Um dos principais fatores que contribuem para as mudanças climáticas é a emissão de gás carbônico (CO2), responsável pelo efeito estufa. E são essas mudanças que têm tornado o tempo tão imprevisível nos últimos anos, desde estiagens severas até enchentes recorrentes e de grandes dimensões. Por isso, ações que preveem a redução da emissão de CO2 são necessárias e urgentes.
No entanto, o Plano Local de Ação Climática de Canoas (Plac-Canoas), divulgado no início de junho pela Prefeitura de Canoas, coloca para 2040 e 2050 o prazo de conclusão de ações de mitigação nos setores que mais emitem CO2 na cidade: indústria e transporte. As medidas incluem aumento de eficiência energética industrial (ação nº 6) e melhorias no deslocamento pela cidade (ações nº 1 e 2).
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Foto: Paulo Pires/GES
Outras medidas que compõem o primeiro eixo do plano, voltado para a redução de carbono e sustentabilidade, versam sobre revisão do plano diretor; descarte adequado e aproveitamento energético de resíduos; e implementação de usina fotovoltaica, programadas para 2030 e 2040, por exemplo. Ao todo, são 11 ações sobre esse tema. (Confira no final da matéria).
As ações práticas estão vinculadas a metas a serem alcançadas gradativamente até 2050, o que torna o cenário um pouco mais positivo no município. A proposta é reduzir em 18,9% as emissões dos gases de efeito estufa em 2030, em 29,9% no ano de 2040 e alcançar 70% em 2050.
O que são essas ações?
As medidas que tratam exclusivamente da indústria e do transporte estão logo no início do plano. A primeira de todas pretende revisar programas de planejamento urbano garantindo a redução de distâncias de deslocamento e o seu monitoramento (ação nº 1). A ideia é “priorizar a mobilidade ativa e o transporte coletivo de baixa emissão”.
Com o mesmo objetivo, entra o fortalecimento das estruturas do Plano Municipal Cicloviário de Canoas e garantir a sua manutenção (nº 2). Já a respeito da indústria, o plano fala em desenvolver um estudo específico para a aumento da eficiência energética industrial (nº 6), como incentivar uso de fontes renováveis e reduzir as emissões de resíduos sólidos.
Emissão de carbono chega a 4,05 milhões de toneladas
De acordo com Plac-Canoas e com o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa de Canoas – este publicado em 2020 – Canoas emitiu 4.057.642,24 toneladas de CO2 no ano de 2018. O número é usado como parâmetro para definir quais são as principais fontes de emissão e a necessidade de redução.
Desse montante, 73,6%, ou 2,9 milhões de toneladas, se referem a chamada energia estacionária: queima de combustível fóssil em atividades associadas à produção de energia, como por exemplo queima de petróleo e geração de energia, segundo os documentos. A maior parte dessa energia estacionária, cerca de 2,4 milhões de toneladas, são provenientes da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada no bairro Brigadeira.
No início do ano, a Petrobras informou que reduziu a emissão de CO2 no ano passado. Segundo a empresa, foi evitada a emissão de 365 mil toneladas de gás carbônico em 2024. “Trata-se do equivalente a retirar de circulação uma frota de mais de 6 mil ônibus urbanos movidos a diesel, ou mais de 60 mil carros movidos a gasolina. A Refap foi uma das grandes contribuintes, evitando a emissão de 114 mil toneladas de CO2”, esclarece em nota.
A presença da refinaria torna o cenário em Canoas complexo para análise, de acordo com os próprios estudos, a diferenciando de outras cidades brasileiras em termos de emissão. Por isso, quando se desconsidera as indústrias de geração de energia, o setor de transportes – de passageiros e de cargas – se torna o responsável pelo maior nível de emissões, correspondendo a 56% do total.
“O município de Canoas, como sede de uma refinaria de grande porte e corredor logístico, tem a oportunidade de se posicionar como um modelo de inovação e mitigação de emissões em cenários industriais complexos. A articulação entre políticas públicas, investimentos tecnológicos e educação ambiental será fundamental para transformar o perfil de emissões e criar soluções sustentáveis e replicáveis. Este dado ressalta a necessidade de ações estratégicas que considerem não apenas as características industriais, mas também as dinâmicas de transporte influenciadas pela presença de duas rodovias federais, as BRs, que atravessam o território municipal”, observa o Plac.
Números das emissões de CO2
Energia estacionária: 73,6%
Transportes: 22,2%
Resíduos: 4%
Uso da terra e processos industriais: menos de 1%
Energia estacionária – sem a Refap: 34%
Transportes: 56%
Resíduos: 10%
Uso da terra e processos industriais: menos de 1%
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Na contramão: transporte público não é atrativo e frota de veículos cresce ano a ano
Ruas cheias de carros que transportam uma pessoa só. No mundo ideal, o deslocamento seria feito de ônibus, em que vários usuários compartilham o mesmo veículo. Mas na realidade, o transporte público coletivo não é atrativo: sem respeito aos horários e risco de quebrar no meio do trajeto.
