Durante muito tempo, circular em ônibus amarelos era sinônimo de conforto em Canoas. Os chamados seletivos que circulavam eram conhecidos 1) pelo preço da passagem mais cara; 2) pela estrutura melhor para o usuário.
Pois os ônibus amarelos voltaram a circular em Canoas. Foi no ano passado que a Prefeitura de Canoas garantiu a retomada da operação, com os seletivos usados experimentalmente nas linhas urbanas usuais. A experiência deu certo.

Foto: PAULO PIRES/GES
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Na época em que liberou a experimentação, a Secretaria de Mobilidade Urbana apontou que a liberação dos amarelos era uma medida importante para qualificar o serviço prestado pela empresa à população.
A ideia era a utilização dos modelos de ônibus com mais recursos de conforto no atendimento aos usuários, especialmente nos horários de pico, combatendo, principalmente, a superlotação.
Segundo a empresa Sogal, atualmente a concessionária está se valendo de três ônibus seletivos, conhecidos como “amarelinhos”, e mais sete executivos. Todos inseridos no sistema urbano e com o passe livre.
A população gostou da ideia. Mesmo sem estar atento aos horários de saída da garagem dos amarelos, Saulo Moreira, 34 anos, disse de vez em quando ser “premiado” com um ônibus amarelo no popular paradão.
“Não é sempre que estou saindo para o bairro Fátima que acontece, mas quando acontece é bom”, diz. “Eu lembro quando pegava o amarelinho. Único problema na época é que a passagem era cara.”
Reforço bem-vindo
Para alguns usuários, o reforço com os amarelos é importante também por conta dos problemas causados pela demora dos ônibus normais, que chegam às vezes a atrasar meia hora ou mais.
“Tem dias que a gente espera muito na parada”, observa. “Horário é X, mas o ônibus aparece na hora Y, 45 minutos depois do previsto. Então, que bom que agora a gente pode contar com os ônibus amarelos”, comenta a aposentada Iris da Silva, de 82 anos.
O vigilante Marcelo Andrade, 36 anos, disse já ter perdido o serviço devido aos constantes atrasos do Sogal no bairro Mato Grande, onde mora. Isso porque há dias em que o ônibus simplesmente não passa quando deveria.
“Eu confesso que preferia pagar, mas com a garantia de que conseguiria pegar no horário”, afirma. “Porque moro ao lado da parada de ônibus e mesmo assim há dias em que chego atrasado no serviço, porque o ônibus não passa.”
Conforme a Sogal, o serviço entregue à população é considerado satisfatório. A cidade, entretanto, está repleta de obras do Governo Federal, o que às vezes acaba implicando o cumprimento de alguns horários.
Melhora
Secretário de Mobilidade Urbana, Marcos Melchior, aponta que os seletivos passaram a integrar a frota convencional com a mesma gratuidade no preço da passagem, o que representa um ganho enorme à população.
Melchior aponta que a Prefeitura tem mantido as fiscalizações e inclusive conseguiu uma melhora muito grande no nível dos serviços prestados no cumprimento de horários e perda das viagens.
“Uma coisa que estava impactando muito as viagens eram as obras na Avenida Guilherme Shell, que agora estão concluídas”, explica. “Também a empresa evoluiu muito a mecânica dos ônibus, que incidia na perda de viagens.”
O secretário aponta que a Administração conta hoje até com um índice de perda de viagens acompanhado diariamente e que hoje não ultrapassa 2% na relação entre itinerários e horários cumpridos.
“Houve exemplos de pessoas que estavam olhando o horário do ônibus na parada errada, porque não utilizam o aplicativo de modo adequado. Isso acontece bastante”, reforça.
As irregularidades podem ser passadas diretamente à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana pelo telefone (51) 3425-7637, ramal 6524, avisa o secretário.
“É para isso que temos o canal direto”, conclui.
Guichê
Quem circula pelo paradão de Canoas pode notar um guichê montado pela Sogal para atendimento imediato da população. O problema é que há fiscais que não são identificados.
A comerciante Nara Oliveira cansa de prestar esclarecimentos sobre horários e itinerários, por não encontrar um profissional da empresa para informar os usuários.
“Não adianta montarem um posto e o fiscal andar à paisana”, reclama. “Precisa ter alguém ali ativo e bem identificado, porque as pessoas precisam de ajuda, mas não acham ninguém”, salienta a trabalhadora de 31 anos.
Segundo a Sogal, os funcionários circulam pelo local bem identificados com camisa e crachá. Devido ao frio, entretanto, é possível que o casaco possa dificultar a identificação imediata dos profissionais.