Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
Apontada como a “única autora” dos envenenamentos que mataram quatro pessoas da mesma família, Deise Moura dos Anjos, de 42 anos, fez diversas pesquisas por arsênio no computador e no celular. Segundo a Polícia Civil, as pesquisas apontam, ainda, que Deise buscou por vários tipos de venenos, para matar humanos e animais, além de substâncias com cheiro e sem cheiro.

Foto: Paulo Pires/GES
A mulher matou Neuza Denize Silva dos Anjos, 65 anos, Maida Berenice Flores da Silva, 59, e Tatiana Denize Silva dos Anjos, 47 anos, filha de Neuza, em Torres, no litoral norte, em dezembro do ano passado. Antes do caso do bolo envenenado, ela colocou arsênio em um pacote de leite em pó, que causou a morte do sogro, Paulo Luiz dos Anjos, em setembro.
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Não houve indiciamento da Deise em razão do suicídio. Ela foi encontrada morta na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, onde estava presa, no dia 13 de fevereiro deste ano.

Foto: Sofia Villela/Ascom IGP
A Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias (IGP) falaram sobre a conclusão da investigação em coletiva na manhã desta sexta-feira (21). Os inquéritos têm mais de 1.200 páginas, com provas de que ela cometeu os crimes. A investigação da morte da Deise segue em andamento, mas já em fase final.
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Entre os fatores que corroboraram para que Deise fosse apontada como única autora foi “a frieza com que ela planejou o crime e a forma como ela se portou durante os fatos”, diz a delegada Sabrina Deffente, da Delegacia Regional de Capão da Canoa.
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Motivação financeira descartada
Inicialmente, ela planejava matar a sogra Zeli Terezinha dos Anjos, mas pareceu não se importar em colocar outras pessoas em risco para atingir seu objetivo. De acordo com a Polícia, a única motivação para o crime era uma “grande pertubação mental” da qual Deise sofria. Era tratado como depressão, mas a Polícia suspeita que ela tinha outros distúrbios.
Durante a investigação, a Polícia pensou que pudesse haver uma motivação financeira, mas não existiu. Isso ficou comprovado quando se descobriu que ela havia envenenado também o marido, o que a excluiria da herança. O veneno que ela serviu ao marido teria ficado em uma garrafa de suco na geladeira, que, posteriormente, foi servida ao filho, que também foi envenenado. Eles passaram mal, mas sobreviveram.
“Ela não ia parar”, afirma a delegada Sabrina, que acrescenta que “ela descambou e aceitou qualquer resultado que veio do envenamento”. Para o delegado Fernando Sodré, Chefe de Polícia do Estado, “a morte do sogro pode ter sido a sensação de deu certo”.
Deise pediu cremação do corpo do sogro
Após a morte do sogro, Deise teria tentado convencer a família a cremar o corpo do sogro. Quando começou a investigação da morte, ela chegou a dizer que “não valia a pena, não iriam encontrar nada, não sabia porque iriam exumar, pois já estava podre”. Essa fala foi reportada em dos depoimentos.
Mesmo pacote de veneno usada em todas as mortes
O delegado responsável pelo caso, Marcus Vinicius Muniz Veloso, afirma que a compra do veneno foi feita pela internet em 16 de agosto. O pacote foi recebido no dia 21 do mesmo mês. A Polícia acredita que o mesmo pacote de arsênio foi usado nos envenenamentos de setembro e de dezembro.
De acordo com o IGP, o arsênio é encontrado em alimentos e é utilizado na indústria sem nenhum problema. Porém, em doses muito altas causa envenenamento. A substância não tem uma taxa de letalidade definida, porque depende de como o metabolismo absorve/digere o elemento.
A legislação para compra de arsênio é extremamente rígida, pois envolve órgãos controladores. O IGP, por exemplo, se quiser comprar vai ter que apresentar vários documentos, onde vai comprar, onde vai aplicar. Por essa razão, é necessária a investigação de como a empresa vendeu o arsênio e qual critério foi usado. Uma nova investigação policial será aberta a respeito. Os dados do laboratorio estão no inquérito do bolo.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes.
Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.