Imagens captadas por câmera corporal utilizada por um guarda que estava na UPA Centro de Novo Hamburgo na noite da última quinta-feira (26) registraram parte da discussão entre o médico plantonista e o guarda municipal que estava de plantão na unidade de saúde. [Assista no final]

Foto: Reprodução
A confusão terminou na delegacia, após o médico ter sido imobilizado e algemado pelos agentes. O guarda municipal alega ter sofrido desacato, fato que foi registrado em ocorrência. Já o servidor da saúde apontou abuso de autoridade e registrou boletim por lesão corporal.
As imagens registram uma discussão entre o guarda (camiseta azul escuro), o médico (com a máscara e roupa azul mais clara) e o coordenador das UPAs (de óculos).
O registro é da câmera de um agente que foi chamado após o início de uma divergência na UPA e mostra a confusão a partir de uma discussão entre o guarda e o chefe das UPAs. O trecho que vazou termina quando o médico sai de uma sala e o guarda vai atrás dele. No registro não é mostrado o momento em que o médico é contido e algemado.
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O que acontece
O trecho que você vê ao final desta reportagem inicia com o guarda discutindo com um outro servidor, quando o médico se aproxima deles e os três seguem para uma sala.
Na sala os ânimos se exaltam. O médico profere alguns palavrões e pede para o guarda ler avisos na sala: “Lê isso aqui e respeita”. Ele também diz ao agente: “teu lugar não é aqui”. O médico vai até a porta da sala e eles seguem discutindo. O guarda então avisa sobre as falas: “O senhor está me desacatando”, e o médico rebate dizendo que ele também estava sendo desacatado.
A discussão segue até o médico deixar o local. Antes da saída, o guarda ainda diz que levaria o médico para a delegacia por desacato. Ao ouvir isso o médico fala algo, já do lado de fora, o guarda vai atrás dele e o registro encerra.
Essas imagens mostram o que aconteceu antes de o médico ser contido e algemado. O momento da prisão foi gravado e divulgado por pacientes e funcionários da UPA. As imagens viralizaram rapidamente nas redes sociais.
Prefeitura se manifesta
A Prefeitura de Novo Hamburgo se manifestou na tarde deste sábado (28), sobre o caso. Na nota, diz que “reconhece que os ambientes de urgência e emergência são, por natureza, espaços de alta pressão, exigindo preparo técnico, equilíbrio e, sobretudo, condições adequadas de trabalho” e que por isso “foram determinadas revisões nos fluxos de atendimento das UPAs, com o objetivo de aprimorar rotinas e oferecer mais segurança e organização para todos os envolvidos”.
Também reforçou o papel essencial da Guarda Municipal na proteção e manutenção da ordem pública, sendo uma “corporação comprometida, que cumpre sua missão com seriedade e profissionalismo em todas as regiões da cidade.”
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O Município ainda destacou que “situações como essa devem ser analisadas com cautela, dentro dos trâmites legais, assegurando o direito à ampla defesa e à devida apuração dos fatos.”
Questionados sobre quais os trâmites adotados, foi informado “a Guarda Municipal recebeu na sexta-feira (27), formalmente, a documentação das entidades médicas e remeterá para a Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSP), e, após isso, será enviada à Corregedoria.”
Já a Fundação de Saúde de Novo Hamburgo, por sua vez, pontuou que continua apurando o caso e que o médico está afastado até dia 1º de abril. A prefeitura informou que o guarda municipal “será remanejado de posto para evitar a exposição do servidor e garantir a devida transparência na apuração dos fatos”.