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CULTURA

"Fomos conquistando o público devagarinho": Orquestra de Câmara da Ulbra celebra 30 anos com concertos gratuitos

Domingo Clássico é patrocinado pela Petrobras e acontece mensalmente em Porto Alegre

Publicado em: 10/04/2026 às 14h:42 Última atualização: 10/04/2026 às 14h:43
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É com ritmo, sincronismo e comprometimento que a Orquestra de Câmara da Ulbra chega aos seus 30 anos de atividades em 2026. E a proposta é simples: celebrar. Ao longo do ano, os músicos irão encantar o público com nove concertos gratuitos em Porto Alegre – todos conduzidos pelo maestro Tiago Flores.

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Orquestra de Câmara da Ulbra completa 30 anos de atividade | abc+



Orquestra de Câmara da Ulbra completa 30 anos de atividade

Foto: Paulo Pires/GES

A iniciativa faz parte de mais uma edição da série de concertos Domingo Clássico que terá patrocínio da Petrobras. As apresentações serão mensais, sempre a partir das 19 horas, na Associação Leopoldina Juvenil, no bairro Moinhos de Vento.

A programação mistura compositores europeus e brasileiros, corda e sopro, instrumentos e vozes. O repertório passa por Dvorák, Mozart, Schubert, Grieg, Bach, Holst, Bloch, Respighi, Corelli, Alberto Nepomuceno, Chiquinha Gonzaga, Camargo Guarnieri e canções de Chico Buarque.

Para o maestro Tiago Flores, à frente da orquestra desde o início, o ano é de celebração. “Vamos tocar peças que foram importantes nessa nossa trajetória dos 30 anos. Em cada mês, teremos um repertório diferente”, afirma.

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“É uma superação de um grande desafio que há 30 anos eu fui chamado pela Ulbra para compor essa orquestra. E nós fomos conquistando o público devagarinho. Acho que estamos numa maturidade, são 30 anos, é uma orquestra forte e bem consolidada”, reforça o maestro. (Confira o vídeo no final da matéria).

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La spalla

Mas antes de subir no palco da Associação Leopoldina Juvenil, a partir deste domingo (12), a orquestra precisa ensaiar. Os encontros são semanais em dos auditórios do prédio 1 da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas.

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Quem passou pelo corredor do segundo andar, ouviu o som dos violinos, violas, violoncelos e contra baixos nesta quarta-feira (8). O grupo começou o ensaio pelo quinto movimento da Serenata das Cordas, do compositor tcheco Antonín Dvorák. A peça abre a programação do Domingo Clássico.

Se existe o prazer de ouvir a potência das cordas, existe o prazer de tocar. O violista Giovani dos Santos, 38 anos, encantou-se com o instrumento no final da adolescência, aos 17 anos. O gosto veio pela similaridade com outra corda um pouco diferente.

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Violinista Giovani dos Santos | abc+



Violinista Giovani dos Santos

Foto: Paulo Pires/GES

“Eu queria uma guitarra porque tinha um interesse pelo rock, mas a minha mãe tinha um certo preconceito. Um dia, a Ospa foi tocar na minha cidade, em Santa Cruz do Sul, e eu achei o som muito parecido. Foi uma conexão, foi uma maneira de me expressar através do instrumento”, relembra.

Desde então, não largou mais o violino e faz parte da orquestra desde 2018. “É muito legal estar aqui, tem toda uma história, uma reputação. E a orquestra permeia os sonhos dos músicos porque é um grupo bem seleto. Para mim é uma honra participar”, afirma.

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Além de tocar o violino, Giovani também ocupa o cargo de spalla – que significa ombro em italiano. No contexto a orquestra, é a designação dada ao primeiro-violino da orquestra, sendo considerado o braço direito do maestro.

“É uma posição que eu ocupo desde a metade do ano passado. Eu tenho a função de liderar musicalmente, mas também ajudo na toma de decisões técnicas, interpretativas e musicais. Também sou responsável por guiar a afinação e, dependendo da situação, conduzir o ensaio”, explica.

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Ao som de Dvorák

Se o Giovani começou aos 17, teve quem começou bem antes. A também violista Maria de Lourdes Justi Schinke, 62 anos, toca o instrumento desde os 9 anos. “Eu nasci numa cidade no interior de São Paulo, Piracicaba, que tem uma escola de música muito boa. Foi assim que eu comecei”, conta.

