Depois de uma enchente que devastou a cidade, voltar a ter a casa própria é sinal de superação. Para as 238 famílias que já fecharam contrato pelo Compra Assistida em Canoas, a nova moradia representa um alívio. Outras 213 estão no processo de contratação, segundo a Prefeitura de Canoas.
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Foto: Paulo Pires/GES
E é por essa nova vida que a Enelita de Fátima Gomes Griller, 58 anos, espera. A assessora foi contemplada no programa no início de outubro e já escolheu um apartamento no bairro Mato Grande. Agora, aguarda a vistoria da Caixa.
A moradora do Harmonia perdeu a casa que tinha no mesmo bairro durante a enchente. Agora, vive em um apartamento pequeno com o marido, uma filha adolescente e a mãe com demência. A futura moradia é aguardada com muita expectativa pela família.
“Vai ser um recomeço. Poder receber uma visita, ajeitar as nossas coisas. Vou ser sincera: chega num tempo na nossa vida que a gente não espera muita coisa. Agora, imagina saber que posso dar um final de vida digno para a minha mãe de 90 anos”, afirma emocionada.
E a escolha do apartamento foi justamente pensando na mãe que faz aniversário em dezembro. “Vi muitos bem bonitos, mas era terceiro, quinto andar e só escada. Mas achei um com elevador e escolhi esse. Ela vai poder descer, caminhar, fazer suas coisas. É dar um conforto para ela”, conta.
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“Eu não vivi meu luto de perder a casa”
Para chegar até o Compra Assistida, a casa da Enelita precisou ser avaliada pela Prefeitura de Canoas. O laudo constatou que a estrutura estava inabitável e foi encaminhado para o programa. Entre a emissão do documento e a contemplação há um espaço de um ano.
“Eu não vivi meu luto de perder a casa. Quando aconteceu, eu fui para um abrigo e fiquei ajudando outras pessoas. Elas chegavam, abraçavam e diziam que tinham perdido tudo. Mas eu não conseguia dizer ‘eu também’. Eu não acho que a minha dor é igual a dor do outro”, comenta.
Foram poucos objetos que a moradora do Harmonia conseguiu salvar da casa. Só sobrou uma mesa de ferro com tampo de vidro e as fotos que a neta de 9 anos salvou. “Eu perdi tudo. Eu vi a água tomar conta da minha casa. Quando eu abri, estava tudo revirado dentro. Geladeira, madeira virada, os armários, tudo caído”, relembra.
As questões materiais também abalam o psicológico. Por isso, a casa nova também ajuda nessa recuperação. “Eu perdi minha identidade. Tu perde a tua identidade porque tu te veste com que tu tem. Tu te veste com que tu ganha. Porque é diferente de ter um guarda-roupa cheio de roupas, calçados e bolsas. E do dia pra noite tu não vê mais nada. Mas estamos recomeçando e a casa nova também traz isso”, ressalta.
Mais de 200 famílias na mesma situação
Junto com a Enelita, são 213 famílias que foram habilitadas no programa e que estão em fase de fechamento de contrato. Confira os status dos processos fornecidos pela Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária de Canoas:
- 05 – aguardando vistoria do engenheiro da Caixa
- 13 – status de imóvel avaliado/ aprovada/ em conformidade
- 04 – aguardando preenchimento no sistema da Caixa
- 27 – fase de preenchimento no sistema Caixa
- 13 – documentação inconforme/ imóvel reprovado
- 151 – ainda não apresentaram imóvel para Caixa, o status fica em branco
O Compra Assistida integra o programa federal Minha Casa Minha Vida – Reconstrução. A iniciativa é destinada às famílias que perderam suas casas durante a enchente. Na modalidade, o beneficiário pode selecionar um imóvel de até R$ 200 mil e ser subsidiado pela Caixa.
Para participar, a família precisa se enquadrar nas faixas de 1 e 2, com renda de até R$ 4,7 mil. O programa ainda exige que o CEP da antiga casa precisa estar localizada em uma área atingida e ter laudo de inabitável.
VEJA TAMBÉM: Prefeitura cadastra interessados em concorrer aos residenciais Quero-Quero e Jacuí em Canoas
Mais de mil famílias habilitadas desde o início do ano
Em fevereiro, a Caixa começou a divulgar a lista de beneficiados na modalidade Compra Assistida. A partir da publicização, as famílias têm 60 dias para procurar e indicar um imóvel.
Desde o início até outubro, foram 1.157 contemplados – sendo que os últimos 478 selecionados foram publicados na última segunda-feira (20). De acordo com a Habitação, 3.100 famílias foram indicadas para participar do programa.
Demanda por habitação segue
Em agosto, a Prefeitura de Canoas abriu o cadastro habitacional para dimensionar a demanda por moradia no município. Até o momento, 14.430 pessoas já se cadastraram na plataforma.
O cadastro está aberto para todos: tanto os que foram atingidos pela enchente, quanto os demais moradores da cidade. Para participar, é necessário ter inscrição atualizada no Cadastro Único (CadÚnico).
Os inscritos poderão concorrer, futuramente, aos imóveis disponibilizados pelos programas sociais – a exemplo do Minha Casa Minha Vida. Até o momento, Canoas conta com 3,4 mil imóveis prometidos.
“Além de realocar as famílias que perderam suas casas, este grande movimento irá mostrar com mais precisão quantos canoenses estão à procura da moradia própria através de programas sociais. Desta forma, poderemos desenvolver projetos e buscar financiamentos e parcerias”, afirmou o secretário Fabiano Siqueira na época.
Residenciais em construção
Quero Quero – Rio Branco
200 apartamentos
Jacuí – Niterói
200 apartamentos
Nazário
750 apartamentos
Olaria
752 apartamentos
Casapatio – novo bairro
1,5 mil casas
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