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CONSCIENTIZAÇÃO

Nem tão doce lar: exposição retrata como a violência acontece dentro de casa

Espaço fica aberto para visitação até amanhã (23) em Nova Santa Rita

Publicado em: 22/10/2025 às 14h:26 Última atualização: 22/10/2025 às 14h:28
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A casa como lugar acolhedor não é uma realidade para as famílias que convivem com a violência doméstica. As agressões, quebradeiras, xingamentos e limitação das liberdades acontecem em cada cômodo e criam um ambiente tóxico e traumático para quem vive ali.

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E são esses espaços que todos nós conhecemos – sala, quarto e cozinha – que a exposição Nem Tão Doce Lar retrata como a violência toma forma. O espaço colorido, cheio de objetivos afetivos, é o mesmo das garrafas de bebidas vazias, facas e copos quebrados.

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Exposição Nem Tão Doce Lar fica aberta para visitação até amanhã (23) em Nova Santa Rita | abc+



Exposição Nem Tão Doce Lar fica aberta para visitação até amanhã (23) em Nova Santa Rita

Foto: Paulo Pires/GES

Montada no Centro de Convivência do Cras, em Nova Santa Rita, a casa-exposição está aberta para visitação até esta quinta-feira (23), sempre das 8h30 ao meio-dia, e das 13 horas às 16h30. A proposta é conscientizar e prevenir para que o ciclo de violência não comece ou para que seja interrompido.

A iniciativa é da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), em parceria com associações e com a Prefeitura de Nova Santa Rita.

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Cada canto é um gatilho

Para quem passou ou passa por situação abusiva, a casa pode despertar alguns gatilhos. Isso porque tudo é muito sutil, mas também explicativo. A organização posicionou diversas tarjetas com informações sobre os tipos e os ciclos de violência; impactos nas crianças e adolescentes; e canais de denúncia.

Mas o espaço também proporciona reflexão, segundo o coordenador de Proteção Social Básica, Roberto Lima. “Aqui desperta muitos gatilhos. Ontem, quando montamos a casa, eu não tive a noção disso. Hoje, vendo as pessoas aqui, elas dizem que apanhavam de cinto. Ou que o ex-marido batia e quebrava as coisas na mesa. Isso aconteceu aqui e eu fiquei impressionado”, afirma.

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“Teve uma senhora que sentou e disse que a estampa lembrava o sofá que tinha na casa da mãe”, recorda Roberto. Essa senhora é a Maria Pereira, 75 anos. Para ela, a exposição é necessária para a violência não se repita.

 22/10/25 CRAS NSR - EXPOSIÇÃO - MARIA PEREIRA | abc+



22/10/25 CRAS NSR – EXPOSIÇÃO – MARIA PEREIRA

Foto: Paulo Pires/GES

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“Desde pequenininha, apanhava dos meus pais e não é uma coisa boa ser castigada. Porque as crianças não sabem se defender e os adultos são covardes por fazerem isso. Então, eu achei bem detalhada, com muitos assuntos a tratar. Espero que tenha uma consequência boa”, comenta.

Logo após a visitação, é feita uma roda de conversa. Na manhã desta quarta-feira (22), um grupo de 15 idosos, que já frequentam o Cras, estiveram na exposição. A conversa que explicava sobre os tipos de violência doméstica, também foi um momento de trazer relatos pessoais.

“Na roda de conversa, estavam debatendo vários pontos. E teve uma fala que eu achei bacana: ‘para gente que é borro velho, a gente não tem muito o que aprender, a gente vai entender. Seria importante fazer isso com quem é mais novo’”, conta Roberto.

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“Diversas gerações compartilham uma casa”

Se para os mais velhos foi uma oportunidade entender o que foi a violência vivida, para os mais jovens é um jeito de não dar início ao ciclo. E os foram os detalhes que chamaram a atenção da estudante Nicolly Skieriesz, 16 anos, do segundo ano da Escola Estadual de Educação Básica (EEEB) Santa Rita.

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“Achei a exposição muito legal. Tinha pequenos indícios de como era a situação dessa família. Eu percebi que o homem da família era viciado em álcool e cigarro e, provavelmente, ele tinha vício em apostas também. Eu aprendi que são com pequenos sinais que podemos identificar com a violência”, relata.



Outras turmas devem visitar o local nesta quinta-feira, de acordo com a secretaria de Desenvolvimento Social, Solange Laubine. “Os alunos do ensino médio foram convidados. A cada hora vai ter uma turma, com o número adequado de alunos, que vão passar por aqui e depois participar da roda de conversa.”

Com as turmas agendadas, de no máximo 15 pessoas, são esperadas 180 visitantes ao todo no dois dias. O número pode aumentar com a adesão da comunidade. Para a assessora de projetos da FLD, Renate Gierus, a exposição é para todos.

“A intenção é colocar esse tema público porque a violência doméstica e familiar é um tema que costuma ficar fechado em quatro paredes. Então, achamos importante conversar sobre isso porque diversas gerações compartilham uma casa. São crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, mulheres, comunidade LGBTQIAP+”, observa.

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Roda de conversa é acolhimento

O assunto não é fácil e apenas expor não é o suficiente. Muitos dos idosos que participaram, expuseram suas situações familiares, as violências vividas e opiniões. Quem comandou a roda de conversa foi Renate.

“É bem importante essa roda porque a exposição precisa ser acompanhada. Não é chegar de manhã, abrir e depois fechar no final do dia. Precisa ter um processo de acolhimento e para acolher esses grupos, fazemos a roda de conversa. Percebemos o quanto que as pessoas foram impactadas e se elas perceberam as pistas”, destaca.



Conversar sobre o que viu e pensou também é uma foram de interagir com a exposição. E essa troca é colocada como um ponto positivo pelo coordenador Roberto Lima.

“Aqui é um espaço seguro para que as pessoas possam compartilhar suas experiências. O fato de ser uma exposição interativa proporciona que as pessoas tenham a vivência de manusear os materiais. Essa interação faz com que elas reflitam sobre o problema.”

Sobre a exposição

Em Nova Santa Rita, a montagem promovida pela FLD contou com o apoio Associação Beneficente Floresta Imperial (ABEFI), Casa de Acolhimento de Mulheres Mariposas e Abrigo Meu Pé de Laranja Lima. 

A Prefeitura Municipal de Nova Santa Rita também colaborou por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, da Coordenadoria Municipal da Mulher e Igualdade Racial, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e do do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).

A casa foi montada pela primeira em 2006, mesmo ano de promulgação da Lei Maria Penha. A inspiração vem da exposição Rua das Rosas, idealizada pela antropóloga alemã Uma Hombrecher. A iniciativa já percorreu 95 municípios em 15 estados brasileiros. 

Neste ano, a casa-exposição itinerante Agudo, Novo Hamburgo, Pelotas, Portão (RS), Colatina e Linhares
(ES). E ainda deve passar por Minas Gerais. 

Como denunciar a violência doméstica

Ligue: 180
Acesse: Delegacia de Polícia Online da Mulher RS
Denúncia anônima: (51) 98444-0606 – Whatsapp/Telegram

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