Uma das imagens mais emblemáticas da enchente de maio de 2024 é a do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) alagado. Parte da estrutura da instituição, no bairro Mathias Velho, ficou comprometida e segue fechada quase dois anos depois do desastre climático. E a previsão de abertura segue longe: a obra do primeiro piso está menos de 10% concluída.
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Foto: Paulo Pires/GES
A informação sobre o andamento consta na plataforma Monitora Canoas, gerida pela administração municipal. O percentual está em 8,18%, conforme medição feita ainda em março. A entrega está prevista para dezembro, segundo a Prefeitura de Canoas.
O prazo é o mesmo para a vigência do contrato com a Elmo Eletro Montagens, responsável pela obra. A prorrogação por mais 12 meses foi assinada em dezembro do ano passado. No entanto, o serviço corresponde somente ao primeiro piso do hospital.
A reforma do segundo pavimento é objeto de um edital que será aberto nas próximas semanas, com obra prevista para durar 12 meses. O trâmite envolve recebimento e avaliação de propostas, homologação do vencedor, assinaturas de contrato e de ordem de início de serviço. (Confira mais abaixo).
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Repasse é ainda menor
A obra do primeiro piso tem o valor total de R$ 15.089.800,93, financiado pelo Ministério da Saúde e gerido pela Caixa Econômica Federal. No entanto, o repasse feito até o momento é de R$ 418.553,77 – correspondendo a 2,77%.
A informação consta em um Relatório Resumo do Empreendimento (RRE) que trata do andamento entre janeiro e fevereiro. Ainda segundo o documento, a situação é considerada “atrasada”, já que o percentual previsto para março era de 79,87% dos repasses.
Por meio de nota, a Caixa Econômica Federal esclarece que o contrato, sob gestão do Ministério da Saúde, tem o valor de R$ 29.130.867,36 e foi assinado em dezembro de 2024. Estão previstas sete vistorias intermediárias e uma final. “Considerando a evolução contratual de 2,77%, informada pelo município, ainda não foi realizada visita de constatação pela Caixa, o que deverá ocorrer à medida que as obras avancem”, diz o texto. O andamento pode ser acompanhado no sistema TransfereGov.
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“O HPSC é essencial”, define moradora
Quem passa pelo local ou vive nas redondezas do hospital, no bairro Mathias Velho, reclama da demora. Iniciada em dezembro de 2024, a revitalização do HPSC parece não seguir o ritmo desejado pela população.
Na manhã desta sexta-feira (10), era possível ouvir alguns sons de martelos e máquinas. Quem passou na frente foi a auxiliar de serviços gerais Ariana Jezebel, 34 anos, que desabafou sobre a obra. “O HPSC é essencial e essa demora é uma falta de respeito. A gente sabe que foi atingido, mas acho que nada justifica essa demora. Canoas era uma referência.”
A moradora do Mathias Velho, vizinha do hospital, lamenta o impacto na saúde. “As UPAs estão lotadas e eles nem querem dar atestado direito. Isso aqui é necessário para nós. Até as ambulâncias eles tiraram daqui.”

Foto: Paulo Pires/GES
Um morador que não quis se identificar também comenta sobre o andamento das obras. “Eu vejo os funcionários, mas é uma meia dúzia entrando e saindo. É muito fraco. Para mim, isso é uma enrolação. E vão reformar o telhado de novo. Colocaram as placas solares, mas vão mexer lá de novo. É o que a gente vê.”
A secretária de Saúde de Canoas, Ana Boll, avaliou a execução da obra. “Ela está andando num ritmo razoável, mas também porque é a mais complexa. É uma obra que depende de muitas coisas, muitos detalhes. Tivemos que instalar a rede hidrossanitária para poder seguir. O tomógrafo, por exemplo, tem novas definições técnicas que temos que atender”, explicou em entrevista durante a inauguração dos leitos de UTI do Hospital Universitário de Canoas, no dia 7 de abril.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Canoas nesta sexta-feira (10) para atualizar a situação do Hospital de Pronto Socorro de Canoas. Até o momento, porém, não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
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Segundo andar também terá obra
O segundo pavimento do HPSC não foi atingido pela água da enchente e foi usado para abrigar pacientes e funcionários. Esse movimento causou uma sobrecarga na estrutura, na avaliação da Secretaria Municipal de Projetos e Captação de Recursos que está à frente da coordenação da obra.
Isso motiva uma reforma que é objeto de um edital publicado em janeiro. O projeto prevê intervenções no telhado, casas de máquinas, reservatório de água, forros, subestação, instalações elétricas, placas solares e salas.

Foto: Paulo Pires/GES
A reforma conta com investimento de R$ 10.138.416,54, oriundos do mesmo contrato de repasse com o Ministério da Saúde e Caixa. As propostas podem ser enviadas até o dia 22 de abril. Neste mesmo dia acontece a abertura das propostas e a sessão pública de disputa.
Não há prazo para homologação da empresa vencedora e assinaturas do contrato e ordem de serviço. Também não há informações se os dois pavimentos serão entregues em conjunto ou separadamente.
* Matéria atualizada às 10h21 do dia 11 de abril de 2024