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SAÚDE

UTI Neonatal do HU Canoas representa 30% dos leitos disponíveis no RS

Segundo o Simers, unidade não atende a pleno - apenas 15 dos 35 leitos estavam ocupados na semana passada; Prefeitura contesta a informação

Publicado em: 19/01/2026 às 09h:02 Última atualização: 19/01/2026 às 10h:45
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O funcionamento parcial da UTI Neonatal do Hospital Universitário de Canoas, informado na última quarta-feira (14) pelo Sindicato Médico do RS (Simers), chamou atenção para a situação da instituição de saúde, que é referência nesse tipo de atendimento no Rio Grande do Sul.

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Simers vistoriou UTI Neonatal do Hospital Universitário | abc+



Simers vistoriou UTI Neonatal do Hospital Universitário

Foto: Divulgação/Simers

A Unidade de Tratamento Intensivo para recém-nascidos é composta por 20 leitos, cuja estrutura corresponde ao nível 3 – a mais sofisticada oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o complexo conta com mais duas unidades de cuidados intermediários: a Convencional, com 10 leitos; e a Canguru, com cinco leitos. Ao todo, são 35 vagas disponíveis para atender os bebês.

No entanto, de acordo com o Simers, somente 15 leitos estavam ocupados durante uma vistoria realizada na quarta-feira. O sindicato contabilizou as vagas disponíveis em todo o complexo, incluindo as outras duas unidades. A informação foi contestada pela Secretaria Municipal de Saúde de Canoas, que levou em consideração somente os leitos de tratamento intensivo, que são 20. 

Todos os leitos disponíveis no complexo Neonatal – o que inclui a UTI e as unidades Convencional e Canguru – são do SUS. Nenhum recebe pacientes particulares ou de convênios. As informações constam no sistema do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Somente os 20 leitos de tratamento intensivo representam 30,7% de todos que estão disponíveis no Estado pelo sistema público; ao todo são 65 pelo SUS e 127 contando com os particulares. Além do Hospital Universitário, outros seis hospitais também oferecem vagas para tratar recém-nascidos.

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Unidade tipo 3

O setor é direcionado aos casos de bebês prematuros, com problemas de saúde e que necessitam de cuidados especiais. A unidade no HU é do tipo 3: a mais equipada, desde as especialidades dos médicos até os aparelhos. A definição consta na Portaria nº 930, de 2012, do Ministério da Saúde.

O atendimento dado aos bebês e às suas famílias também é feito na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional – com dez leitos. Ali, são tratados os casos considerados de médio risco que demandam assistência contínua. No entanto, são menos complexos do que os da UTI.

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Já na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru, a estrutura permite a presença da família – com cinco leitos. O espaço é destinado a prática do método canguru que consiste em manter o recém-nascido de baixo peso em contato com a pele dos pais. “Um dos pilares do método é o estímulo ao aleitamento materno, incentivando o contato precoce e a presença constante da mãe junto ao recém-nascido”, explica a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O fato do HU possuir essas três unidades de atendimento faz da instituição uma referência. No Rio Grande do Sul, essa mesma estrutura é oferecida somente em mais três hospitais, todos na Capital: Hospital de Clínicas, Hospital Fêmina e Santa Casa de Misericórdia.

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Dados de novembro dimensionam cenário

A situação apontada na semana passada não é novidade. De acordo com relatórios de prestações de contas de novembro de 2025, a taxa de ocupação dos leitos está abaixo do esperado em razão da dificuldade de compor as escalas. Os documentos foram elaborados pela Associação Saúde em Movimento (ASM) e enviados à SMS.

Naquele mês, a ocupação da UTI Neonatal chegou a ser de 18 leitos, dos 20 disponíveis. Conforme a Central de Leitos, o setor esteve ocupado com os recém-nascidos ao longo de todo o período.

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Mas são os números dos outros dois espaços que compõem o complexo que chamam mais a atenção. A unidade Convencional só teve leitos ocupados em três dias no mês de novembro, chegando a atender cinco pacientes. A quantidade é metade dos leitos disponíveis.

Já a Canguru, que tem cinco leitos, teve vagas ocupadas em 12 dias. O máximo de ocupação foi de dois leitos no mesmo período. O cenário foi analisado pelo hospital.

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“A taxa de ocupação apresentou-se abaixo do esperado para o período. Esse comportamento está diretamente relacionado às dificuldades na composição das escalas médicas pediátricas, o que tem levado à retenção de admissões e limitação temporária de internações. Essa situação tem impactado diretamente a dinâmica da unidade, reduzindo a rotatividade e a utilização plena dos leitos disponíveis”, observa.

O HU exemplifica, afirmando que os recém-nascidos que poderiam ter alta do tratamento intensivo acabam permanecendo na unidade por falta de médico. “A baixa taxa de ocupação [das unidades] relacionada à dificuldade na composição das escalas dos pediatras neonatalogistas, tem impedido o funcionamento pleno da unidade de cuidados intermediários. Como consequência, recém-nascidos com perfil de UCIN [Unidade de Cuidados Intermediários] acabam permanecendo na UTI Neonatal, impactando os índices de ocupação de ambas as unidades.”

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Diferença nos números

Durante a vistoria de quarta-feira (14), somente 15 dos 35 leitos estavam ocupados, segundo o Simers. A Secretaria Municipal de Saúde leva em conta apenas 20 leitos de tratamento intensivo. Ainda assim, há uma diferença de cinco leitos vagos, conforme o sindicato.

Na avaliação da entidade, isso acontece por falta de profissionais para atender os pacientes. “O HU está operando com capacidade reduzida devido aos atrasos nos pagamentos dos médicos. Com isso, há dificuldade em manter os especialistas nas escalas e contratar novos interessados”, diz o Simers em nota.

No entanto, o entendido da entidade é contestado pelo HU. “Leitos desocupados por ausência de demanda não caracterizam redução de funcionamento”, argumenta em nota enviada na manhã desta segunda-feira (19). (*)

Os 15 leitos ocupados em questão estavam sendo assistidos por um médico rotineiro e um plantonista. De acordo com o sindicato, em alguns turnos há somente um médico especialista, que precisa ainda atender o centro obstétrico. Além disso, não há responsável técnico pela UTI Neonatal. Esse profissional é quem garante suporte às equipes e coordena ações de emergência, por exemplo.

A Secretaria Municipal de Saúde de Canoas contesta as informações. Por meio de nota, informa que a escala do setor estava completa com dois médicos especialistas e uma médica presente na Sala de Partos. “A escala de médicos plantonistas está organizada de acordo com o dimensionamento recomendado pela legislação em vigor”, reforça o texto.

Em nota enviada na manhã desta segunda-feira (19), o HU também discorda. “A informação de ‘funcionamento parcial’ da UTI Neonatal do HU Canoas é inverídica. Os 20 leitos de UTI estão habilitados, ativos e com equipe completa”, destaca. (*)

Prefeitura rebate falta de pagamento

Segundo o Sindicato Médico do RS, a falta de médicos se dá por atrasos nos pagamentos. O cenário também não é novo e por isso tem afastado os profissionais de atuarem na cidade, no entendimento da entidade. Entretanto, a SMS informa que os repasses foram devidamente efetuados na semana passada.

“Conforme informado pela empresa responsável pelo provimento das equipes médicas da UTI Neonatal e da Sala de Partos, todos os profissionais tiveram os valores integralmente quitados no dia 7 de janeiro de 2026, dentro do prazo previsto no contrato vigente com a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do HU Canoas, não havendo qualquer atraso.”

 

(*) Informações adicionadas nesta segunda-feira, 19, às 10h45

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