Em meio à iminência de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o setor calçadista acompanha com apreensão o avanço das importações asiáticas e a queda nas exportações, que afetam também os empregos da cadeia nacional.

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A decisão final sobre as novas tarifas por parte do governo de Donald Trump deve ser divulgada nesta quarta-feira (15). Somando as duas sobretaxas já anunciadas, alguns setores podem ter cobrança adicional de 37,5%. Entre as argumentações dos EUA estão uso do PIX e falha na fiscalização contra trabalho forçado.
Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e divulgados nesta segunda (13), demonstram o avanço das importações de calçados, em especial provenientes da Ásia, o que deve ser agravado caso as novas cobranças por parte dos EUA sejam validadas justamente por criar uma desvantagem competitiva.
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Importações
No primeiro semestre, foram importados 25,9 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 307 milhões, incrementos de 15,9% e 13%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado. No recorte de junho, as importações somaram 3 milhões de pares e US$ 48,1 milhões, altas de 1% e 7,6%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.
Nesse contexto, o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, conta que somente no primeiro semestre do ano, o setor deixou de criar 7,8 mil postos de trabalho diretos em razão do aumento expressivo das importações.
“A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro, muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial de Comércio (OMC)”, afirma o dirigente.
Exportações
Por outro lado, as exportações de calçados seguem em queda. A balança comercial do primeiro semestre de 2026 do setor registrou diminuição de 55,1%, o menor resultado para um primeiro semestre na série histórica da base, iniciada em 1997.
No primeiro semestre, as exportações de calçados somaram 49 milhões de pares e US$ 408,2 milhões, quedas tanto em volume (-7%) quanto em receita (-17,9%) em relação ao mesmo período do ano passado. No recorte de junho, foram embarcados 8,1 milhões de pares por US$ 59,16 milhões, incremento de 18,1% em volume e queda de 15,7% em receita.
Entre janeiro e junho, mesmo com toda a instabilidade provocada pelas tarifas de importação aplicadas ao produto brasileiro, o principal destino dos embarques foi os Estados Unidos. No período, foram embarcados para lá 5,6 milhões de pares, que geraram US$ 85,25 milhões, quedas tanto em volume (-3,6%) quanto em receita (-23,6%) em relação ao mesmo intervalo de 2025.
No recorte de junho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 20,7% em volume (805,56 mil pares) e 17,9% em receita (US$ 17 milhões) em relação ao intervalo correspondente do ano passado, ainda refletindo a comparação com uma base elevada do mesmo mês do ano anterior.
Defesa nos EUA
A gerente de Relacionamento e Negócios da entidade calçadista, Letícia Sperb Masselli, esteve na sessão do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) na última terça (7). “Este fluxo comercial beneficia não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores dos EUA, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, defendeu.
O que diz o governo brasileiro
O governo brasileiro não definiu se adotará tarifa de reciprocidade caso as sobretaxas, de 25% e 12,5%, sejam confirmadas. Há expectativa de uma reunião virtual com o representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, até a quarta (15). A expectativa do setor empresarial é que, pelo menos, haja uma lista de exceções à taxação de 25%.