O aumento de casos de pessoas que caem no Calçadão de Canoas é motivo de preocupação para quem circula e trabalha na região central do município. A má conservação do piso tem ocasionado acidentes, em especial, com idosos. Ao longo da extensão, há dezenas de pedras soltas e até buracos no calçamento. Sem fixação e sinalização o suficiente, a simples tarefa de transitar pelo local pode se tornar uma armadilha. O cenário da falta de manutenção também reflete no acúmulo de sujeira, lixo, mau odor e pichação no coração do comércio canoense.

Foto: Paulo Pires/GES
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP
A aposentada Carla Marchiori, 66 anos, tropeçou no Calçadão há alguns dias. O tombo resultou em cinco pontos acima do lábio e um corte na testa, além de precisar procurar um dentista, pois os dentes seguem doendo. “Foi um susto enorme. Precisei ir para o pronto-atendimento, fiquei toda ensanguentada. É um perigo andar por ali.”
A comerciante Ângela Maria dos Santos da Silva, 56, presenciou o acidente de Carla.
“Virou rotina. Todos os dias, vejo pessoas caindo e se machucando. Esses dias, uma idosa caiu de cara no chão, ela precisou de pontos na testa. Ainda há marcas de sangue na calçada. O piso está horrível. Nunca vi o Calçadão tão abandonado. Está demais. Precisa de uma revitalização urgente”, comenta.
Os eventos descritos por Ângela, que trabalha há mais de 15 anos no Calçadão, evidenciam situações cotidianas marcadas pelo descaso e ausência de cuidado com o patrimônio público.
“A sensação que fica é de impotência. Parece que estão esperando acontecer algo mais grave para tomarem uma atitude. Só nos últimos dias, ajudei três pessoas idosas que caíram porque tropeçaram no piso irregular da calçada. Há vários buracos no calçamento, mas nem todos sinalizados com cones. Já presenciei lojistas colocando um cabo de vassoura com sacola para chamar a atenção para o buraco”, lamenta.
Para a comerciante Rosane Casagrande, 62, o agravamento da má de conservação do Calçadão e no entorno afasta os consumidores.
“Está cada vez pior. O calçamento horrível, as pessoas caindo, a sujeira e a pichação tomando conta. Que vontade a pessoa vai ter para andar no Centro? Nenhuma. Só quem precisa mesmo. O nosso Calçadão não tem nada de atrativo, nem árvore e bancos para sentar têm direito. Olha ao redor, cada dia são menos pessoas consumindo. Sem infraestrutura, não tem comércio que aguente”, opina Rosane.
Com décadas de dedicação na área comercial, Rosane fala dos anseios de quem passa e trabalha pela região.
“Quando chove forte, a água do esgoto sobe. Já invadiu galerias e lojas. O cheiro é terrível. Ninguém faz nada. Os problemas só se acumulam e aumentam. O Calçadão está sujo, feio, com pichações nas paredes e nos telefones públicos. Não vejo ninguém fazendo uma manutenção completa. Sempre fica lixo para trás. Não podemos continuar abandonados assim.”
Márcio de Lima, 19, circula diariamente pelo Calçadão. O estagiário relembra a queda de um idoso.
“Era um senhor. Ele caiu porque não viu que a lajota desnivelada. Está perigoso. As pessoas ajudam como podem, às vezes ligam para um familiar, em outras chamam o Samu, oferecem água, um lugar para sentar. Nesses momentos, a solidariedade é o que faz a diferença. O problema é que ninguém aparece para arrumar. Aquelas tendas dos vereadores não adiantam nada. Conheço pessoas que protocolaram pedidos e nada foi feito. Na Prefeitura, a mesma coisa ”, afirma o estudante.
A manicure Cíntia Maria dos Santos, 39, frequenta regularmente a região central. Para ela, o cenário atual desestimula o avanço nos negócios.
“É só andar pelo Centro, a maioria das pessoas são idosos que pagam contas nas lotéricas. Conheço várias lojas que fecharam as portas nos últimos anos. Têm salas disponíveis para alugar até hoje no Calçadão. É triste toda essa falta de cuidado. Na minha opinião, precisa ser feita uma reforma, mas também precisa de policiamento e segurança para coibir o vandalismo”, conclui a moradora do bairro Marechal Rondon.
Sem manifestação
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Canoas não respondeu às demandas citadas na matéria. O espaço segue aberto para manifestação.