Ratão-do-banhado, gato-do-mato, gambá, morcego e ouriço são animais silvestres frequentemente avistados nas áreas rurais e urbanas da região. Recentemente, um estudo inédito da Universidade Feevale observou esses mamíferos com o objetivo de prevenir a manifestação de doenças entre os seres humanos e, até mesmo, o surgimento de novas pandemias. O projeto foi conduzido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vigilância Genômica e Saúde Única (INCT-One).

Foto: Andrieli Siqueira/Universidade Feevale
Após a coleta de amostras gastrointestinais desses animais, facilmente encontrados na fauna silvestre do Vale do Sinos, foi mapeada a circulação de diferentes vírus. Dessa forma, chegou-se a uma revelação importante: a incidência do arbovírus e do adenovírus nas cidades de Novo Hamburgo, Campo Bom, Dois Irmãos e Rolante.
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Entre os achados inéditos da pesquisa, destaca-se a descoberta do vírus Chikungunya em roedores, algo que, até o momento, não havia sido relatado em animais da região. Com resultados inéditos, a pesquisa coloca o Vale do Sinos em evidência, aprofundando-se no estudo dos vírus que circulam entre animais e moradores da região.
“A proposta é fornecer subsídios para conservar essas espécies e determinar se existem ameaças à saúde deles. Além disso, saber se esses vírus foram transportados dos humanos para eles, e vice-versa, ou ainda de espécies domésticas”, resume o virologista e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da Feevale Fernando Spilki, um dos responsáveis pelo estudo.
Prevenção de novos vírus
Com esse estudo, é possível analisar novas ameaças de vírus que tenham potencial zoonótico – que podem ser transmitidos aos humanos. “Faz parte dos esforços desenvolvidos em pesquisa evitar, por exemplo, pandemias futuras, ou até mesmo, danos à própria fauna. A partir da detecção, se evita ou estabelece medidas para mitigar a chegada deles em seres humanos ou espécies que vivem conosco, como também evitar novos agravos à saúde”, ressalta Spilki.
Evidências
Uma das revelações mais evidentes desse trabalho foi a circulação de uma linhagem específica de um vírus que está dentro da espécie do Chikungunya. Ele está circulando em mais de uma espécie de roedores na região. “Pode ser uma ameaça de um vírus também transmitido por insetos, que podem picar tanto esses animais quanto os humanos, sendo o o tipo de situação que evidencia que os animais silvestres precisam ser conservados”, explica o pró-reitor.
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Degradação
Outra descoberta interessante do estudo diz respeito à poluição dos corpos hídricos locais, já que diversos animais apresentaram contaminação por vírus de poluição fecal, alguns deles de origem humana, evidenciando os desafios no tratamento de dejetos da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos. Conforme os pesquisadores, a degradação ambiental e a fragmentação de habitats podem contribuir para o surgimento de doenças zoonóticas, pois alteram o comportamento do vetor e as interações com o hospedeiro, impactando diretamente a saúde pública.
Amostragem na região
Intitulado Virome of Terrestrial Mammals and Bats from Southern Brazil: Circulation of New Putative Members of the Togaviridae Family and Other Findings, o estudo coletou amostras retais e orais de 88 animais nas cidades de Novo Hamburgo, Campo Bom, Dois Irmãos e Rolante, durante os anos de 2022 e 2023. A partir da amostragem, foi realizada uma análise metagenômica, que consiste na detecção e caracterização de vírus presentes no ambiente desses animais.
Sobre o INCT-One
A Universidade Feevale é sede do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Entre as atividades do grupo, estão o monitoramento da circulação de novos vírus em animais silvestres e a análise da dinâmica de circulação de diferentes agentes virais em seres humanos e animais domésticos. O instituto também tem o propósito de investigar casos novos e não resolvidos pelos métodos convencionais de diagnóstico, tanto em diferentes espécies quanto em pessoas.
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