Nas últimas semanas, comentamos sobre geração de emprego e recorde de abertura de empresas em Canoas. Mas o quanto isso reflete no consumo da população? Os dados divulgados pela IPC Maps 2025 podem ajudar a responder essa questão.
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Foto: Paulo Pires/GES
O potencial de consumo dos canoenses ficou em R$ 18.269.823.293 em 2025. O número é mais alto do que o registrado em 2024, quando o índice ficou em R$ 16.483.825.601. O aumento foi de 9,77%.
Os valores comparados com 2023 reforçam a crescente na capacidade de consumir. Na época, foram R$ 15,5 bilhões.
O índice, calculado pela IPC Marketing Editora, mostra o quanto as famílias estão dispostas a gastar em determinada categoria econômica. “Partimos da análise do PIB sobre a ótica da demanda para 2025. Projetamos o ano com base na expectativa de crescimento no IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]”, explica o sócio da editora e responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini.
O valor é um somatório do potencial de consumo em 22 gêneros que representam a realidade das famílias. Entre elas, habitação, veículos próprios, alimentação dentro e fora de casa são as que concentram as maiores cifras na cidade.
O levantamento também divide as residências de acordo com a classe: A, B, C e D/E – parâmetro definido pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). A entidade analisa itens de posse, veículos e escolaridade das famílias, relacionando com a renda.
Em Canoas, foram 136.109 domicílios contabilizados, sendo as classes B e C as que puxam os números para cima. Juntas, correspondem a 76,8% dos domicílios e possuem um potencial de R$ 14,1 bilhões de consumo.
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Classe C se destaca
No comparativo com 2024, as classes A, C e D/E tiveram um aumento no seu potencial de consumo. Já as famílias da B registraram um leve recuo. Confira os números mais abaixo.
Mas o aumento que mais chama a atenção é a da classe C. Enquanto que no ano passado, o índice ficou em R$ 5,57 bilhões, em 2025 foi calculado R$ 7,08 bilhões.
Classe A
2025 – R$ 2,88 bilhões
2024 – R$ 2,66 bilhões
Classe B
2025 – R$ 7,09 bilhões
2024 – R$ 7,15 bilhões
Classe C
2025 – R$ 7,08 bilhões
2024 – R$ 5,57 bilhões
Classe D/E
2025 – R$ 1,21 bilhão
2024 – R$ 1,09 bilhão
Canoenses têm suas prioridades
O preço pode justificar, mas a habitação, veículos próprios e alimentação constituem o pódio do potencial de gastos das famílias em Canoas em todas as classes sociais. A comida ainda se diferencia entre o que é consumido dentro e fora de casa, revelando hábitos da população.
Somente neste ano, a pesquisa calculou R$ 4,5 bilhões para compras de casas ou apartamentos. Enquanto que em 2024 foram R$ 3,7 bilhões. A categoria é a primeira no ranking comparativo. O impacto da enchente em diversas moradias da cidade pode ajudar na interpretação.
A possibilidade de adquirir um veículo próprio ficou em segundo lugar na lista, somando R$ 2,2 bilhões. O valor foi de R$ 1,9 bilhão no ano passado. Assim como as casas, os automóveis também foram atingidos e danificados, influenciando não só no potencial, mas também no desejo de consumo.
Já a alimentação vem em terceiro. O consumo em casa totaliza R$ 1,6 bilhão, enquanto que fora, R$ 883 milhões. Quando se olha para cada classe, as famílias da C e D/E são as que menos consomem na rua, enquanto que a A se divide entre as duas situações.
Os mais pobres não apenas priorizam, como não possuem recursos o suficiente para consumir fora de casa com tanta frequência. Os preços também não entram no orçamento dessas famílias.

Foto: Divulgação/IPC Maps
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Share de consumo é o terceiro do RS
A pesquisa do IPC Maps também outro dado que ilustra a aptidão dos canoenses para consumir: o chamado share de consumo. Em 2025, esse índice ficou em 0,22414. O cálculo entende que a cada R$ 100 consumidos pelo brasileiro, R$ 0,22 foram gastos em Canoas.
No ano passado, o share de consumo ficou em 0,22537, representando uma leve diminuição de 0,00123. A cidade figura em terceiro lugar estadual e 58º lugar nacional. A cidade fica atrás apenas de Porto Alegre e Caxias do Sul, que possuem um índice em 1,01931 e 0,36669, respectivamente.
Na avaliação de Pazzini, a pesquisa é importante para os setores que trabalham com planejamento estratégico, como por exemplo, que quer expandir seus negócios ou abrir uma franquia. “Os dados podem ser uma argumentação de vendas. Você analisa qual é o potencial da cidade, desse futuro cliente, para saber se é promissor ou não”, afirma.
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Sobre o IPC Maps
A metodologia utilizada desde 1995 é um formato consolidado no Brasil e no exterior, segundo Panizzi. “É um trabalho único que segue uma metodologia de primeiro mundo”, define.
O levantamento utiliza informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério da Fazenda. Através de softwares de geoprocessamento, a pesquisa abrange todos os 5.570 municípios brasileiros. O IPC Maps fornece dados em cada classe econômica, dividida em 22 categorias de categoria seja no meio urbano, seja no meio rural.