Os médicos que atuam no Hospital Universitário de Canoas começaram na manhã desta quarta-feira (17) a restringir os atendimentos eletivos na casa de saúde. A decisão foi tomada após assembleia na noite de terça-feira (16). Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), os serviços essenciais à vida serão mantidos.

Foto: Paulo Pires/GES
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Em nota, o Simers lista os fatores que levaram à medida. Entre eles estão as dificuldades na formação de escalas, a insegurança em relação aos pagamentos e as condições de trabalho, que têm afastado profissionais, resultando em carência grave de pediatras e anestesiologistas, por exemplo. Também cita o “ambiente de trabalho inadequado, com falta ou inoperância de alguns tipos de equipamentos e materiais”.
O sindicato aponta ainda que há médicos entrando para plantões de 12 horas e ficando 36 por conta da falta de profissionais. A falta de diretor-técnico no HU, segundo o Simers, é irregular, e a situação já foi denunciada ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).
Ambiente de trabalho inadequado com falta ou inoperância de alguns tipos de equipamentos e/ou materiais.
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“Justamente pelos atrasos contínuos nos pagamentos, as escalas dos médicos já estão incompletas. Independente do movimento, já há restrições pela falta de profissionais. Em alguns turnos no hospital, não há anestesistas e isso não tem nada a ver com a paralisação, que é ética e justa, tem a ver com a impossibilidade de fechar as escalas porque é difícil convencer as pessoas a trabalharem de graça”, disse o presidente do Simers, Marcelo Matias.
Prefeitura apresentou cronograma de pagamentos
“Hoje [terça] foram depositados R$ 720 mil. Amanhã [quarta] será depositado mais R$ 600 mil e, no próximo dia 25, vamos pagar mais R$ 1,3 milhão para colocar em dia os salários dos médicos”, disse Airton.
Ele garantiu que o compromisso será honrado. “Será cumprido, sim, para que todos os canoenses tenham assistência na área da saúde, que não falte médico.” Airton lamentou ainda as dificuldades financeiras enfrentadas por sua gestão, principalmente pelos impactos da enchente de maio de 2024. “Nossa arrecadação caiu bastante.”
A decisão de paralisar as atividades desta quarta havia sido tomada pelos médicos justamente por conta do atraso no pagamento dos honorários dos profissionais contratados como pessoa jurídica. Há médicos que dizem estar sem receber desde o mês de fevereiro.