Depois de anunciar a adesão ao programa federal Agora Tem Especialistas, no final de dezembro, o Hospital Universitário de Canoas (HU) deu início às atividades na manhã desta sexta-feira (6). A iniciativa comandada pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC) deve oferecer mais de 1,6 mil cirurgias por mês em diversas especialidades.
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Foto: Paulo Pires/GES
A medida visa diminuir não somente as filas, mas também o sofrimento de pacientes e famílias que aguardam há meses por um procedimento no hospital. Entre as cirurgias ofertadas estão geral, vascular, dermatológica, urológica, oftalmológica e ginecológica.
O programa deve ser executado em até seis meses, ou seja, até a metade do ano. No entanto, a administração do HU, feita pela Associação Saúde em Movimento (ASM), pretende realizar os procedimentos dentro de quatro meses para conseguir solicitar a renovação.
O Agora Tem Especialistas é uma iniciativa do Ministério da Saúde, cabendo ao GHC contratar as equipes médicas, de forma temporária, para fazer as cirurgias. A ação utilizará as estruturas hospitalares que se encontram ociosas.
De acordo com o CEO da ASM, Cláudio Vitti, a adesão ao programa atende ao propósito do HU. “A instituição assumiu esse desafio e iniciar esse programa federal aqui mostra o potencial desse hospital. O potencial de fazer novas pactuações, de abranger mais pacientes e dar mais dignidade pra população”, destaca.
Como vai funcionar
Ao todo, serão 1.637 cirurgias em diferentes especialidades. O atendimento busca reduzir filas de procedimentos cirúrgicos no hospital que é referência para cerca de 150 municípios gaúchos – cerca de 30% do Estado.
Na avaliação da secretária municipal de Saúde, Ana Boll, a adesão feito pela Associação Saúde em Movimento (ASM) – gestora do HU – é importante para colocar toda a estrutura do hospital à disposição da população para finalizar os atendimentos.
Serão atendidos os pacientes que estão na fila, que já possuem vínculo com o HU. “Ele é chamado para uma nova consulta, faz uma revisão com o médico, com essa equipe de saúde aqui de dentro e essa equipe que vai conduzir o andamento desse usuário. Novos exames, provavelmente. Ai retoma e faz os agendamentos cirúrgicos dentro das áreas cirúrgicas necessárias”, explica a secretaria.
“É muito importante a gente dizer que tem um impacto tremendo para saúde dos nossos munícipes e da região, para aqueles que estão na expectativa e esperam isso da gente. E que a gente de fato conclua esse cuidado. É um fim de alta e que essa pessoa volte recuperada para o seu domicílio”, completa.

Foto: Paulo Pires/GES
LEIA TAMBÉM: Trânsito na BR-116 terá alterações no final de semana no trecho de Canoas
Demanda reprimida
Não foram divulgados dados de quantos pacientes aguardam por cada uma das especialidades. Mas é sabido que há uma demora para a execução dos procedimentos. Muitos aguardam por meses não somente por cirurgias, mas também por exames.
Para o prefeito de Canoas, Airton Souza, o Agora Tem Especialistas atende uma demanda reprimida. “Tem muita gente esperando há muito tempo. E o Hospital Conceição entendeu essa missão de socorrer não só os canoenses, porque nós acabamos atendendo talvez 40% da população do Rio Grande do Sul. Esse momento simboliza aqui o início de um novo tempo para as pessoas buscam socorro na saúde”, afirma.
O programa prevê a oferta de 1,6 mil cirurgias por mês, totalizando cerca de 6 mil atendimentos dentro de quatro meses – período que o hospital pretende atender a meta. “Nos próximos quatro meses queremos entregar mais de 4 mil procedimentos cirúrgicos e reduzir o tempo de espera das pessoas que precisam”, reforça o presidente do GHC, Gilberto Barrichello.
De acordo com o Ministério da Saúde, em nota divulgada ainda em dezembro, o HU foi escolhido pela sua capacidade estrutural e por concentrar as maiorias filas cirúrgicas no Estado.
FIQUE POR DENTRO: Falta de professores e ameaça de greve: Há risco de o ano letivo não começar em Canoas
Planos para o futuro
Além da promover cirurgias, o Conceição também articula a ampliação de oferta dos leitos do HU. O hospital possui cerca de 600 vagas, mas não consegue abrir todas no momento. As tratativas acontecem junto ao governo federal.
Ainda segundo o presidente do GHC, deve acontecer uma reunião no próximo dia 20 com o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales. “Ele vai estar três dias aqui no Estado para uma reunião. Vamos verificar todas as possibilidades de abrir na sua totalidade de forma processual e gradativa”, ressalta.
“Depende obviamente de recursos e estamos trabalhando para isso. Se abrir, ele se torna o quarto maior hospital do Estado do Rio Grande do Sul”, pontua Barrichello.