A preocupação com a possível falta de combustíveis, impulsionada pela alta do petróleo no mercado internacional, nesta sexta-feira (13), não se confirmou — de forma geral — em Novo Hamburgo e região. Em ronda realizada pela reportagem ao longo da tarde, postos da cidade operavam normalmente, sem registro de corridas por abastecimento ou formação de filas.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Em alguns estabelecimentos, o movimento era, inclusive, quase nulo por volta das 16 horas. Gerentes afirmaram que o abastecimento segue dentro da normalidade, embora o setor acompanhe com atenção a situação do diesel.
A apreensão surgiu após a escalada do preço do petróleo nos últimos dias, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Na quinta-feira (12), o governo federal anunciou a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de um subsídio ao combustível, numa tentativa de conter os efeitos da disparada do barril no mercado internacional.
Setor fala em cautela
De acordo com o Sulpetro, sindicato que representa os postos de combustíveis no Rio Grande do Sul, ainda é cedo para prever quando a redução dos tributos federais chegará efetivamente às bombas.
Segundo o presidente da entidade, João Carlos Dal’Aqua, o processo envolve diferentes etapas na cadeia de distribuição. “Este é um processo complexo, que envolve vários fatores e que ainda precisam ser definidos”, afirmou o dirigente. Entre os pontos que ainda dependem de definição estão a regulamentação da subvenção financeira aos produtores e importadores e o cálculo das contribuições já recolhidas sobre combustíveis que ainda estão nas bases de distribuição.
Dal’Aqua também ressaltou que o mercado de combustíveis é livre e que cada posto trabalha com sua própria estrutura de custos, negociações com distribuidoras e estratégias comerciais.
Diesel gera maior preocupação
Em entrevista ao telejornal Bom Dia Rio Grande, na manhã desta sexta-feira, Dal’Aqua explicou que a tensão no setor está relacionada principalmente à dependência brasileira de diesel importado.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Segundo ele, cerca de 20% do combustível consumido no país vem do exterior, o que torna o abastecimento mais sensível a oscilações no mercado internacional. Apesar da pressão recente, o dirigente afirma que não há desabastecimento. “É importante levar tranquilidade de que não haverá desabastecimento. Na gasolina com certeza não, e no diesel existe um estressamento maior, que está tentando ser corrigido”, disse.
Ele também destacou que a formação de filas ou corridas aos postos pode gerar um descompasso temporário entre entrega e venda, afetando a logística de distribuição.
Situação é monitorada
Nos postos visitados pela reportagem em Novo Hamburgo, a avaliação predominante é de que o abastecimento segue normal neste momento. Gerentes afirmam que os pedidos continuam sendo feitos regularmente às distribuidoras e que não houve alteração significativa na rotina de entregas.
Mesmo assim, o setor acompanha com atenção a evolução do cenário internacional e possíveis reflexos no mercado brasileiro, especialmente diante da volatilidade do preço do petróleo. Nos últimos dias, o barril da commodity chegou a ultrapassar os US$ 90, depois de ter sido negociado próximo de US$ 65 poucas semanas antes.
Deputado propõe debate sobre ICMS do diesel
O deputado estadual Miguel Rossetto (PT) enviou nesta sexta-feira (13) um ofício ao governador Eduardo Leite sugerindo a articulação entre os estados para discutir a redução temporária do ICMS sobre o óleo diesel.
No documento, o parlamentar propõe que o tema seja debatido com urgência no Confaz, colegiado que reúne secretários estaduais da Fazenda.
Segundo Rossetto, a iniciativa busca ampliar os efeitos das medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter o impacto da alta internacional do petróleo.
O deputado argumenta que a redução do imposto estadual poderia ajudar a diminuir custos para transporte, produção e serviços no Rio Grande do Sul em um momento de instabilidade no mercado global de energia.