O assunto ganhou força nessa semana depois da morte de uma professora e de um aluno da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Rio Grande do Sul, no bairro Mato Grande.
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Foto: Paulo Pires/GES
O aviso chega diante da preocupação com circulação do vírus da Influenza em instituições de ensino, segundo a diretora da Vigilância em Saúde, Iara Fontana. “Houve dois casos na escola que vieram a óbito e um tinha comorbidade. Não sabemos a causa da morte exata ainda, apenas sabemos que estavam com Influenza. Os testes estão sendo feitos”, explica.
“Mas como já existem outros casos nessa escola, mesmo sem ter a certeza absoluta, nós emitimos o alerta. A partir disso, é feito o controle e orientamos para que quem tiver sintomas procurar atendimento na unidade básica de saúde o quanto antes”, ressalta a diretora.
A Emef Rio Grande do Sul tem outros cinco registros de SRAG, mas a situação é geral. “Todas as escolas têm casos de sintomas gripais. Nem sempre é Influenza, mas que também podem desencadear outras doenças. Mas as escolas estão com casos assim”, afirma.
Nas últimas semanas, algumas instituições chegaram a suspender turmas em razão da circulação de vírus que provocam doenças respiratórias. Por isso, o alerta epidemiológico possui recomendações para toda a rede de ensino da cidade – municipal, estadual, federal e privada.
“Também orientamos o uso de máscara, fazer a higiene correta das mãos, ficar afastado em caso de sintomas e tomar a vacina”, complementa a diretora Iara. As medidas são para alunos, professores, equipe diretiva, demais funcionários e familiares.
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Importância da vacina
As escolas estão com um cronograma de vacinação dentro do Programa Saúde na Escola (PSE), de acordo com a Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Canoas. “Já começamos com essa vacinação nas escolas e tem que ter autorização dos pais”, comenta Iara.
“Com esse fato na escola, deve aumentar a procura pela vacinação. E a vacina é primordial e evita a proliferação do vírus. É a melhor forma de se prevenir. Protege família, amigos e a comunidade”, reforça a diretora.
Cinco unidades de saúde estão com horário estendido ao longo da semana, oferecendo vacinação. As unidades Mathias Velho, Mato Grande e Caic estão abertas de segunda a sexta-feira, das 8 às 22 horas. Já as unidades Guajuviras e Estância Velha atendem das 8 às 19 horas.
“Estamos nos reunindo na secretaria para ver como melhor agir, se vamos estender horário ou fazer mutirão aos sábados. Vamos pensar na melhor estratégia para atender a população”, complementa.
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Sindicato cobrou providências
Na terça-feira (7), a notícia da morte da professora Carolina Oliveira por Influenza foi um baque para a comunidade escolar da Emef Rio Grande do Sul e para toda a categoria. Ainda em maio, um aluno da escola com idade entre 9 e 10 anos também foi vítima da doença.
Diante dessa situação e do registro de outros casos dentro das escolas, o Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) encaminhou um ofício à Secretaria Municipal de Educação (SME) na quarta-feira (8).
O documento cobra ações de prevenção de doenças respiratórias dentro do ambiente escolar, comenta a presidente do Sinprocan, Simone Riet Goulart. “Encaminhamos e agora estão tomando providências. Está sendo feito um protocolo para as crianças usarem máscaras. Mas os números podem aumentar porque não é uma coisa só de Canoas.”
Além de não ser algo restrito à cidade, também não é restrito ao ambiente escolar. Afinal, a contágio pode acontecer em qualquer lugar, como destaca a presidente. “O aluno não tinha contato direto com a professora. Mesmo que tenha sido na escola, não podemos afirmar que a contaminação aconteceu ali porque isso é pelo ar.”
“Acredito que o que precisa mesmo é de uma conscientização geral para a vacinação. Tem escolas que já receberam, outras que vão receber. Nós temos exemplos tão bons de campanhas dentro do nosso país, mas ainda sim tem resistência”, lamenta Simone.
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Casos e mortes por SRAG em Canoas
Até o momento, Canoas registrou 92 hospitalizações por SRAG, sendo 15 por Influenza, três por Covid-19 e 39 por outros vírus. Os demais não foram especificados ou ainda estão em investigação.
Entre os óbitos, 13 já foram contabilizados no Município. E assim como os casos, também há a divisão por doenças. Foram quatro por Influenza, um por Covid-19 e oito por outros vírus.
As mortes abrangem diversas faixas etárias: um menino de menos de um ano; um menino com idade entre 5 e 11 anos; uma mulher entre 20 e 39 anos; um homem e uma mulher com idade entre 40 e 59 anos; três homens e duas mulheres na faixa dos 60 a 79 anos; e três mulheres com mais de 80 anos.
Os dados são da semana epidemiológica 26, correspondente a semana do dia 21 a 27 de junho. As informações constam no Painel de Hospitalizações de Síndrome Respiratória Aguda Grave da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e foram consultadas nesta sexta-feira (10).
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Demanda por leito
Dentro das 92 hospitalizações contabilizadas em Canoas, 44,5% dos casos precisaram da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) – ou seja, quase metade. Essa demanda por atendimento mais complexo ilustra a gravidade da situação dos pacientes.
“Quando a gente diz que a vacinação é a melhor prevenção é porque evita a evolução para casos graves. Se pegar o vírus, não vai evoluir para uma pneumonia ou uma longa internação. A vacina reduz o risco de adoecimento e de casos graves”, reitera a diretora da Vigilância em Saúde, Iara Fontana.
De acordo com a SMS, a habilitação de leitos para tratamento de casos de SRAG vem sendo feita desde o início do inverno para atender melhor os pacientes. Atualmente, são 10 leitos adultos no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), cinco leitos no Hospital Universitário (HU) e cinco leitos na clínica pediátrica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Niterói.