O que começou como uma prematura morte por infarto fulminante se revelou uma trama macabra que revelou que a enfermeira Patrícia Rosa dos Santos, então com 40 anos, foi vítima de feminicídio.
O crime cometido em Canoas em 2024 chocou o Rio Grande do Sul. Isso porque, segundo a Polícia Civil, teria sido articulado pelo marido dela, o médico André Lorscheitter Baptista, de 48 anos.

Foto: PAULO PIRES/GES
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Patrícia completaria 43 anos no próximo domingo (31). Como homenagem, ganhará, em uma solenidade marcada para 14 horas, na Rua Arroio Teixeira 124, no bairro Estância Velha, o nome da praça.
Foi o próprio pai de Patrícia, o contador aposentado João Carlos dos Santos, 73 anos, quem limpou a área, consertou brinquedos e pintou os bancos à disposição no espaço. Pensava, durante o trabalho manual, somente na filha que perdeu.
“Acho que a homenagem é justa, então eu vinha para cá diariamente às 6 horas para arrumar. Era o que eu podia fazer. Ela merece”, afirma. “Não conheci ninguém que não gostasse da Patrícia. Se Deus quiser, eu vou reencontrá-la no céu.”
Irmã de Patrícia, a técnica em enfermagem Priscila Rosa dos Santos, 45 anos, salienta que o feminicídio da irmã permanecerá lembrado como um dos casos mais monstruosos que se ouviu, o que torna o espaço propício para a reflexão.
“Eu espero que as pessoas compareçam na homenagem e, posteriormente, usem este espaço para lembrar da Patrícia e outras mulheres, vítimas de crimes covardes como o feminicídio que aconteceu com a Pati.”

Foto: REPRODUÇÃO
Entenda o caso
Na manhã do dia 22 de outubro de 2024 que se soube da repentina morte da enfermeira Patrícia Rosa dos Santos. O marido teria ligado para a família e comunicou o falecimento da mulher após passar mal durante a noite.
Priscila lembra de ter conversado com a irmã no dia anterior e não aceitou a versão de que ela teria sofrido um infarto, sendo que estava em forma e se cuidava em demasia.
“Eu corri até a Polícia Civil e disse que a minhã irmã tinha sido morta”, recorda. “Os policiais me ouviram e correram até a casa dela. Nem demorou para eles perceberem que a história estava mal contada.”
Para a polícia, o médico declarou que a esposa havia dormido no sofá após consumir sorvete, mas ela foi encontrada sem vida em outro cômodo da casa, de modo bastante suspeito.
A perícia no sorvete revelou a presença de uma medicação que a investigação aponta ter sido usada para induzir o sono da vítima. Os peritos também identificaram marcas de injeção nos braços e em um dos pés de Patrícia.
André Lorscheitter Baptista foi preso preventivamente no dia 29 de outubro, suspeito de matar Patrícia usando medicação hospitalar restrita.
O caso apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas surpreendeu pela premeditação com que o profissional da saúde matou a mulher, inclusive furtando medicamentos controlados.
“A irmã bateu aqui na porta da delegacia”, recorda a delegada Graziela Zinelli. “Houve uma rápida resposta do pessoal e a consequente apuração revelou que ele tentou simular a morte natural da própria esposa.”
O médico permanece preso e aguarda nova audiência sobre o caso. Ele também está impedido de exercer a profissão depois que o Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) aplicou interdição no registro.
Carinho
Patrícia e André tinham um filho fruto. A criança, hoje com 4 anos, está sob a guarda provisória da tia Priscila, que o trata com todo o carinho de um filho.
“Faço questão de mostrar fotos da Pati e deixar claro para ele que tem uma mãe que está no céu e tem eu que sou a mãe aqui na terra”, explica Priscila.
Defesa
A reportagem entrou em contato com a defesa responsável pela defesa de André Lorscheitter Baptista. Até o fechamento desta reportagem, entretanto, o advogado Jader Marques não encaminhou posicionamento.
Saiba mais
O Projeto de Lei 139/2025 que cria a Praça Patrícia Rosa dos Santos partiu de uma proposta do vereador Cris Moraes (PV). No texto do parlamentar, é ressaltado que a enfermeira trabalhava no Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC), onde marcou colegas pela sensibilidade e carinho que tinha com pacientes.