Não é de hoje que o trânsito em Canoas está caótico. Desde fevereiro, quando iniciaram as obras no viaduto da Metrovel, a população reclama das tranqueiras que prolongam o tempo de trajeto. Entre eles, estão os motoristas de aplicativo que rodam pela cidade o dia inteiro.
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Foto: Paulo Pires/GES
O Carlos Newton Madeira, 70 anos, até tenta encontrar alternativas, mas andar por Canoas estava difícil na manhã desta quarta-feira (8). O motorista tinha a missão de levar a nossa reportagem nas três obras em andamento na BR-116: alargamentos dos viadutos da Metrovel e Boqueirão, e túnel da Domingos Martins.
Além de fazer a cobertura da projeto do túnel, iniciado hoje, o objetivo era ver quanto tempo leva para fazer o trajeto. A rota com saída na Rua 15 de Janeiro até a Avenida Getúlio Vargas, na altura do Centro Comercial, é de 4,7 km – com estimativa de oito minutos, segundo o Google Maps; e de 15 minutos, conforme a Uber.
Mas o trânsito estava parado. “Está horrível, muito ruim mesmo. Tem muitos bloqueios em função das obras. Na Boqueirão, já bloquearam”, conta o motorista. Para fugir da tranqueira, Madeira entrou nas ruas Ipiranga e depois na Cândido Machado.

Foto: Paulo Pires/GES
A ideia era buscar o acesso à Avenida Inconfidência pela Victor Barreto. Só nesse trecho, o caminho levou dez minutos. “Nós vamos driblando as dificuldades. Às vezes, não tem como fugir muito também. Está trancado, está trancado”, ressalta.
Todo o trajeto levou 22 minutos. No entanto, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ainda não havia feito as restrições no trânsito na altura da passarela da Domingos Martins – o que aconteceu por volta das 10 horas. Além disso, o trânsito está sujeito a outras situações que causam congestionamento, como os acidentes da última segunda-feira (6).
GPS e experiência para pensar novos caminhos
Trabalhando com aplicativo há seis anos, o motorista roda pela cidade entre 7 horas e meio-dia. Isso porque trabalha com fretes de mudanças, há 28 anos, na parte da tarde. “Mas eu só faço Canoas. Às vezes, aparece uma viagem para Porto Alegre, mas eu não faço. Aqui, apesar de tudo, ainda é melhor de trabalhar”, destaca.

Foto: Paulo Pires/GES
E para pensar em alternativas enquanto leva seus passageiros, Madeira utiliza o GPS e todo o seu conhecimento das ruas da cidade. “Quando está muito trancado assim, eu tento escapar como fiz agora [pegando a Ipiranga e a Cândido Machado]. Mesmo pegando essa tranqueirinha, está melhor aqui do que lá”, reflete.
Todo esse transtorno ainda vai durar bastante tempo. Todas as obras têm previsão de durar 12 meses. Para o motorista de aplicativo, as intervenções parecem que vão levar mais tempo.
“Tudo tem dois lados. Agora, estamos com grandes dificuldades. Mas depois vai melhorar. Só que está demorado. Para mim, aqui [Metrovel] já era para estar pronto”, comenta.
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Obras trazem restrições no trânsito da cidade
Além da lentidão na região do viaduto da Metrovel, o Dnit realiza estreitamentos de faixa nos outros dois pontos da BR-116 que estão em obras.
Boqueirão: estreitamento de faixas na rua lateral sob o viaduto, no km 237, no sentido interior-capital. O sentido capital-interior seguirá operando normalmente. Segue até o dia 25 de outubro, segundo o Dnit.
Domingos Martins: desvio de tráfego das pistas principais da rodovia, na altura do km 261, em ambos os sentidos.