A maioria absoluta de professores e técnicos em educação básica rejeitou a proposta da Prefeitura de Canoas nesta quinta-feira (23). Com isso, a greve dos profissionais da rede municipal continua. As deliberações foram feitas em assembleia geral da categoria no ginásio do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, no Centro.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Centenas de pessoas se reuniram e levantaram as mãos contra as medidas apresentadas pelo Executivo para cada demanda. Apenas 90 professores presentes se posicionaram a favor do plano. Segundo o Sinprocan, são profissionais com função gratificada dentro de secretarias. Não houve abstenção.
Após a rejeição, uma contraproposta foi colocada em votação e recebeu sugestões dos professores. O documento elaborado pelo comando de greve será entregue ao prefeito Airton Souza e equipe. O movimento é organizado pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan).
Junto com a assembleia, ainda foi realizada uma caminhada até a Prefeitura. O sindicato já convoca um novo ato para esta sexta-feira (24). Uma nova assembleia está marcada para a próxima segunda-feira (27) para deliberações a respeito de uma nova proposta e o futuro da greve.
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O que o sindicato propõe
As propostas foram apresentadas pela Prefeitura de Canoas durante uma longa reunião na manhã desta quarta-feira (22). No entanto, elas foram rejeitadas em assembleia nesta quinta-feira. Coube ao comando de greve elaborar uma contraproposta para atender as demandas da categoria. Confira:
– Reposição salarial: pagamento integral 4,26% na folha de maio com parcelamento apenas do retroativo a janeiro em três vezes.
– Piso nacional: de acordo, conforme ofício, para ativos e inativos a partir da folha de maio de 2026
– Descongela (Lei Complementar nº226/2026): o passivo do Descongela deve ser pago até outubro, conforme tratativas anteriores.
– Aumento real de salário: se houver parcelamento da reposição, então um aumento real de 10% deve ser incluído no parcelamento ou a criação de uma gratificação para servidores da educação lotados em escola, professores, técnicos, especialistas e agentes com paridade para aposentados.
– Recursos humanos: categoria está de acordo, desde que o contrato não seja renovado pois a terceirização não deve ser a regra e sim o concurso público. Nomeações – prazo de todos os aprovados, professores, especialistas, Tebs até final de julho e garantia de novo concurso após a finalização das nomeações.
– Segurança nas escolas: vigilantes ou porteiros em todas as escolas até final de junho.
– Revisão dos planos de carreira: conclusão da revisão dos planos de carreira até outubro, com a inclusão de membros do comando de greve e da diretoria do Sinprocan, conforme o ofício a ser enviado posteriormente.
– Lei nº 15.326/2026: início do grupo de trabalho específico, comando de greve, Sinprocan, Executivo e Legislativo com data inicial para 29 de abril e com a data final em junho para aplicação da legislação.
– Dias paralisados: inclusão dos dias paralisados e dias de greve no calendário de compensação a ser construído em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação.
– Monitores para inclusão: de acordo, desde que o contrato não seja renovado, pois a terceirização não deve ser a regra e sim concurso público.
– Grupo de trabalho permanente: categoria está de acordo, delimitando prazos para cada pauta e com reuniões quinzenais com data inicial em 4 de maio, conforme combinado em mesa de negociação para acompanhamento das seguintes pautas: passivo do descongela, monitores, nomeações, segurança nas escolas, revisão do plano de carreira e Lei 15.326/2026.
– Vale-alimentação: categoria está de acordo com a ampliação do vale para o uso em outros municípios do Rio Grande do Sul.
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Lei nº 15.326/2026
Um dos cartazes mais presentes nas manifestações dos professores é da adequação da Lei nº 15.326/2026, sancionada em janeiro pelo governo federal. Nela, os professores da educação infantil são incluídos como profissionais do magistério.

Foto: Nicole Goulart/Especial
A legislação exige regulamentação por parte do Executivo. Por isso, ambas as partes concordaram com a criação de um grupo de trabalho. O que está em negociação agora é o prazo para início: categoria propõe o começo já na próxima semana e aplicação a partir de junho.