Em Canoas, esse tema é de responsabilidade da Administração municipal. Recentemente, o contrato com a empresa Sociedade de Ônibus Gaúcha (Sogal) foi renovado até 2028, com possibilidade de revogação quando sair a licitação de concessão do transporte público. A frota de ônibus deve ter vida útil de 12 anos, “excluindo-se da contagem do prazo o ano de fabricação do veículo”, define a Lei nº 6.132, de 2017, podendo ser prorrogado por mais dois anos.
Enquanto isso, a população escolhe andar de carro ou moto. A frota de veículos particulares corresponde a 90% de todos os tipos de automóveis que circulam na cidade. São 206.826 carros, motocicletas, motonetas, ciclomotores, utilitários, caminhonetes e caminhonetas, segundo dados mais atualizados do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS).
Ao todo, 229.015 veículos compõem a frota canoense que também inclui ônibus, caminhões, reboques e tratores. O número só cresceu nos últimos 18 anos, desde o início da série história compilada pelo departamento em 2007. Na época, eram 114.158 veículos e hoje é quase o dobro de automóveis emitindo gás carbônico.
Caminho até a descarbonização também passa pelo plantio de árvores
Entre todas as ações e metas elencadas no Plac-Canoas, o secretário municipal de Meio Ambiente, Guilherme Haygert, coloca a descabornização da economia canoense com a principal delas. Um dos projetos que pode ajudar na redução de emissão de gás carbônico é o aumento da quantidade de árvores na cidade.
“Quando se coloca ‘vamos descarbonizar a economia, vamos reduzir ou neutralizar as emissões dos gases de efeito estufa’, isso requer um desenvolvimento com um todo, um desenvolvimento sustentável. Ou seja, tem que investir em mais plantio de árvores e para isso nós finalizamos um plano de arborização de Canoas”, afirma.
O estudo mapeou todas as árvores que existem na cidade, definindo também qual é a melhor vegetação para cada espaço. Ainda não há indicativo de que o plano será publicizado e colocado em prática em função da necessidade de recursos financeiros, como esclarece o secretário. No entanto, o otimismo com a ideia é grande e a proposta pode ser otimizada para caber nos cofres municipais.
“Se eu implementar esse plano de arborização 100%, vamos conseguir cumprir metas de descarbonização. E árvore é o quê? É uma cidade mais bonita, menos quente. Se conseguimos cumprir com essa arborização, cumprimos com o plano de ação climática. Não por descarbonizar em si, mas como vamos chegar até lá. Se eu fosse eleger, as mais importantes são as metas de descarbonização”, destaca.
Ações que visam a redução de carbono e sustentabilidade
nº 1 – Revisar programas de planejamento urbano garantindo a redução de distâncias de deslocamento e o seu monitoramento
Mobilidade Urbana | Prazo: 2050
nº 2 – Fortalecer as estruturas do Plano Municipal Cicloviário de Canoas e garantir a sua manutenção
Mobilidade Urbana | Prazo: 2040
nº 3 – Implementar o Projeto “Canoas Child-Friendly City”
Mobilidade Urbana | Prazo: 2030 – atual gestão
nº 4 – Revisar o Plano Diretor de Canoas para o desenvolvimento sustentável
Habitação e Regularização Fundiária | Prazo: 2030 – atual gestão
nº 5 – Desenvolver um programa de gestão e proteção habitacional, com prioridade para as áreas em situação de risco
Habitação e Regularização Fundiária | Prazo: 2027 – atual gestão
nº 6 – Desenvolver um estudo específico para a aumento da eficiência energética industrial
Projetos e Captação de Recursos | Prazo: 2040
nº 7 – Fortalecer e ampliar os programas existentes voltados para o descarte adequado de resíduos.
Serviços Urbanos | Prazo: 2030 – atual gestão
nº 8 – Revisar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos com foco na redução das emissões
Serviços Urbanos | Prazo: 2030 – atual gestão
nº 9 – Promover estratégias de aproveitamento energético de resíduos
Projetos e Captação de Recursos | Prazo: 2040
nº 10 – Implementar o projeto de usina fotovoltaica
Projetos e Captação de Recursos | Prazo: 2030 – atual gestão
nº 11 – Monitorar o projeto de iluminação pública de LED (PPP IP)
Serviços Urbanos – passou para Projetos nesta atual gestão | Prazo: 2030 – atual gestão