abc+

INDÚSTRIA CALÇADISTA

"Invasão" asiática bate recorde e exportações caem; entenda relação do setor calçadista com o governo Trump

Abicalçados divulgou, nesta segunda (15), dados de importações e exportações; veja os detalhes

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 15/06/2026 às 12h:01 Última atualização: 15/06/2026 às 12h:02
Publicidade

O setor calçadista brasileiro está em alerta. As importações de calçado seguem em elevação e atingiram o recorde da série histórica – iniciada em 1997 – para os primeiros cinco meses do ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (15), pela  Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Publicidade

Importação vinda da Ásia preocupa setor calçadista brasileiro | abc+



Importação vinda da Ásia preocupa setor calçadista brasileiro

Foto: Freepik

O levantamento mostra que somente em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 43,78 milhões, elevações tanto em volume (+14,6%) quanto em receita (+14,7%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Entre as principais origens asiáticas do mês se destacam: China (991,3 mil pares e US$ 3,62 milhões, incrementos de 22,8% em volume e queda de 0,5% em receita ante maio de 2025); Vietnã (958,97 mil pares e US$ 19,96 milhões, queda de 4% em volume e aumento de 4,9% em receita); e Indonésia (459,3 mil pares e US$ 9,18 milhões, queda de 9,1% em volume e incremento de 20,3% em receita).

CLIQUE E VEJA TAMBÉM: REFORMA CASA BRASIL: Confira vídeo e saiba como funciona o programa de reparo residencial pela Caixa

No acumulado dos cinco meses, as importações somaram 22,9 milhões de pares e US$ 258,93 milhões, elevações de 18,2% e 14%, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Publicidade

As principais origens no acumulado dos cinco meses foram: China (9,28 milhões de pares e US$ 22,35 milhões, incrementos de 28,8% e 11,6% ante o mesmo período de 2025); Vietnã (5,6 milhões de pares e US$ 124,55 milhões, crescimentos de 5,4% e 19,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado); e Indonésia (3,27 milhões de pares e US$ 61,96 milhões, queda de 10% em volume e incremento de 5,1% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025).

Exportações em queda

Em contrapartida, as exportações brasileiras estão em queda. Depois de “respirar” em abril, com aumento em volume, no mês de maio, a indústria calçadista verde-amarela embarcou 6,42 milhões de pares por US$ 64,53 milhões – quedas de 5,2% e 17,4%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Já no acumulado de janeiro a maio deste ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, quedas tanto em volume (-10,7%) quanto em receita (-18,3%) em relação ao mesmo ínterim de 2025.

Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1% e 8,9%, conforme a Inteligência de Mercado da Abicalçados.

Publicidade

A Abicalçados explica que apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.

ACESSE E CONFIRA: Estão abertas as inscrições para o Novo Hamburgo Feevale Summit; veja como participar do evento gratuito

Publicidade

Estados unidos

A queda nas exportações está relacionada com o principal destino internacional do calçado brasileiro: Estados Unidos.  Em maio, foram exportados para o mercado norte-americano 984,5 mil pares que geraram US$ 13,65 milhões, quedas de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado.

No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Mesmo os Estados Unidos tendo retirado a tarifa adicional de 40% para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025″, explica o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destacando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação.

Publicidade

“Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40%”, acrescenta.

LEIA: Capacitação amplia oportunidades no segmento calçadista

Publicidade

Ferreira lembra também que a diminuição registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 – mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia.

“Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5% o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.

Publicidade

Ainda assim, a indústria calçadista demonstra grande preocupação no possível agravamento do cenário diante da incerteza regulatória no mercado norte-americano. Especialmente em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais. No Brasil a sobretaxa pode chegar a 37,5%.

Além disso, o Brasil revogou, por meio de Medida Provisória (MP) a “taxa das blusinhas”, o que acentua a entrada de importações no mercado nacional, no que o setor identifica como concorrência desleal.

Argentina

O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que em maio importou 402,73 mil pares verde-amarelos por US$ 6,48 milhões, quedas de 63,2% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras para a Argentina somaram 2,42 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, quedas de 57,8% e 59,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que em maio importou 900,87 mil pares verde-amarelos por US$ 4,3 milhões, altas de 59,2% e 19,2%, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado. No acumulado dos cinco meses, foram embarcados para lá 3,6 milhões de pares por US$ 20,2 milhões, queda de 8,2% em volume e incremento de 14,3% em receita na relação com intervalo correspondente de 2025.

VEJA AINDA: “Não era piedade”: Investigados por eutanásias fraudulentas arrecadaram R$ 670 mil para supostos tratamentos de animais

RS: maior exportador do Brasil

O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e maio, as fábricas gaúchas embarcaram 12,9 milhões de pares, que geraram US$ 172,1 milhões, quedas de 6,2% e 14,1%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem os estados do Ceará – com a exportação de 12,58 milhões de pares por US$ 67,14 milhões, quedas de 18,1% e 25,4%, respectivamente -, e São Paulo – que embarcou 2,5 milhões por US$ 35,68 milhões, quedas de 19,3% e 19,4% ante o ano passado.

*Com informações da Abicalçados

Publicidade