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EDITORIAL

OPINIÃO DO GRUPO SINOS: Sobretaxa desleal de Donald Trump

Começa a valer nesta quarta-feira (22) o novo tarifaço de 25% aplicado pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros

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Publicado em: 20/07/2026 às 12h:20 Última atualização: 20/07/2026 às 18h:50
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Começa a valer nesta quarta-feira (22) o novo tarifaço de 25% aplicado pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio estima que a nova taxação afetará 18% das exportações para os Estados Unidos, fatia correspondente a R$ 38 bilhões. Na lista dos setores mais prejudicados estão calçados e máquinas, ambos com forte presença na região. Engana-se, portanto, quem vê este imbróglio como algo distante, sem potencial para produzir efeitos danosos em âmbito local.

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A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifesta grande preocupação com os impactos da nova tarifa. A avaliação é clara: a restrição imposta pelo governo americano a partir da metade desta semana inviabiliza operações que vinham sendo retomadas desde a derrubada do último tarifaço. Cerca de 20% das exportações brasileiras de calçados são para os Estados Unidos. Os outros 80% vão para outros 160 países.

A sobretaxa se soma aos 10% que já incidiam sobre itens brasileiros. Na prática, nossos produtos passam a pagar pedágio de 35% para chegar às lojas americanas, o que corrói a competitividade. Se antes do novo tarifaço os embarques de calçados para os EUA já caíram 23% na comparação com o mesmo período de 2025, a tendência é que a situação piore a partir de agora. Com queda nas vendas, as fábricas terão menos encomendas. O resultado? Demissões e impacto em toda a cadeia de suprimentos.

Assim como outras áreas atingidas pelo tarifaço, o setor calçadista seguirá tentando abrir novos mercados no exterior. Mas a tarefa não é fácil. O mesmo derrame de produtos asiáticos verificado no Brasil ocorre em outros países. Além disso, os modelos produzidos para os EUA são muito específicos e não podem ser redirecionados para compradores de outras regiões do mundo de uma hora para outra.

O trabalho a ser feito é tão desafiador quanto o realizado nos anos 1960 para alavancar as exportações calçadistas. A união regional que marcou aquele movimento precisa ser renovada imediatamente. Com a economia nacional em marcha lenta, o mercado externo tem sido cada vez mais decisivo para a manutenção de muitas fábricas calçadistas.

O método usado por Trump é difícil de justificar do ponto de vista econômico. A sobretaxa é desleal e contraditória, sobretudo porque a balança comercial é amplamente favorável aos Estados Unidos. Ao recorrer a tarifas punitivas contra um parceiro histórico, Washington ignora uma relação comercial construída ao longo de dois séculos e adota uma postura de pressão unilateral incompatível com essa trajetória.

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As justificativas apresentadas até aqui e as ameaças de ampliação das tarifas soam frágeis diante dos dados da própria relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. O tarifaço atende mais a objetivos políticos da Casa Branca do que a uma lógica econômica consistente. Seus custos recaem sobre empresas, trabalhadores e regiões exportadoras, como os Vales do Sinos e do Paranhana.

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