Canoas tem ruas e avenidas muito marcantes e movimentadas. Cada uma delas conta um pouco da história da ocupação da cidade, além de rememorarem personalidades e datas importantes para história. Uma delas é a 15 de janeiro, bem no Centro. Mas você sabe o que aconteceu nesse dia?
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Foto: Paulo Pires/GES
O dia 15 de janeiro de 1940 marca a instalação oficial do município, após a emancipação conquistada no dia 27 de julho de 1939. A data foi fixada pelo decreto nº2, de 8 de janeiro daquele ano, assinado pelo governo estadual – na época comandado pelo interventor Oswaldo Cordeiro de Farias. O documento determina a mesma data para o município de Sarandi.
Foi nesse dia que a Prefeitura de Canoas começou a atuar, como destaca o responsável pelo Arquivo Histórico de Canoas, Airan Milititsky Aguiar. “A emancipação foi em 1939 e é um ato administrativo do governo do Estado. Meses depois, ocorre a instalação da Prefeitura, que foi no dia 15 de janeiro de 1940. Emancipou-se Canoas, mas tem que ter o trabalho da Prefeitura. Essa é data quando a Prefeitura passa a atuar com a sua jurisdição”, explica.
Para isso, o primeiro prefeito da cidade foi nomeado. Naquele dia, Edgar Braga da Fontoura assumiu o cargo no dia 15 de janeiro. “Em solenidade levada a efeito à dez horas da manhã, no antigo Cinema Central”, escreveu o historiador João Palma da Silva, no livro As Origens de Canoas.
“Logo após a cerimônia, foi celebrada uma missa em Ação de Graças, na Igreja Matriz São Luiz Gonzaga e, à noite, houve um espetáculo de teatro no Cinema Central”, relembra obra elaborada pelo Arquivo Histórico.
Na época, a cidade tinha 40.128 habitantes, segundo a administração municipal. E as primeiras medidas de Fontoura foram para organizar a vida do município, como a fixação de despesas e de receitas, e a remuneração dos funcionários públicos.
A importância desse marco foi lembrada em um decreto-lei, publicado em 1944, que determinou o dia 15 de janeiro como feriado municipal. Durante um período da história da cidade, a data teve essa presença no imaginário dos canoenses. (Leia mais abaixo).
Rua também tem história
De acordo com os registros nas leis municipais de Canoas, a rua era um projeto da administração já nos primeiros anos de governo. “A 15 de Janeiro foi construída no final dos anos 50 para facilitar o acesso à área central da cidade”, rememora a escritora Ivonete Chiden Pereira na obra “Conhecendo Canoas: da estância à urbanização”.
Em 1951, o prefeito da época, Arthur Pereira de Vargas, adquiriu “um terreno na Avenida João Pessoa para prosseguimento da Rua 15 de Janeiro” no valor de Cr$ 16 mil (cruzeiros). O prolongamento continuou ainda por muitos anos com a aquisição de terras e obras de infraestrutura.
Mas já em 1956, a via contava na delimitação do centro da cidade – junto com a Domingos Martins, Victor Barreto e Frei Orlando. Mas a definição oficial da rua veio em 1958, através do decreto nº35, junto com a mudança dos nomes de outras vias próximas, como a Avenida João Pessoa (Tiradentes) Rua Luiz Milanez (Fioravante Milanez), Rua Sady Carnot (Ipiranga) e Rua José Muck Filho (Muck).

Foto: Fotos Arquivo Histórico
E foi nessa mesma época que começou a se pensar os serviços que seguem até hoje. Em 1957, a Prefeitura deu início às burocracias para a vinda dos Correios para a cidade com a doação do terreno na 15 de Janeiro. Na década seguinte, em 1964, foi a vez da Biblioteca Pública Municipal, hoje na Ipiranga, ter a sua instalação planejada na rua.
“Na década de 70, surgiram os primeiros edifícios, e o primeiro e o mais antigo centro comercial do Estado: o Conjunto Comercial Canoas, um dos mais movimentados”, destaca Ivonete em seu livro. Décadas depois, a via passou por uma revitalização com a ampliação das calçadas.
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Prefeitura é capítulo à parte
Além do Conjunto Comercial, das lojas e bancos, a 15 de Janeiro abriga o prédio e o anexo da Prefeitura de Canoas. Ou seja, a Administração municipal está na rua que lembra a data em que o Executivo foi instalado.
Mas nem sempre foi assim. A primeira sede do governo era na Rua Santos Ferreira, prédio de propriedade da família Ludwig. “Era desejo da nova administração, que o centro cívico da cidade se desenvolvesse no referido local, entre outras razões, para ficar mais afastado da estrada de ferro e da então estrada de rodagem, hoje Av. Vitor Barreto”, explica João Palma da Silva em seu livro sobre a história da cidade.
A ideia não foi bem recebida e, não muito tempo depois, o Paço Municipal mudou de endereço. A nova sede estava localizada próxima à Praça da Bandeira. A propriedade era do comerciante Artur Pereira de Vargas – que foi prefeito depois.

Foto: Arquivo Museu Municipal
Mas dois incêndios comprometeram os arquivos da cidade e motivaram a busca por uma sede própria. “A 6 de fevereiro de 1952, um incêndio destruiu aquele edifício, vindo a Prefeitura a instalar-se na Av. João Pessoa, num sobrado de propriedade do Sr. Antônio Cândido da Silveira”, explica o livro As Origens de Canoas.
“Mas a fatalidade rondava a Prefeitura canoense. A 7 de agosto de 1953, outro incêndio reduziu a cinzas o dito sobrado, com todos os pertences municipais. Passou, então a administração de Canoas a funcionar juntamente com o Foro, na mesma Avenida João Pessoa, em prédio localizado junto ao sinistrado”, completa.
O Paço se instalou em seu prédio próprio, na esquina da 15 de Janeiro com a Ipiranga, no dia 30 de novembro de 1953.
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É feriado?
O dia 15 de janeiro já foi feriado, mas não é mais. Em 1944, o então prefeito Aluízio Palmeiro de Escobar – terceiro a ocupar o cargo – determinou que data se tornasse feriado municipal para relembrar “a instalação oficial do Município”.
Ainda nos anos de 1952 e 1959, quando os prefeitos Sady Schivitz e Sezefredo Azambuja Vieira assinaram novas leis sobre os feriados, a data permanecia no calendário da cidade.
A legislação de 1959 foi substituída por outra, em 1967, que determinava os feriados religiosos. Mas foi a partir desse texto, assinado por Hugo Simões Lagranha, que o dia 15 de janeiro deixou de aparecer em outras lei e decretos sobre os feriados da cidade.
E também não é considerado ponto facultativo. Na lista mais recente, divulgada no dia 6 de janeiro no Portal do Servidor de Canoas, a data não configura nem como feriado, nem como ponto facultativo – assim como o dia 27 de junho, aniversário da cidade.