Alguns números podem traduzir o potencial econômico de uma região, como a projeção de consumo para um ano. Cortada por um vale em meio às montanhas, e rios que ajudam a contar a história da região, os números de um estudo mostram que o poder de compra das famílias do Vale do Paranhana tem crescido nos últimos anos, de acordo com o anuário IPC Maps 2025. O estudo abrange as classes A, B, C e D/E.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Desenvolvida pela IPC Marketing Editora, a pesquisa mostra que, juntas, as seis cidades (Parobé, Igrejinha, Taquara, Três Coroas, Rolante e Riozinho) têm um potencial de consumo de R$ 9,26 bilhões, considerando consumo urbano e rural. Esse valor é um montante de mais de R$ 1,068 milhão a mais que em 2024, que teve potencial de consumo de R$ 8,192 bilhões nos seis municípios. Ou seja, em um ano a projeção de consumo aumentou 13,04%. Entre os principais gastos estão despesas com habitação, alimentação e veículo próprio.
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Para chegar a esse valor potencial da região, o estudo junta todas as projeções de gastos, divididos por classes. Assim, a conta fica:
Consumo urbano
R$ 891.126.716 (A) + R$ 3.617.542.247 (B) + R$ 3.255.395.470 (C) + R$ 500.559.820 (D/E) = R$ 8.264.624.253
+ Consumo Rural
R$ 995.995.571
Total do Consumo Urbano + Rural 9.260.619.824
Como os números mostram, a classe com maior consumo é a B, cuja projeção para 2025 é de R$ 3,617 bilhões, o que representa uma fatia de 43,8% do total. Além disso, essa classe gasta mais com habitação (R$ 791,5 milhões) e veículo próprio (R$ 512,4 milhões).
“Precisamos considerar que a classe B tem rendimentos mensais de R$ 8,3 mil até R$ 25 mil, estando acima da média nacional, podendo ter acesso a um consumo mais amplo, como educação privada, planos de saúde, carro e casa própria. Estas famílias mantêm um poder de compra melhor, um padrão de vida mais confortável, incluindo na sua cesta produtos e serviços não essenciais”, explica a doutora em Desenvolvimento Regional Dilani Bassan, que também é docente nas Faculdades Integradas de Taquara (Faccat).
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Classe C está crecendo
O levantamento também mostra que as seis cidades do Paranhana somam 193.357 habitantes, sendo que 170.060 vivem na área urbana, enquanto outras 23.297 pessoas moram na zona rural. A região conta com 64.303 domicílios urbanos – cerca de 34.982 pertencem à classe C, cerca de 54% do total. Aliás, a classe C também é importante nessa fatia de projeção de consumo da região, uma vez que concentra o maior número de habitantes e o segundo maior consumo: R$ 3,25 bilhões (39,4% do total).
Na sequência, aparecem as classes A com R$ 891,1 milhões (10,8%); e a D/E que consomem cerca de R$ 500,5 milhões (6,1%). “Quando se fala de classes sociais, a classificação tem por base a faixa salarial. Dados do IBGE, de junho de 2025, indicam que a média salarial do brasileiro é de R$ 3.457. No entanto, a classificação das classes sociais ainda gera muitas dúvidas e debates, quando se fala em quem realmente compõe a classe média, considerada geralmente como classe B”, explica Dilani.
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Topo da lista de gastos é unânime
As quatro classes analisadas trazem um dado em comum: todas elas priorizam o investimento em habitação – seja aluguel ou parcela de casa própria (R$ 2,06 bilhões). A classe C tem projeção de gasto de R$ 935,7 milhões neste quesito, seguida da classe B (R$ 512,4 milhões), classes D e E (R$ 180,4 milhões) e classe A (R$ 153,2 milhões).
De acordo com Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, esses indicadores trabalham com dados secundários, oriundos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como senso e demografia, além de dados do Ministério da Fazenda (Sefaz). Além disso, o levantamento se baseia em dados oficiais de softwares de geoprocessamento, em uma metodologia própria para projetar o potencial de consumo nacional. Esses dados geralmente são cruzados para que o IPC chegue o mais próximo possível dos números fornecidos.
“A tendência é que daqui até o fim do ano tenhamos um aumento dos gastos. Esses dados com certeza vão impactar no potencial de consumo da região para o ano de 2026”, diz Pazzini. Outro ponto importante é com relação às segmentações das empresas, que influenciam na divisão de classes que o IPC trabalha. “Você tem vários tipos de empresas, que fornecem os mais variados tipos de serviço. Isso está diretamente relacionado ao poder de compra do consumidor”, frisa.
Share de consumo da região
O IPC também mostra que o “Share de Consumo” da região do Paranhana é 0,11361. Pazzini explica que esse número denota que o consumo da região está dentro dos padrões normais. “Isso significa que a cada R$ 100 gastos pelo brasileiro, R$ 0,11 são provenientes de gastos do Paranhana”.
Dilani Bassan compara o percentual do share da região ao Índice de preços ao consumidor (IPCA). “São bases muito próximas. O IPC no último mês ficou em 0,9% e compararmos com o 0,11%, podemos considerar que a nossa região tem um consumo normal para os padrões do Brasil. É um bom consumo”, finaliza.
Outros gastos também entram na preferência dos habitantes do Vale do Paranhana em 2025: alimentação em casa ou fora (R$ 1,13 bilhão), veículo próprio (R$ 1,01 bilhão), medicamentos (R$ 307,8 milhões) e materiais de construção (R$ 299,2 milhões), e plano de saúde (R$ 262,2 milhões).

Foto: GES