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TRANSPORTE

Com preços fixados, taxistas de Canoas conquistam clientes cansados das corridas por aplicativo

Taxímetro continua em operação, mas o número de corridas melhorou para trabalhadores na Estação Fátima

Publicado em: 07/04/2026 às 14h:40 Última atualização: 07/04/2026 às 14h:40
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Quem se vale de carros por aplicativo para o transporte, sabe que a alta demanda e eventos climáticos, mesmo que uma simples chuva, elevam as tarifas na hora de pedir a corrida. A estratégia de colocar preços fixos, mirando a concorrência com as tarifas dinâmicas, foi adotada por taxistas de Canoas e dá fôlego ao negócio e agradando os passageiros.

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Os profissionais se inspiraram na ideia de motoristas de táxi de São Paulo, colocada em prática durante a pandemia. 

Estratégia adotadas por motoristas de táxi ganhou a compreensão de passageiros que circulam em Canoas | abc+



Estratégia adotadas por motoristas de táxi ganhou a compreensão de passageiros que circulam em Canoas

Foto: Paulo Pires/GES

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Quem circula pela Estação Fátima, por exemplo, pode observar uma tabela bem clara de preços, a depender da distância para onde o passageiro quer se dirigir. Os preços variam de R$ 8 a R$ 12 entre o ponto mais próximo e o mais distante.

Um veterano que está no posto há 21 anos, o taxista Márcio Lang esclarece que o taxímetro continua rodando como sempre ocorreu e determina a lei. A tabela serve apenas como uma base para aquilo que o passageiro irá gastar.

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“Se marca R$ 12, é porque a pessoa vai o valor e não R$ 20 ou R$ 30”, explica. “Tornar claro tira aquele ranço dos passageiros de que táxi custa muito caro, e a gente já arranca com a pessoa pagando caro.”

Conforme o taxista Maico Souza, 39 anos, colabora para a melhoria das corridas certa indisponibilidade dos motoristas de aplicativo, já que a pessoa desce do trensurb e embarca sem necessitar chamar ou mesmo esperar ninguém.

“A rotatividade existe e quase sempre há um táxi à disposição, então dá para dizer que compraram a ideia e estamos conseguindo manter o serviço operando”, defende o trabalhador.

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Prejuízo com o passe livre

E se engana quem pensa que o prejuízo maior a taxistas ocorre por conta da quantidade de veículos que operam por aplicativos circulando. A gratuidade da passagem de ônibus causa impacto maior. No final de fevereiro deste ano, o passe livre no transporte público de Canoas tornou-se definitivo.

“Por conta da economia, há clientes que antes circulavam de táxi e que hoje preferem caminhar um pouco mais e andar de graça no ônibus”, observa o motorista Deivid Luís Silva da Silva.

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Trabalhando há 14 anos na Estação Fátima, o trabalhador de 43 anos calculou uma média com colegas e aponta um prejuízo estimado em cinco passageiros, no mínimo, que acabam deixando o táxi pelo ônibus de graça.

“A gente entende que a situação financeira não está fácil para ninguém”, diz. “Só que esta perda impacta. Pessoal mais novo não quer mais assumir táxi, porque pensa que acaba não valendo a pena.”

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Fora de horário

Moradora de um condomínio no bairro Fátima, Elisete Toledo, 34 anos, afirma que utiliza o serviço de táxi não apenas para seguir da Estação Fátima para casa.

Como os taxistas no ponto são veteranos, ela chama também para qualquer emergência que necessite de transporte, mesmo longe do horário comercial.

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“Tem muito maluco bancando o motorista de aplicativo hoje em dia”, opina a trabalhadora. “Quando é uma motorista mulher, até confio. Só que há homens que me deixam com medo até de entrar no carro.”

Consertos

E se o negócio é ganhar dinheiro e garantir o leite das crianças em casa, por que o taxista não pode se desdobrar após o horário de encerrado o horário expediente?

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O motorista Deivid Luís Silva da Silva lembra já ter feito serviços de carpintaria e como eletricista para clientes que sentaram no banco traseiro do táxi.

“Então, eu estou levando a pessoa para casa e, de repente, ela pergunta se eu entendo de elétrica e consigo consertar o chuveiro. Digo que sim e atendo com o maior prazer”, brinca.

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Pioneiros

Embora os taxistas que operam no ponto da Estação Fátima sejam conhecidos por se valerem da estratégia, eles não foram os primeiros em Canoas a adotar a medida para atrair passageiros.

Tudo começou com os taxistas da Estação Niterói/Uniritter, que passaram a adotar o valor fixo para qualquer ponto do bairro que o passageiro se deslocar. Hoje o valor é de R$ 13 em todo o bairro.

Cancelamento

Uma pesquisa do IBGE divulgada no final do ano passado apontou que o número de trabalhadores que dirige por aplicativo aumentou em 25% entre 2022 e 2024 no Brasil. São mais de 355 mil trabalhadores no país.

Quanto aos motoristas de táxi, houve redução drástica de 25% dos profissionais no país nos últimos anos, devido, principalmente, às operações da concorrência puxada por empresas que operam com aplicativos populares.

Um estudo do IBGE publicado no começo deste ano, contudo, aponta que está mudando o hábito do transporte no país, com muitos passageiros preferindo voltar ao banco traseiro do antigo táxi.

Em 2025, a inflação da categoria “transporte por aplicativo” foi a maior entre todos os itens que compõem o índice oficial, o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo], fechando com alta de 56% no ano.

“Eu notei que está mais caro”, diz a aposentada Margarete Andrade. “Mas o meu problema nem é tanto a questão do dinheiro. Fico braba com os cancelamentos. Às vezes, um atrás do outro cancela”, acrescenta a ex-costureira.

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