Quase um mês após o fim da greve, a queda de braço entre os professores da rede municipal e a Prefeitura de Canoas continua. Isso porque houve desconto dos dias paralisados, interferindo na definição sobre o calendário de reposição das aulas. Uma reunião para alinhar o assunto foi feita na última quarta (3), e um novo encontro aguarda data.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
A categoria representada pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) solicita a restituição dos descontos feitos na folha de pagamento dos professores que paralisam. O desconto se refere aos dias de paralisação e greve em abril. (*)
Essa manobra impossibilita a recuperação das aulas, ressalta a presidente do Sinprocan, Simone Riet Goulart. “Teve o desconto, e agora os colegas estão preocupados. Ninguém está se negando a repor. É uma questão de dignidade e pedimos que sejam em parcela única.”
Durante a reunião, o Executivo apresentou a possibilidade de ter uma folha complementar para repor os valores descontados mediante apresentação de uma sugestão de calendário. No mesmo dia, o sindicato entregou um ofício com a proposta.
Um retorno é aguardado ainda nesta segunda-feira com data para uma nova reunião. Nela, devem ser apresentadas as respostas às demandas encaminhadas no ofício do sindicato. “Estamos aguardando uma manifestação e a nossa expectativa é que os valores sejam pagos de forma urgente”, reforça a presidente do Sinprocan.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (SME) para mais esclarecimentos sobre o desconto no salário, reunião e calendário de reposição. O retorno veio nesta terça-feira (9), informando que a pasta aguarda uma proposta para abonar o ponto dos professores. (**)
Calendário é incógnita
Caso haja reposição dos dias paralisados, o calendário ainda não teve definição. No final de maio, a Secretaria Municipal de Educação (SME) chegou a enviar uma proposta para escolas que previa aulas até o dia 14 de janeiro.
“Em relação ao calendário de reposição, a SME esclarece que ele foi elaborado por uma comissão formada por membros da secretaria, Conselho Municipal de Educação e Sinprocan e apresentado individualmente às equipes diretivas”, disse em nota enviada nesta terça-feira. (**)
Já no ofício mais recente do Sinprocan, os períodos de aula podem ser recuperados até o dia 30 de dezembro – incluindo alguns sábados e as férias de julho. Ao todo, entre paralisação e greve, foram 21 dias letivos sem atividades na rede municipal.
No entanto, caberá a cada instituição definir essa reposição. “São situações diferentes em cada escola. Teve escola que somente alguns professores pararam ou que pararam por poucos dias e teve quem participou dos 21 dias”, explica Simone.
Ou seja, tem escolas e professores que não precisarão ir até dezembro, por exemplo, para repor. O parâmetro segue sendo os 200 dias letivos. Mas até o momento, um calendário base – se houver – ainda não foi divulgado pela Prefeitura de Canoas.
A sugestão apresentada pela SME no final de maio já previa uma reposição na última sexta-feira (5) – ponto facultativo do feriado de Corpus Christi. Porém, não foi feita porque houve desconto no salário dos professores.
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Descontos motivam fundo de greve
A dedução de quatro dias no salário dos professores preocupa o sindicato. “São pessoas responsáveis pelo sustento das suas famílias. Alguns nos procuraram e disseram que não tem dinheiro para ir trabalhar essa semana ou que não sabem como vão pagar um remédio para o filho”, comenta Simone.
Por essa razão, o Sinprocan está organizando o fundo de greve. Os valores arrecadados são distribuídos entre os profissionais que solicitarem a ajuda. Para ajudar, basta acessar as redes sociais do sindicato.
Grupos de trabalho sem definição
Além da indefinição sobre a reposição do salário e do calendário, os professores também aguardam retorno sobre outra demanda: os grupos de trabalho. Os professores esperam por datas para início e fim das discussões.
Os colegiados vão debater a aplicação da Lei nº 15.326/2026 (Plano de carreira), Lei Complementar nº 226/2026 (Lei do Descongela) e valorização profissional. O sindicato afirma que os representantes já foram indicados.
Essas questões foram apresentadas no mesmo ofício entregue ainda na quarta-feira. Os grupos de trabalho foram definidos por serem temas que demandam mais tempo para análise.
O que diz a Prefeitura de Canoas
A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Educação, informa que, após reunião realizada na última quarta-feira (3) com o Sindicato dos Profissionais da Educação de Canoas (SINPROCAN), aguarda o encaminhamento de uma proposta para o alinhamento das tratativas referentes ao abono de ponto dos professores que aderiram à paralisação, mantendo o diálogo aberto com a categoria. Já em relação ao calendário de reposição, a SME esclarece que ele foi elaborado por uma comissão formada por membros da secretaria, Conselho Municipal de Educação e SINPROCAN e apresentado individualmente às equipes diretivas.
(*) Matéria atualizada nesta terça-feira (9), às 11h04, para corrigir a informação sobre os dias descontados.
(**) Matéria atualizada nesta terça-feira (9), às 13h59, para incluir posicionamento da Secretaria Municipal de Educação de Canoas