenha fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões
– Controle infestações de baratas, eliminando assim a principal fonte de alimento
– Vede soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha
– Vede as frestas de janelas e coloque telas
– Reboque paredes e muros, eliminando as frestas
– Mantenha todos os pontos de luz e telefone bem fechados
– Usar luvas grossas, de raspa de couro ou similar durante a manipulação de caixas com frutas e verduras, materiais de construção, transporte de lenha, madeira, e pedras em geral
– Não utilizar inseticidas no escorpião, o animal tem a tendência a ficar agitado e com isso se espalha mais rapidamente no ambiente