“Eu me mudei para Porto Alegre em 1997 e já faz 15 anos que toco nessa festa. Eu vim para cá porque conhecia umas pessoas que trabalhavam aqui. Ai alguém saiu da orquestra e precisavam de outra pessoa no lugar e me chamaram”, relata.

Maria veio e ficou. “Aqui é muito legal. O trabalho de orquestra menor, assim, eu sempre achei muito gostoso. Eu toco numa sinfônica e vejo que o trabalho numa orquestra menor é uma coisa que exige mais da gente. É um trabalho muito gratificante”, define.

Enquanto relembrava sua trajetória, a violinista passava breu no arco do instrumento – uma preparação para o trabalho. “Breu é uma resina que faz com a crina tenha mais aderência na corda. Se você pega a crina limpinha, ela escorrega e não sai som nenhum. Então, o breu faz ela ter aderência, como o bailarino usa para não escorregar”, explica.

Com os instrumentos em mãos e bem cuidados, os profissionais se ajeitam em seus lugares com as partituras no palco do auditório. E ao som de Dvorák, o ensaio da orquestra começa afinado e no horário.

Três décadas

A Orquestra de Câmara da Ulbra foi fundada em julho de 1996 pelo maestro Tiago Flores. O convite foi uma grande surpresa, relembra. “Foi uma ideia do reitor Ruben Becker porque a Ulbra estava muito forte. Ele queria a universidade tivesse um braço cultural de excelência. Então, ele me chamou e disse que queria uma orquestra.”

“Essa foi a nossa motivação e nos inserimos nas atividades da universidade também. Mas também fizemos o nosso próprio caminho nesses 30 anos”, ressalta o maestro. De lá pra cá, o principal desafio é o financeiro.

Maestro Tiago Flores | abc+



Maestro Tiago Flores

Foto: Paulo Pires/GES

“Assim como a Ulbra, as outras universidades particulares passavam uma crise muito grande e ainda continuam. Isso mudou um pouco o sistema de como a universidade ajuda a orquestra. Passamos a ser terceirizado e nos fazem um repasse mensal. E a gente tem que buscar patrocínios também, principalmente via lei de incentivo à cultura”, ressalta.

É assim que ao longo de três décadas de atuação, a Orquestra de Câmara da Ulbra passeou por diferentes períodos da música clássica, como barroco, classicismo e romantismo. Além disso, misturou-se com os vocais de Shana Müller, Nei Lisboa e Ernesto Fagundes.

A orquestra ter essa diversidade é um trunfo. “A gente foi conquistando o público bem devagarinho. Temos a série de domingo clássico e depois começamos a fazer concertos populares, nos campi da Ulbra e concertos didáticos. Foi um desafio que vencemos pouco a pouco. Somos o segundo grupo mais importante do Estado”, destaca Flores.

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Programação – Domingo Clássico Petrobras 2026

12 de abril

Dvorák – Serenata para Cordas
Nepomuceno – Suíte Antiga
Respighi – Antiche Danze ed Arie

3 de maio

Mozart – Concerto para Clarineta e Orquestra
Solista: Diego Grendene
Schubert – Sinfonia nº 5

14 de junho

Chiquinha Gonzaga – Suíte Sempre Chiquinha para Piano e Orquestra.

Arr. Sandra Mohr
Solista: Olinda Alessandrini
Bloch – Concerto Grosso nº 1 (com piano obbligato)
Holst – Brook Green Suite

5 de julho

Grieg – Holberg Suite

Chico Buarque – Amores Partidos
Solistas: Rê Adegas e Dudu Sperb

Apresentação do professor Flávio Azevedo

2 de agosto – Concerto Barroco

Bach – Concertos de Brandenburgo nº 3 e nº 5
Solistas: Giovani dos Santos (violino), Henrique Amado (flauta) e Fernando Cordella (cravo)
Corelli – Concerto Grosso Op. 6 nº 1

20 de setembro

Mozart – Vesperae Solennes de Confessore
Participação do Porto Alegre Consort

18 de outubro

Concurso de Canto para Vozes Femininas Zola Amaro

15 de novembro

Grandes intérpretes e compositoras brasileiras
Participação do Vocal TAKT

6 de dezembro

Camargo Guarnieri, Arthur Barbosa e Bossa Nova
Solista: Romain Garioud (violoncelo – França)

A série Domingo Clássico Petrobras é promovida pela Associação dos Amigos de Orquestra de Câmara e conta com patrocínio da Petrobras. A realização é do Ministério da Cultura.

Confira o vídeo

Orquestra de Câmara da Ulbra celebra 30 anos com concertos gratuitos
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