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ECONOMIA

TARIFAÇO: Novela da sobretaxa de 50% completa um ano e indústria teme novas cobranças; entenda impactos

Entre os setores mais afetados estão couro, calçado, tabaco e móveis; veja detalhes

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 10/07/2026 às 07h:30 Última atualização: 10/07/2026 às 08h:57
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No dia 9 de julho de 2025 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, comunicando a cobrança de sobretaxa de 50% (10% já cobrados e adicional de 40%) sobre produtos brasileiros que entram tem território norte-americano.

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Na época, o argumento de Trump tinha base comercial, mas também política. Ele manifestou contrariedade às decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Donald Trump  | abc+



Donald Trump

Foto: Casa Branca

A sobretaxa teve início de forma oficial no dia 6 de agosto, causando forte tensão comercial entre os dois países. De lá para cá, a tarifa contou com exceções (produtos que foram retirados da lista de cobrança) até ser invalidada em fevereiro deste ano, quando uma taxa de 10% foi aplicada de forma global com validade de 150 dias.

Agora, o Brasil corre o risco de contar com novas sobretaxas por parte do governo dos EUA que podem chegar a 37,5%. A decisão sobre a imposição da cobrança de 25%, ao Brasil, e 12,5%, que inclui também outras nações, será divulgada pelo governo de Trump na próxima quarta-feira (15).

Os meses em que a taxação de 50% incidiu sobre os envios brasileiros resultaram em prejuízos para a indústria nacional e especialmente para as empresas gaúchas que tem no país governado por Trump um dos seu principais destinos exportadores.

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Entre os setores mais afetados no RS, conforme a Fiergs, estão armas e munições, couro e calçados, madeira, móveis e tabaco.

De acordo com a Fiergs,  a implementação das tarifas em abril do ano passado (10%) e, de forma mais agressiva, a partir de agosto do mesmo ano (adicional de 40%), fez com que a indústria gaúcha tivesse quedas expressivas em suas exportações, chegando a reduções de 37% nos últimos cinco meses de 2025 e de 22,4% entre janeiro e abril de 2026.

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Novos mercados

Ao avaliar os possíveis redirecionamentos das exportações desses setores durante a cobrança total de 50%, a Fiergs relata que ainda é cedo para afirmar com precisão como ocorreu a reorganização dos mercados, uma vez que esse é um movimento que tende a ocorrer no médio e longo prazo e depende das características de cada cadeia produtiva e de questões contratuais.

“Nesse contexto, observa-se que o setor de armas e munições ampliou, em certa medida, suas exportações as Filipinas e, em menor grau, ao Peru. O setor do tabaco, por sua vez, apresentou aumento das vendas para Vietnã, Emirados Árabes Unidos e Paraguai ao longo de 2025, embora esse desempenho não tenha sido mantido em 2026.

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No caso da madeira, verificou-se crescimento das exportações para o México em 2026. Já o setor moveleiro registrou, especialmente a partir de agosto de 2025, aumento das vendas para a Argentina e, em 2026, para a Polônia”, explicou em nota elaborada ao Jornal NH/ABCmais.

A entidade que representa a indústria do RS, destaca também que a maior parte dos segmentos industriais continua enfrentando dificuldades para redirecionar suas exportações, como tabaco e calçados.

“Isso ocorre porque muitos produtos são desenvolvidos para atender demandas específicas de determinados mercados e clientes, o que limita uma substituição rápida de destinos.”

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A Fiergs teme que haja, a partir de novas sobretaxas, mais um impasse nas relações comerciais com os EUA. As projeções do Conselho de Comércio Exterior e da Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs estimam que 50,3% (US$ 828,5 milhões) das exportações gaúchas para os EUA terão uma tarifa adicional de 37,5%.

Outros 0,3% (US$ 5,6 milhões) terão uma tarifa adicional de 12,5%, de modo que 50,7% das exportações do RS estarão sujeitos às novas medidas.

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Setor calçadista

Os dados recentes de comércio exterior da Abicalçados mostram que nos sete meses posteriores à vigência da sobretaxa de 40%, entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, houve quedas de 17,9% em valor e 12,1% em volume nas exportações brasileiras de calçados para os EUA, em comparação com o período anterior.

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“Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos calçados brasileiros, mas a política tarifária passou a representar uma ruptura relevante a partir do segundo semestre de 2025, com reflexos ainda perceptíveis em 2026″, diz a economista e coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck.

Priscila explica que a retirada da tarifa adicional em fevereiro de 2026, não significou retorno imediato ao padrão pré-2025, tendo em vista a defasagem entre pedido, produção, embarque e registro da exportação, além do ambiente de incerteza regulatória.

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“Além disso, a comparação mais recente ainda é influenciada por uma base elevada, especialmente em maio de 2025, mês atípico em razão do anúncio, à época, das ‘tarifas recíprocas globais’, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia”, avalia.

A economista afirma que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário “pré-tarifas”.

No período de março a junho de 2026, em contexto de maior isonomia tarifária em relação aos principais concorrentes internacionais, o volume exportado aos Estados Unidos superou em 6,8% o registrado no mesmo período de 2024, quando não havia tarifas adicionais.

No entanto, ante ao mesmo período de 2025, os embarques ainda registram retração, em volume, de 11,9%.

Indústria moveleira 

Na indústria moveleira do Rio Grande do Sul a taxação mudou até a colocação dos EUA nos envios gaúchos do setor.

Segundo a Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), antes da cobrança de 50%, o mercado norte-americano ocupava o 2º lugar no ranking de principais destinos dos móveis gaúchos na exportação, somando mais de  US$ 30 milhões.

No primeiro trimestre de 2026, este mercado já caiu para a 5ª posição ( US$ 3,8 milhões entre janeiro e março deste ano).

Com o desafio, foi preciso abrir novos mercados. Conforme a associação, o Uruguai ocupa o topo do ranking e os principais novos mercados incluem ainda Peru, México, Chile, Paraguai, Argentina.

Mercado essencial para o couro

De acordo com o Centro das Indústrias de Curtume do Brasil  (CICB), no balanço das exportações de couros e peles do Brasil em 2025, os Estados Unidos ficaram na vice-liderança do ranking de maiores países importadores, com US$ 142,7 milhões.

Isso representou uma participação de 12,6%, com queda de 14,4% sobre o ano de 2024. Em 2026, de janeiro a junho, o país se mantém na vice-liderança, com valor total de US$ 65,1, participação de 12,0%, representando uma queda ainda maior, de 16,6% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

“A parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos no setor de couros é importante para os dois países, por isso, tentou-se ao máximo manter as exportações no período em que houve a sobretaxa para os produtos brasileiros. Buscamos também novos mercados, e foi possível ver crescimentos relevantes de vendas em 2025 para países como Coreia do Sul (+34,5%), Espanha (+38,8%) e México (+4,3%)”, avalia  Rogério Cunha, Rogério Cunha, da Inteligência Comercial do CICB.

A expectativa do CICB e do setor de couros do Brasil é de uma solução em breve harmoniosa para os dois países. Brasileiros e norte-americanos participam de diversas cadeias comerciais integradas, e a adição de novas taxas não será positiva para negócios e a economia dos dois países.

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