Um novo episódio de chuva excessiva deve agravar a situação do Rio Grande do Sul e causar nova elevação dos rios. Dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam que os altos volumes devem ocorrer especificamente entre o sábado (28) e o domingo (29).
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Os mapas analisados pelos meteorologistas mostram que os acumulados de chuva podem ser particularmente altos em curtos intervalos, o que potencializa alagamentos de áreas urbanas em regiões como as Missões, o Planalto Médio, os vales, a Serra, a grande Porto Alegre e o litoral norte.
Alguns pontos podem registrar entre 100 mm e 150 mm acumulados de chuva em apenas 12 horas, entre o fim de sábado e o começo de domingo. Há pontos onde pode chover isoladamente entre 150 mm e 200 mm. Para se ter uma ideia, essa projeção equivale a quase ou à integra da média histórica de precipitação do mês inteiro.
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Foto: MetSul Meteorologia
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Ainda não há um consenso, contudo, sobre onde deve chover mais. O ponto médio entre os modelos numéricos do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF), da NOAA dos Estados Unidos (GFS), do Centro Meteorológico Alemão (Icon) e ainda do Met Office do Reino Unido (UKMET) é de que os maiores acumulados sejam registrados entre o norte e o nordeste gaúcho.
A maioria dos modelos analisados pela MetSul indicam que a concentração da chuva volumosa deve ficar entre as Missões, os vales, o Planalto Médio, a Serra e o litoral norte. O modelo Icon destoou ao mostrar precipitação excessiva mais ao sul, sobre a grande Porto Alegre, os vales e parte do centro do RS.
- Se caso o primeiro cenário se confirmar, o que mostra boa parte dos modelos numéricos, choverá muito nas nascentes dos rios da Serra (Taquari, Caí, Sinos-Paranhana e nas nascentes do Jacuí no Planalto);
- No segundo, do modelo alemão, chove mais nas partes intermediárias e finais dos rios Taquari, Sinos, Gravataí, Cai e Jacuí;
- Em qualquer dos cenários, os meteorologistas afirmam: haverá agravamento das cheias.
Agravamento
O Rio Grande do Sul passa por um momento delicado em função do episódio de chuva volumosa da semana passada. No último boletim emitido pela Defesa Civil do Estado na quarta (25), havia aumentado o número de municípios atingidos, bem como o total de mortos:
- aumentou de 146 para 155 cidades registraram danos decorrentes da chuvarada;
- Cinco pessoas morreram, enquanto uma segue desaparecida;
- Mais de 9,3 mil pessoas estavam fora de casa.
A precipitação esperada para este fim de semana deve agravar a situação, “podendo evoluir para um cenário muito grave e crítico em algumas localidades, com especial preocupação para a região metropolitana”.
Situação dos rios
Espera-se que ocorra uma nova vazão do Rio Taquari, com alta probabilidade do nível superar os 23 metros registrados na última semana em Lajeado, contudo, sem expectativa de que alcance marcas extremas como as do segundo semestre de 2023 e de maio de 2024.
O mesmo cenário é previsto para o Rio Caí, que deve passar dos 13 metros em São Sebastião do Caí na semana passada. “Apesar de não prevermos marcas extremas, a enchente pode ser média a grande proporção no Vale do Caí”, explica a MetSul.
O Rio dos Sinos ainda está em cheia e acima da cota de inundação na região metropolitana e, apesar de apresentar diminuição, enfrentará aumento “com possibilidade de uma cheia de grande porte, embora nada comparável a maio de 2024”.
Parte da bacia do Rio Jacuí deve ser atingida com altos volumes. Apesar da baixa probabilidade de repetir os acumulados extremos da semana anterior, há risco de repique de cheia. Na parte final da bacia, em Eldorado do Sul, onde a cheia está ao redor do seu pico, há potencial de agravamento principalmente pelo nível do Guaíba, que recebe as águas de todos os rios citados acima, bem como o Gravataí.
O período de maior preocupação em Porto Alegre será entre a próxima terça (1º) e quinta-feira (3) pelo tempo que a vazão leva para percorrer os rios e chegar à capital gaúcha. Embora elevado, o Guaíba deve estar mais baixo do que nesta quinta quando começar a subir novamente.
Catástrofe de 2024 não deve se repetir
A MetSul enfatiza que os volumes de chuva, embora altos, não indicam uma repetição de maio de 2024. “Isso não deve ser interpretado de nenhuma forma a trazer uma sensação de segurança porque o ano passado foi o extremo do extremo”, salienta o portal de meteorologia.
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