Picanha e costela; maminha e vazio; alcatra e bisteca. Como os gaúchos são reconhecidamente chamados de melhores churrasqueiros do Brasil, os cortes de carne acima estão na boca do povo.
Por aqui, desde 1948, quando foi criado o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), é comemorado no dia 24 de abril o Dia do Churrasco e do Chimarrão. Não há data melhor que esta sexta-feira, portanto, para falar e saborear um bom assado.
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Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
E se engana quem imagina que exista uma fórmula ideal, com manual de instruções, antes ou após acender a churrasqueira para que o resultado no prato seja o almejado pelos viventes.
Churrasqueiro há 20 anos e hoje trabalhando nem uma churrascaria no bairro Marechal Rondon, em Canoas, Maicon Davi Pandolfi costuma assar para até 300 pessoas em uma manhã.
Aos 44 anos, coleciona cumprimentos e elogios da clientela exigente que senta às meses do estabelecimento. Isso porque, desde cedo, aprendeu em casa, com o pai, que o segredo de um bom churrasco está no amor.
“Desde pequenininho, lá em Anta Gorda, o pai colocava a carne no fogo e eu fazia questão de ficar na volta para ver como era”, lembra. “Aprendi que não havia nada muito complicado, mas o segredo está no amor. Faz toda a diferença”, diz.
Com habilidade nas mãos e atenção na hora de virar os espetos, Maicon trabalha com a melhor carne já selecionada pela churrascaria, porém garante atenção especial aos temperos, temperatura do fogo e cozimento.
“Qualquer detalhe faz a diferença na hora de servir no prato”, observa. “O povo está mais exigente do que nunca e, numa época de redes sociais, o churrasqueiro não pode se dar ao luxo de errar”, brinca.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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Nobreza
Ao celebrar o churrasco como quase uma instituição gaúcha, Maicon comenta a importância da tradição no âmbito familiar, apesar da variedade de ofertas hoje, de sushi a hamburguerias.
“Embora hoje existam opções variadas quando se fala de gastronomia, ainda existe aquela coisa gostosa de sentar à mesa em família para comer um bom churrasco”, opina. “É uma tradição que acredito que não morre.”
Já sobre os almejados rodízios, o churrasqueiro admite que a picanha ainda é a preferida da clientela, simplesmente porque não é todo dia que se come picanha em casa.
“Tem algumas coisas que não mudam”, observa. “Há diferentes paladares, mas a maioria prefere picanha pela maciez e o sabor. É a carne mais nobre, então a pessoa senta e não pede colchão de dentro, mas quer saber da picanha.”
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Tradição
Sócio-proprietário da churrascaria onde trabalha Maicon, Cezar Luiz Mazocco lamenta que os restaurantes especializados em assados estejam fechando Brasil afora devido ao alto investimento necessário para manter o negócio.
O investimento para manter os assados de boi, aves e suínos é alto. Mais que isso: é preciso qualidade no atendimento de quem senta à mesa no estabelecimento ou no conforto de casa.
“As tele-entregas são uma realidade imutável desde a pandemia e nos comprometemos a entregar em casa a mesma qualidade do que é servido na mesa de quem vem sentar diante de nós”, explica.
Embora a apreciação de um bom churrasco esteja atrelada a um público maduro e exigente, ele salienta, há jovens que mantêm a tradição de saborear um churrasco com parentes e amigos não apenas durante o sábado e domingo.
“É claro que o movimento é maior no sábado e domingo, mas costumamos receber clientes, pode ser numa quarta qualquer, às vezes mais jovens, que vêm de longe, só para saborear um bom churrasco, então nos mantemos vivos na missão.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Calmaria
Quem pensa que para assar carne para 250 pessoas é necessário muito carvão e chamas subindo constantemente está enganado.
Com uma rotina que inclui chegar na churrascaria às 7h30, Maicon trabalha com o fogo calmo, mantendo a temperatura da brasa como gosta.
“Ninguém quer comer carne queimada”, confirma. “E a preocupação nem é só a carne. Tem o galeto, coraçãozinho, queijinho. Tem que estar tudo dourado; não queimado.”
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E o chimarrão?
Nesta sexta-feira (24) também é comemorado o Dia do Chimarrão, em homenagem a uma das mais marcantes tradições da cultura gaúcha. Se antes a erva-mate era servida de forma simples, hoje o mercado apresenta uma gigantesca variedade, com sabores variados, misturas com chá, além de bombas e cuias de diversos tipos e formatos.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
Então nada melhor do que celebrar a data com uma bebida dessas na mão, não é mesmo? Para fazer isso, a receita é simples, mas, primeiro, é importante lembrar que a temperatura ideal da água seja de 70°C para evitar risco cancerígeno.
Como preparar um chimarrão rápido e sem entupir?
- Aqueça a água usada para o chimarrão a uma temperatura de 70°C
- Coloque uma colher de sopa, rasa, com erva-mate, no fundo da cuia
- Depois, complete com a água quente até o pescoço da cuia (quando tem beiço) e cobrir de erva-mate com a quantidade que preferência. Por fim, com a bomba, afaste a erva e, aos poucos, coloque a bomba na cuia e complete com água. Pronto, tá feito o teu chima!
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