A tradicional placa verde com o nome da escola está escondida no meio do mato alto. Quem passa pela rua Joaquim Caetano, no bairro Fátima, nem se dá conta que ali tem uma escola de educação infantil. Assim é o cenário atual da Emei Ledevino Piccinini que aguarda uma extensa reforma após ser atingida pela enchente em 2024.
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Foto: Paulo Pires/GES
A responsável pelas obras de recuperação é a Servsteel Construções Especializadas, vencedora do edital aberto no ano passado. A empresa foi homologada em abril, mas ainda aguarda assinatura do contrato e ordem de início do serviço.
O investimento de R$ 2,09 milhões tem tempo de execução estimado em cinco meses, podendo ser prorrogado. Não há prazo divulgado para o começo da reforma.
Até a publicação desta matéria, a Prefeitura de Canoas não havia se manifestado sobre uma previsão de quando as obras irão começar – o espaço segue aberto para manifestação.
Em nota divulgada em abril, a administração municipal comentou a importância do serviço. “A intervenção é necessária em função dos danos causados pela enchente de maio de 2024, que comprometeu significativamente a edificação, especialmente os sistemas construtivos que serão integralmente substituídos.”
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Escola fechada completa dez anos em junho
A Emei Ledevino Piccinini chegou a passar por uma intervenção, sendo reaberta simbolicamente meses depois do desastre climático. Mas quando o ano virou, a Secretaria Municipal de Educação (SME) determinou que a escola precisava de um laudo técnico para liberação.
Após a enchente, os alunos, professores e equipe diretiva foram realocados em outras instituições e nunca mais voltaram. A instituição tem capacidade de receber cerca de 200 crianças. Entre elas está o filho de 5 anos da professora Natália Souza, vizinha da escola no Fátima.
“Quando baixou a água aqui no bairro, voltei a trabalhar e ele passou a me acompanhar. Acabou se adaptando. Aí tinha vaga pra turma dele, e pedi a transferência pra lá porque não tinha previsão de retorno no Ledevino”, conta.

Foto: Paulo Pires/GES
A professora já integrou o corpo docente da escola e discorda da forma como a instituição foi tratada após o desastre climático. “Teve uma falsa promessa de retorno da escola depois de uma reforma só pra bonito. Toda a estrutura da escola está comprometida e o risco do telhado cair é iminente. A comunidade toda perdeu. Ali, a gente fazia educação pública de qualidade de verdade.”
Perto de completar dez anos de inauguração no dia 27 de junho, a escola irá comemorar o seu aniversário fechada sem a presença da comunidade escolar. O cenário é lamentado por quem fez parte dessa história.
“Me dá muita tristeza. Era uma escola maravilhosa. Teve boas diretoras que inspiravam o grupo a trabalhar bem. Eu amava trabalhar lá e por isso matriculei meu filho no Ledevino. Além disso, também sou vizinha da escola e passo todos os dias na frente pra ir ao trabalho. Ver aquele mato alto todo na frente, a placa do Ledevino tampando um vidro. É muito descaso”, desabafa Natália.
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Laudo aponta dano estrutural
Em maio de 2024, a escola de educação infantil foi uma dos muitos endereços atingidos pela enchente. A água chegou a 2,5 metros por um período de 20 dias, segundo o laudo feito pela Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREA/RS).
A vistoria inspecionou a estrutura, fechamentos, revestimentos, cobertura, esquadrias, instalações elétricas, instalações hidráulicas, instalações de incêndio e equipamentos. A conclusão foi de dano estrutural sem condições de uso.
“Inchaço e estufamento das divisórias internas e externas de painel monolítico em EPS, comprometendo sua integridade. EPS da estrutura pode ter absorvido a água contaminada da enchente e tornar-se local propício para surgimento de mofos e fungos”, diz o laudo.
Outras vistorias também foram feitas por técnicos da Prefeitura de Canoas, reforçando a necessidade de uma intervenção mais profunda na estrutura. As informações constam no estudo que embasa o edital feito pela arquitetura e secretária-adjunta de Projetos e Captação de Recursos, Jerusa Mattos.
“O surgimento de mofo e bolor afetou as propriedades térmicas e acústicas dos painéis. Os revestimentos das paredes, portas de madeira e o forro em placas Wall System, materiais porosos, foram igualmente atingidos, apresentando mofo e bolor, ficando degradados pela água contaminada e a umidade do ar. Todos estes elementos deverão ser substituídos”, relata.
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