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Bom apetite

"O segredo está no amor", ensina assador sobre entrega de carnes na medida ao gosto de cada paladar

Diante da tradição gaúcha marcada pela excelência, o Dia do Churrasco e do Chimarrão são celebrados nesta sexta-feira (24)

Publicado em: 24/04/2026 às 09h:39 Última atualização: 24/04/2026 às 09h:40
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Picanha e costela; maminha e vazio; alcatra e bisteca. Como os gaúchos são reconhecidamente chamados de melhores churrasqueiros do Brasil, os cortes de carne acima estão na boca do povo.

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Por aqui, desde 1948, quando foi criado o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), é comemorado no dia 24 de abril o Dia do Churrasco e do Chimarrão. Não há data melhor que esta sexta-feira, portanto, para falar e saborear um bom assado.

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No Dia do Churrasco, quem pode, garante um espeto de carne na mesa | abc+



No Dia do Churrasco, quem pode, garante um espeto de carne na mesa

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

E se engana quem imagina que exista uma fórmula ideal, com manual de instruções, antes ou após acender a churrasqueira para que o resultado no prato seja o almejado pelos viventes.

Churrasqueiro há 20 anos e hoje trabalhando nem uma churrascaria no bairro Marechal Rondon, em Canoas, Maicon Davi Pandolfi costuma assar para até 300 pessoas em uma manhã.

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Aos 44 anos, coleciona cumprimentos e elogios da clientela exigente que senta às meses do estabelecimento. Isso porque, desde cedo, aprendeu em casa, com o pai, que o segredo de um bom churrasco está no amor.

“Desde pequenininho, lá em Anta Gorda, o pai colocava a carne no fogo e eu fazia questão de ficar na volta para ver como era”, lembra. “Aprendi que não havia nada muito complicado, mas o segredo está no amor. Faz toda a diferença”, diz.

Com habilidade nas mãos e atenção na hora de virar os espetos, Maicon trabalha com a melhor carne já selecionada pela churrascaria, porém garante atenção especial aos temperos, temperatura do fogo e cozimento.

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“Qualquer detalhe faz a diferença na hora de servir no prato”, observa. “O povo está mais exigente do que nunca e, numa época de redes sociais, o churrasqueiro não pode se dar ao luxo de errar”, brinca.

Maicon Davi garante o assado na Churrascaria Jardim do Lago, a mais tradicional de Canoas | abc+



Maicon Davi garante o assado na Churrascaria Jardim do Lago, a mais tradicional de Canoas

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

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Nobreza

Ao celebrar o churrasco como quase uma instituição gaúcha, Maicon comenta a importância da tradição no âmbito familiar, apesar da variedade de ofertas hoje, de sushi a hamburguerias.

“Embora hoje existam opções variadas quando se fala de gastronomia, ainda existe aquela coisa gostosa de sentar à mesa em família para comer um bom churrasco”, opina. “É uma tradição que acredito que não morre.”

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Já sobre os almejados rodízios, o churrasqueiro admite que a picanha ainda é a preferida da clientela,  simplesmente porque não é todo dia que se come picanha em casa.

“Tem algumas coisas que não mudam”, observa. “Há diferentes paladares, mas a maioria prefere picanha pela maciez e o sabor. É a carne mais nobre, então a pessoa senta e não pede colchão de dentro, mas quer saber da picanha.”

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Tradição

Sócio-proprietário da churrascaria onde trabalha Maicon, Cezar Luiz Mazocco lamenta que os restaurantes especializados em assados estejam fechando Brasil afora devido ao alto investimento necessário para manter o negócio.

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O investimento para manter os assados de boi, aves e suínos é alto. Mais que isso: é preciso qualidade no atendimento de quem senta à mesa no estabelecimento ou no conforto de casa.

“As tele-entregas são uma realidade imutável desde a pandemia e nos comprometemos a entregar em casa a mesma qualidade do que é servido na mesa de quem vem sentar diante de nós”, explica.

Embora a apreciação de um bom churrasco esteja atrelada a um público maduro e exigente, ele salienta, há jovens que mantêm a tradição de saborear um churrasco com parentes e amigos não apenas durante o sábado e domingo.

“É claro que o movimento é maior no sábado e domingo, mas costumamos receber clientes, pode ser numa quarta qualquer, às vezes mais jovens, que vêm de longe, só para saborear um bom churrasco, então nos mantemos vivos na missão.”

Fogo constante, mas baixo, é garantia para manter as carnes no ponto, seja de bovino, ave ou suíno  | abc+



Fogo constante, mas baixo, é garantia para manter as carnes no ponto, seja de bovino, ave ou suíno

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Calmaria

Quem pensa que para assar carne para 250 pessoas é necessário muito carvão e chamas subindo constantemente está enganado.

Com uma rotina que inclui chegar na churrascaria às 7h30, Maicon trabalha com o fogo calmo, mantendo a temperatura da brasa como gosta.

“Ninguém quer comer carne queimada”, confirma. “E a preocupação nem é só a carne. Tem o galeto, coraçãozinho, queijinho. Tem que estar tudo dourado; não queimado.”

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E o chimarrão?

Nesta sexta-feira (24) também é comemorado o Dia do Chimarrão, em homenagem a uma das mais marcantes tradições da cultura gaúcha. Se antes a erva-mate era servida de forma simples, hoje o mercado apresenta uma gigantesca variedade, com sabores variados, misturas com chá, além de bombas e cuias de diversos tipos e formatos.

Dia do Chimarrão | abc+



Dia do Chimarrão

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial

Então nada melhor do que celebrar a data com uma bebida dessas na mão, não é mesmo? Para fazer isso, a receita é simples, mas, primeiro, é importante lembrar que a temperatura ideal da água seja de 70°C para evitar risco cancerígeno.

Como preparar um chimarrão rápido e sem entupir?

  • Aqueça a água usada para o chimarrão a uma temperatura de 70°C
  • Coloque uma colher de sopa, rasa, com erva-mate, no fundo da cuia
  • Depois, complete com a água quente até o pescoço da cuia (quando tem beiço) e cobrir de erva-mate com a quantidade que preferência. Por fim, com a bomba, afaste a erva e, aos poucos, coloque a bomba na cuia e complete com água. Pronto, tá feito o teu chima!
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