A sequência de brigas entre alunos tem gerado preocupação e apreensão no corpo docente do Colégio Estadual 25 de Julho, em Novo Hamburgo, e impactado diretamente o funcionamento das aulas. Na última semana, a instituição já havia suspendido as atividades em função de desentendimentos entre estudantes.
Nesta segunda-feira (30), novamente houve suspensão parcial nos turnos da manhã e da tarde para a realização de reuniões internas para tratar sobre o assunto.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Os encontros reuniram professores e representantes da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para discutir estratégias para conter os conflitos e restabelecer a normalidade no ambiente escolar. Durante as reuniões, os educadores apresentaram suas preocupações, relataram episódios recentes e sugeriram medidas que possam ser encaminhadas à coordenadoria e à Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
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Apesar das suspensões registradas nos últimos dias, a direção informou que as aulas serão retomadas normalmente em turno integral a partir de terça-feira (31).
Vigilantes em tempo integral na escola
Segundo a direção, uma das principais reivindicações dos professores é a contratação de vigilantes privados para atuar em tempo integral na escola. A medida, conforme os docentes, ajudaria a coibir o início das brigas e garantir mais segurança para alunos e profissionais, embora até o momento não há registro de agressões contra professores.
Outra proposta debatida é a reorganização dos espaços e horários dentro da escola. A ideia inclui, por exemplo, a separação de turmas consideradas mais conflituosas em diferentes áreas e horários de recreio, além da realização de atividades em ambientes distintos para evitar o contato direto entre grupos rivais.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
De acordo com a diretora Janaína Barbosa de Sousa, a paralisação parcial desta segunda-feira teve como foco a busca por soluções. “A aula foi até a metade do turno. Agora estamos conversando com representantes da coordenadoria, que vieram nos escutar, entender os nossos conflitos, a nossa aflição no trato com os alunos e as agressões que têm sido repetitivas”, afirma.
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Ela destaca que a escola busca medidas imediatas para interromper a sequência de episódios. “Nós, da parte dos professores, estamos pedindo um contingente de segurança para estancar essas agressões, para que não comecem no corredor e terminem no pátio”, explica.
Mais de 10 conflitos dentro e fora da escola, estima direção
Embora não haja um levantamento oficial consolidado, a direção estima que ao menos 12 ocorrências tenham sido registradas desde o início do ano letivo. Destas, oito aconteceram dentro da escola, consideradas de menor gravidade, envolvendo desentendimentos pontuais entre alunos. Outros quatro casos, classificados como mais graves, ocorreram fora da instituição, mas tiveram reflexos no ambiente escolar.
“Esse ano começou com conflitos entre alunos, inclusive na rua, que vêm terminar aqui dentro. Sempre tem um motivo de vingança, de continuidade. Se um aluno apanha na rua, isso acaba tendo consequência aqui”, relata. Entre as causas apontadas estão desentendimentos ligados a relacionamentos, questões de sexualidade e episódios de preconceito.
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Outro reflexo da escalada de conflitos é a redução no número de estudantes. O ano letivo iniciou com 1.546 alunos, e atualmente o total já está abaixo de 1.500. Parte das transferências ocorreu por decisão de famílias preocupadas com a segurança dos filhos, mesmo sem envolvimento direto nas tais brigas.
Além disso, pelo menos sete estudantes foram transferidos com concordância dos responsáveis após se envolverem em episódios de agressão. “A transferência só acontece com a aceitação da família. Muitas vezes, quando chega ao ponto de agressão física, é porque a escola já não consegue mais conter a situação, então pedimos esse apoio para proteger o aluno”, explica a diretora.
Ministério Público acompanha o caso
Diante da sequência de ocorrências, o Ministério Público também passou a acompanhar a situação. Um procedimento foi instaurado para apurar as confusões envolvendo alunos do colégio, tanto dentro quanto fora da escola.
Como uma das primeiras medidas, a Promotoria de Justiça convocou a direção da escola e representantes da 2ª CRE para uma reunião.
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O encontro está marcado para terça-feira e deve tratar das ações já adotadas e das medidas necessárias para conter a escalada de violência. A expectativa é de que, a partir dessa reunião, sejam definidos encaminhamentos mais concretos para enfrentar o problema.
O que dizem Seduc e BM
A Seduc confirmou, no começo da tarde desta segunda, que uma equipe da 2ª CRE passará o dia no Colégio 25 de Julho para reuniões de orientação com a equipe diretiva e corpo de professores, e somente depois irá se posicionar com mais detalhes sobre a situação.
Já a Brigada Militar disse que, por ora, não irá se manifestar sobre casos de violência em escolas.