A chuva que retornou ao Estado deixa moradores da região ainda mais apreensivos. Em Novo Hamburgo, ainda há muitas famílias desabrigadas e desalojadas. Mesmo sem saber se as águas voltarão a subir, alguns moradores de Canudos passaram a manhã deste sábado (11) tentando limpar e organizar residências, comércios e igrejas.

Foto: Juliana Nunes/GEs-Especial
O pedreiro Derli da Silva Moura, 55, e a esposa, a dona de casa Ironita de Mello Vieira, 55, tiveram a casa, na rua Leopoldo Rodrigues, no bairro Canudos, totalmente alagada. Os moradores estão provisoriamente em um abrigo da cidade e neste sábado (11) se dedicam à limpeza da igreja evangélica da qual fazem parte, na Rua Presidente Costa e Silva.
“A água nunca tinha chegado neste nível. Conseguimos erguer algumas coisas, mas a água avançou muito rápido e perdemos as forças. Não sabemos quando a igreja vai reabrir e nem quando voltaremos para a casa. Não temos mais cama para dormir, não temos mais fogão, não sabemos como vai ser”, conta Derli.
A fé é o que move o casal que encontra forças para seguir em frente mesmo diante de toda a dificuldade. “Olhamos para o lado e vemos gente muito pior que nós. Tem famílias que perderam parentes, gente que segue desaparecida. Nós teremos forças para recomeçar”, diz Ironita.
Como voltar?

Foto: Juliana Nunes/Ges-Especial
Na rua Assuncion, no bairro Santo Afonso, também em Novo Hamburgo, a técnica em enfermagem Ana Rodrigues, 31, espia parte de sua casa que não foi tomada pela enchente. Parte da via continua totalmente alagada e o máximo que a moradora consegue fazer é olhar de longe na esperança de que, logo, as águas comecem a recuar.
“A água chegou a cobrir toda minha casa. É uma vida inteira debaixo d’água. Venho quase todos os dias olhar a casa de longe. É um momento desafiador. No momento estou ficando na casa da minha mãe”, explica Ana.
Mesmo com a perna imobilizada após fraturar o joelho em uma queda, a dona de casa Terezinha da Silva, 59, ajudou a família a organizar o que restou da residência que foi tomada pela água no bairro Canudos.
“Eu ajudei a limpar as paredes. Começamos a limpar a casa ontem (10), mas perdemos praticamente tudo. É a terceira vez que a água chega aqui, mas foi bem pior agora, foi tudo muito rápido”, comenta Terezinha, que segue em um abrigo no bairro.
“Estou em um abrigo, tem comida, atendimento é bom, mas não é o cantinho da gente. Quero poder voltar logo, tirar esta tala da perna e começar a planejar sair daqui. Quero morar em Novo Hamburgo, mas em um lugar que não alague”, relata a moradora de Novo Hamburgo.
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