A professora da educação infantil Vanessa de Souza, que está engajada nas discussões, afirma que o Legislativo também deve fazer parte. “Tem que ter uma lei, ser aprovada e entrar em vigor. A partir disso, aí sim nós vamos pedir o enquadramento. A gente pediu uma mesa para debater a implementação. Não vamos debater se temos direito, porque nós temos o direito”, frisa.
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Categoria mobilizada
Para poder levantar a mão e votar na assembleia, o professor precisa fazer parte do Sinprocan. Por isso, um longa fila se formou para a filiação na entrada do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, no Centro.
Tanto a arquibancada, quanto a quadra foram ocupadas por centenas por profissionais da educação municipal. Para o vice-presidente do Sinprocan, Julio César Santos, é emocionante ver tantas pessoas lutando por direitos.

Foto: Nicole Goulart/Especial
“Nós voltaremos só quando tivermos a nossa vitória, quando deixarem de nos perseguir nas escolas. Hoje estão podendo dar um pouquinho do calor que a gente sente na sala de aula. Nós estamos aqui, mas nós queríamos estar na escola por condições dignas de trabalho. E com colegas de área que pudessem cumprir a sua própria disciplina, não tendo que dar uma outra aula”, afirma.
Nos cálculos do sindicato, cerca de 85% da categoria aderiu à greve. Algumas escolas estão totalmente fechadas, enquanto que outras possuem alguns professores em greve. Segundo a professora Katielle de Oliveira, as condições de trabalho não afetam somente a categoria.
“Estão em jogo as crianças em sala de aula, as famílias que precisam de um trabalho de qualidade. Hoje, as crianças de inclusão não têm nenhum suporte. As famílias estão abandonadas pelo serviço público e a gente é cobrado para dar conta. E não podemos ficar doentes”, desabafa.
Confira nota da Prefeitura de Canoas
A Prefeitura de Canoas apresentou um conjunto de medidas para o encerramento da greve dos professores, que foi recusado pela categoria em assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (23/04). Com isso, a paralisação segue impactando direta e indiretamente toda a rede municipal, composta por cerca de 30 mil alunos, e suas famílias. Diante do cenário, a prefeitura permanece mobilizada para reduzir os prejuízos à comunidade escolar e garantir a retomada das aulas o mais breve possível.
O pacote de ações inclui a criação de um grupo permanente de trabalho para discussão das pautas da categoria, a ampliação do vale-alimentação, a aplicação do piso nacional do Magistério a partir de maio e a reposição salarial de 4,26%, parcelada até o final do ano, entre outras medidas.
Desde o início do movimento, a gestão mantém diálogo aberto com o sindicato e com representantes dos profissionais da educação, com a realização de reuniões formais e atendimentos diretos aos grevistas pelo prefeito Airton Souza e pela secretária de Educação, Beth Colombo.
A paralisação afeta diretamente o cotidiano das famílias, especialmente aquelas que não têm com quem deixar os filhos durante o período sem aulas, o que também impacta a rotina de trabalho de pais e responsáveis. “O nosso compromisso é com as crianças, com as famílias e com o futuro da cidade. Respeitamos o direito de manifestação, mas é fundamental avançar para evitar mais prejuízos aos alunos”, afirma o prefeito Airton Souza.
Nos últimos 18 meses, a atual gestão implementou medidas voltadas à qualificação da educação municipal e à valorização dos profissionais. Entre as ações estão a contratação de 500 monitores de inclusão, sendo 250 com início previsto para a próxima semana; a realização de concurso público; a garantia do vale-alimentação; a retomada das eleições para diretores; a correção de descontos de aposentados; e a manutenção do auxílio-transporte, mesmo após a implantação do Passe Livre.
Também houve o retorno de vice-diretores em escolas que não contavam mais com esse suporte, além de investimentos em tecnologia e melhorias na estrutura da rede municipal. “Avançamos em pautas importantes da educação e seguimos abertos ao diálogo. Nosso foco é garantir que os estudantes retornem às salas de aula com o menor impacto possível”, reforça o prefeito.
A administração municipal reitera que permanece aberta ao diálogo e à construção de soluções responsáveis e equilibradas, que contemplem a valorização dos profissionais sem comprometer o direito dos alunos à educação.
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