O Rio Grande do Sul enfrenta, ao longo desta semana, mais um episódio de chuva volumosa, com potencial para alagamentos urbanos, cheia de rios e transtornos nas estradas. Embora o cenário não se compare à tragédia de maio de 2024, o alerta é para volumes que podem ultrapassar o dobro da média histórica de junho em algumas cidades.
As regiões oeste, centro e noroeste do Estado concentram os maiores riscos, mas municípios dos vales do Sinos, Paranhana, Caí, além da Serra e da região metropolitana, também devem se preparar para a instabilidade.

Foto: Dário Gonçalves/Arquivo GES-Especial
Segundo a MetSul Meteorologia, a chuva retorna ao Estado ainda nesta segunda-feira (16) e deve seguir até sexta (21). O avanço de uma frente fria trará pancadas localmente fortes, principalmente entre terça e quinta-feira, com acumulados variando de 50 mm a 150 mm em diversos pontos do oeste, do centro e sul gaúcho. No final da semana, a instabilidade atinge com mais intensidade áreas do centro, do leste e do nordeste gaúcho.
A Defesa Civil estadual também destaca risco de temporais isolados com raios, rajadas de vento de até 90 km/h e possibilidade de granizo, principalmente na região de São Borja e Alegrete nesta segunda-feira (16). O órgão também alerta para alagamentos urbanos e transbordamento de arroios e pequenos rios, sobretudo entre quarta e quinta-feira. Rios maiores como o Jacuí, Taquari, Caí e Sinos também devem ter elevação de nível.
Regiões com mais atenção
Entre os municípios com maior probabilidade de chuva volumosa a excessiva estão cidades do oeste e do noroeste, como Santo Ângelo, São Borja e Alegrete. Esta última com alerta para possível inundação do Rio Ibirapuitã a partir de quarta-feira (18). No entanto, a instabilidade também atinge com força o centro do Estado, afetando bacias como a do Jacuí e, em menor grau, as do Caí e do Taquari, o que pode impactar cidades da região metropolitana e dos vales.
“Há um relativo consenso entre os modelos de que a região da Lagoa dos Patos, o oeste, o centro e o noroeste devem ter os mais altos acumulados”, informa a Metsul. “Vários pontos podem registrar nestes sete dias volumes entre 100 mm e 200 mm com acumulados isoladamente superiores. Modelos projetam que em alguns pontos a chuva poderia superar 200 mm com marcas até acima de 250 mm em alguns setores”, acrescenta.
Risco moderado nos vales e região metropolitana
Mesmo com acumulados menores, municípios como Montenegro, Caxias do Sul, Lajeado, Passo Fundo e Porto Alegre estão em zona de risco de chuva intensa, com volumes entre 40 mm e 100 mm em apenas 24 horas, conforme os boletins da Defesa Civil.
Os vales do Sinos, Paranhana e Caí, bem como a Serra e a Região Metropolitana, estão sob condição de Alerta, segundo os órgãos de meteorologia. O risco de enxurradas e alagamentos localizados é moderado, mas aumenta em áreas com solo encharcado ou drenagem precária.
Há também a possibilidade de ventos fortes, especialmente na terça-feira (17), com rajadas entre 60 e 80 km/h. Esses ventos podem agravar situações de queda de árvores e bloqueio de vias, além de impactar a rede elétrica.
Guaíba sob observação
O risco de cheia do Guaíba em Porto Alegre é considerado médio a alto para o final da semana, devido à combinação de chuvas nas bacias do Jacuí e da Serra. A MetSul alerta para a possibilidade de alagamentos nas ilhas da capital.
Meteorologistas reforçam que, embora a situação inspire cuidado, não há elementos que indiquem um cenário similar ao de maio de 2024. Ainda assim, é fundamental que a população acompanhe os avisos das autoridades, especialmente em áreas ribeirinhas e urbanas vulneráveis. “Cheias de rios e enchentes ocorrem todos os anos no Rio Grande do Sul, mas 2024 foi o extremo do extremo e tem recorrência rara”, ressalta a Metsul.
Em caso de emergência, os contatos da Defesa Civil são 190 e 193.