Nesta quarta-feira (10), a Câmara Municipal de Canoas promoveu uma reunião com vereadores, instituições de controle e lideranças políticas para debater a atuação da Corsan/Aegea em municípios gaúchos. O encontro aconteceu no âmbito das atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a prestação dos serviços na cidade.
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Foto: Andrissia Pereira
A proposta foi trocar experiências com quem também está acompanhando as questões relacionadas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Isso porque outras cidades também relatam problemas, como destaca o presidente da CPI de Canoas, vereador Eric Douglas (União Brasil).
“Entendemos que muitos dos desafios observados em Canoas não são isolados. Diversos municípios têm enfrentado situações semelhantes o que torna fundamental a aproximação entre poderes legislativos e instituições de controle e defesa da sociedade”, reforça.
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Procon aponta aumento nas reclamações
Para falar do cenário na cidade, o diretor do Procon Canoas, Vinícius Rabaioli, apresentou dados sobre as reclamações registradas no órgão. Segundo ele, a Corsan/Aegea atualmente lidera o ranking de demandas recebidas pelo Procon no município.
“O Procon atende cerca de 2 mil consumidores por mês. Até então, as nossas principais demandas eram bancos, instituições financeiras. E hoje a Corsan/Aegea representa a número um em reclamações. Às vezes, dos dez guichês, oito estão atendendo demanda a Corsan”, informa.
Segundo o diretor, o número de reclamações vem crescendo. Em 2023, eram 265 reclamações. O número saltou para 451 em 2024, e 886 em 2025. Neste ano, até o momento, já foram 639 reclamações contra a Corsan registradas no Procon de Canoas. A maioria é por cobranças abusivas.
“Quanta demanda tem hoje reprimida da população que recebe a conta, sabe que está pagando indevido e ainda sim não reclama com o Procon. É a grande maioria. A gente precisa ter acesso à reclamação. O Procon não consegue agir se não é formalizada a reclamação”, reforça Rabaioli.
O presidente da OAB Canoas, Josias dos Santos, afirmou que a entidade vem acompanhando as reclamações relacionadas aos serviços da concessionária e encaminhou contribuições à comissão.
“Quero fazer uma sugestão que nós possamos, num futuro próximo, pensar na municipalização da água em Canoas. O nosso município tem uma população grande e tem condições de ter a sua própria empresa, a exemplo de Caxias do Sul”, afirma.
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Venâncio Aires, Viamão e Gravataí presentes
Para falar do cenário em municípios próximos e trocar experiências, vereadores das cidades de Venâncio Aires, Viamão e Gravataí estiveram presentes.
O presidente da Câmara de Venâncio Aires, Nelsoir Battisti, relatou que a CPI do município também enfrenta dificuldades semelhantes às registradas em Canoas. O vereador criticou a falta de reservação de água em diversas cidades.
“Nós temos que trabalhar uma legislação mais geral em que a concessionária tenha uma reservação obrigatória de pelo menos 12 horas de água que ela fornece água”, destaca Battisti ao comentar que a cidade fica sem água quando estoura alguma tubulação de grande porte.
O presidente da CPI de Viamão, vereador Marco Antônio “Borrega”, afirmou que os problemas “só mudam de lugar”. O parlamentar elencou situações de contas elevadas, obras inacabadas, vazamentos e falhas no abastecimento.
“Trocaram um hidrômetro de um cidadão de Viamão e a conta passou de uma R$ 180 a R$ 200 para R$ 15 mil. Entrou na Justiça, ficou três meses sem água. Conseguiu uma liminar para ter a ligação em até 48 horas e demoraram semanas”, comenta.
Diante das mesmas reclamações, a CPI instaura em Gravataí decidiu focar em algumas situações, segundo o vereador Hiago Pacheco.
“Temos que priorizar a demanda da população. Então, priorizamos as cobranças abusivas, obras inacabadas e falta de água. Todos os dias têm bairros que faltam água e isso afeta o emocional e a rotina dos cidadãos”, relata.
Deputada defende união
A deputada estadual Stela Farias, presidente da Comissão Especial da Assembleia Legislativa que acompanha a atuação da Corsan/Aegea e esteve presente na reunião em Canoas.
Segundo ela, as reclamações envolvendo falta de água, cobranças e atendimento deixaram de ser casos isolados e passaram a representar uma preocupação estadual. A parlamentar defendeu a união entre os municípios e anunciou a realização de audiências públicas na Assembleia Legislativa para ampliar o debate.
“As nossas lutas individuais dificilmente vão ser bem-sucedidas porque a luta é ferrenha. Hoje, são mais de 30 CPIs funcionando no Estado. Eu acredito que nós devemos mobilizar todos”, defende a deputada.
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Última audiência acontece nesta quinta-feira
A CPI da Corsan/Aegea realiza a última audiência pública nesta quinta-feira (11), às 18 horas. O encontro ocorre na Liga Canoense de Futebol, localizada na Avenida A.J. Renner, 1111, no bairro Estância Velha, e será aberto à participação da comunidade.
A audiência encerra o ciclo de reuniões descentralizadas promovidas pela comissão nos quadrantes da cidade, com o objetivo de reunir denúncias, reclamações, documentos e relatos que irão subsidiar os trabalhos de investigação da CPI.
A comissão também disponibiliza um canal de WhatsApp para recebimento de denúncias, reclamações e envio de materiais relacionados aos serviços prestados pela Corsan/Aegea. O contato pode ser feito pelo número (51) 99481-1147.