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ECONOMIA

TARIFAÇO: Entidades gaúchas tentam reverter novas sobretaxas do governo Trump; entenda

Setores produtivos estão nos EUA para defender a indústria brasileira; novas taxas podem começar a valer já no dia 15

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 07/07/2026 às 10h:44 Última atualização: 07/07/2026 às 10h:45
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Representantes de setores produtivos participam de audiência pública na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington. Entidades nacionais e do Rio Grande do Sul buscam isentar os segmentos que estarão entre os mais afetados caso as novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sejam validadas. São sete painéis ao todo, eles foram divididos entre a segunda-feira (6) e esta terça (7).

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Dia da Indústria 2026 | abc+



Dia da Indústria 2026

Foto: Divulgação/Abicalçados

No início de junho, o governo dos EUA concluiu a investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025 e propôs a aplicação de 25% sobre produtos brasileiros. Menos de 48 horas depois veio o anúncio de outra taxa, esta de 12,5%, envolvendo outras nações, sob alegação de que há falhas no combate ao comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. O início da cobrança está prevista, caso avance, para o próximo dia 15.

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O agro é um dos setores que deve ser impactado com a taxação. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se manifestou na audiência de ontem (6), representando também a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Para o setor agropecuário gaúcho, um dos principais riscos imediatos é a perda de competitividade no mercado norte-americano, além do aumento de exigências de exportação no médio e longo prazo.

O setor calçadista terá defesa nesta terça (7). Letícia Sperb Masselli vai falar pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Segundo a entidade, a possibilidade de nova tarifa adicional traz mais insegurança tanto para o exportador brasileiro quanto para o importador norte-americano e deve criar uma desvantagem competitiva aumentando, inclusive, a “invasão” de calçados asiáticos no Brasil.

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A Federação das Indústrias do RS (Fiergs) estará representada pela CNI, que participa da audiência nesta terça (7), e também falará por outros segmentos como o couro. Segundo o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, como o recuo das medidas parece pouco provável, se faz necessário ampliar a lista de exceções. Entre os produtos gaúchos mais afetados, a entidade destaca tabaco, armas, calçados de couro, couro e pele e madeira. 

De acordo com projeções do Conselho de Comércio Exterior e da Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs, caso as duas novas tarifas propostas pelo governo de Donald Trump sejam implementadas, 50,3% (US$ 828,5 milhões) das exportações gaúchas para os EUA terão uma tarifa adicional de 37,5%. Outros 0,3% (US$ 5,6 milhões) terão uma tarifa adicional de 12,5%, de modo que 50,7% das exportações do RS estarão sujeitos às novas medidas.

Queda nas exportações de móveis do RS

O setor de móveis também elaborou uma defesa técnica na busca pela isenção na sobretaxa. A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) ressalta que a importação de móveis brasileiros não representa um risco aos EUA, assim como reforça que o Brasil realiza práticas justas e adequadas de produção e comércio.

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Pelo Estado, a Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs) acompanha o processo. A entidade afirma que as exportações de móveis gaúchos para os Estados Unidos perderam competitividade desde agosto de 2025, quando entrou em vigor a taxação de 50%, e mantiveram o declínio. A Movergs informou que se mantém à disposição das indústrias moveleiras por meio de orientações e estudos de mercado.

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Comércio bilateral

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também terá um momento de argumentação hoje (7). Entre as ponderações estão a importância das máquinas e equipamentos para os investimentos produtivos, os impactos negativos sobre cadeias industriais integradas e o fato de que parcela significativa do comércio bilateral do setor ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico.

“O mercado dos EUA é importante, ele representa cerca de 25% das nossas exportações. E é uma relação de comércio intercompany, a sobretaxa afetará também as empresas do mercado norte-americano. Temos uma cadeia produtiva integrada, ou seja, trará prejuízos para os dois lados. E o móvel é um produto dificil de substituir, não é um bem de consumo, é investimento”, diz Patricia Gomes, diretora de Comércio Exterior da Abimaq em entrevista ao ABCmais/Jornal NH.

 

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