“A enchente tirou o HPSC e ele vai voltar”. Esses são os banners que rodeiam o Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) mas o prazo de entrega da obra foi adiado mais uma vez. A reforma do primeiro piso, que era para ter encerrado neste sábado (11), ficou para abril de 2027.
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Foto: Paulo Pires/GES
A nova data foi assinada ainda em maio pela Prefeitura de Canoas, conforme consta no sexto aditivo do contrato com a Elmo Eletro Montagens LTDA. A empresa é responsável pela obra do primeiro andar do hospital, iniciada em dezembro de 2024 – pouco mais de um ano e meio atrás.
A estrutura localizada no bairro Mathias Velho é referência para 102 municípios e foi atingida pela enchente há dois anos. E desde então não voltou a funcionar. A promessa da nova data, prevista para daqui nove meses, também parece distante pelo andamento da obra.
Até o momento, o serviço está cerca de 8% concluído, segundo consulta feita na plataforma Monitora Canoas na última semana. A porcentagem também consta no relatório de repasse do contrato, assinado no dia 7, que acumula 7,98% de execução física.
Antes prevista para dezembro deste ano, o prazo foi postergado pelo prefeito Airton Souza para a metade de 2027. Os recursos são do Ministério da Saúde e gerenciados pela Caixa Econômica Federal.
A Prefeitura de Canoas foi questionada, nesta segunda-feira (13), sobre o prazo , porcentagem de conclusão e como avalia o andamento da obra. No entanto, não houve retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Foto: Paulo Pires/GES
De frente para a obra, comerciante não vê avanço
O restaurante da Rosa Pereira, 60 anos, começou a funcionar na Rua Caçapava quando ainda estavam fazendo a terraplanagem do Pronto Socorro. Com mais de duas décadas de trabalho sendo vizinha do hospital, a comerciante fala com indignação sobre a demora.
“O que a gente queria ver era o prefeito fazer essa obra. Ele prometeu e não está cumprindo. O Graças está superlotado, você não consegue ser atendido, não consegue marcar nada. E o povo está precisando”, comenta.
A comerciante ainda destaca o pouco movimento de trabalhadores na obra. “Se tiver dois ou três mexendo na elétrica é muito. Semana passada, colocaram os plásticos ali na placa. A gente fica sem saber o que vai acontecer”, lamenta.
“Presença reduzida de funcionários” motiva notificação da empresa
A impressão da dona Rosa, sobre os poucos trabalhadores, não é apenas uma impressão. No início deste mês, a empresa responsável pela obra do primeiro piso foi notificada duas vezes pela Prefeitura de Canoas por não ter a equipe necessária para o tamanho do serviço.
Nas vistorias feitas pelos fiscais do contrato, solicita-se “reestabelecimento do ritmo de obra previsto em contrato, com a adição de mais frentes de trabalho na obra” e “esclarecimento dos motivos da presença reduzida de funcionários na execução dos serviços.”

Foto: Paulo Pires/GES
Ainda há a cobrança por ações que compensem o serviço atrasado, buscando o andamento ideal. Vale lembrar que, em outubro de 2025, a Prefeitura anunciou que as obras iriam ter um ritmo acelerado após a liberação de recursos. Mesmo assim, de lá pra cá, pouco andou.
“Tais medidas devem ser tomadas com urgência, a fim de cumprir a obra dentro do prazo contratual, visto que no ritmo atual é pouco provável que o atual prazo contratual seja cumprido”, diz um dos fiscais do contrato em documento assinado na última terça-feira (7).
Além disso, uma das notificações relata que outras empresas foram contratadas sem autorização prévia e para serviços que não podem ser subcontratados. A empresa foi cobrada a prestar esclarecimentos sobre isso.
“Foi constatada existência de outras empresas subcontratadas na execução de serviços de climatização e instalações elétricas. Salientamos que estes serviços, conforme rege o termo de referência, não podem ser subcontratados”, afirma o documento.
Licitação do segundo piso segue aberta após desclassificação
Paralelo à obra que acontece no primeiro andar, a Prefeitura de Canoas segue com a licitação do segundo pavimento aberta. Isso porque a empresa melhor classificada em abril, a Avanço Construções, foi desclassificada.
De acordo com a ata do pregão eletrônico, a concorrente não cumprir com os trâmites do processo. “Foi negado pedido de prazo adicional para atendimento à última diligência efetuada, visto que a empresa não possui os atestados solicitados pela equipe técnica, conforme previsto no edital, onde as condições estabelecidas são prévias a participação no certame”, explica.

Foto: Paulo Pires/GES
Outras três empresas foram classificadas como inabilitadas por não atenderem às exigências do edital. Restam na disputa a Aircon LTDA e a própria Elmo Eletro Montagens – responsável pelo primeiro piso.
E é ela que consta como a melhor classificada pela proposta financeira. O valor proposto é de R$ 10.138.416,54. A empresa teria até esta segunda-feira (13) para apresentar os documentos dentro do pregão.
A obra do segundo piso do HPSC prevê intervenções no telhado, casas de máquinas, reservatório de água, forros, subestação, instalações elétricas, placas solares, unidades de atendimento e demais salas. O serviço está previsto para durar 12 meses.
“Considerando que o HPSC é uma unidade de saúde de alta complexidade e referência em atendimentos de urgência e emergência, sua plena recuperação é entendida como prioridade estratégica, não apenas para o Município de Canoas, mas para a região metropolitana de Porto Alegre como um todo”, destaca o Estudo Técnico Preliminar do edital.