Há dois anos, a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul deixou uma marca na vida de muitos gaúchos. Alguns gostariam de apagar da memória os momentos vividos ou presenciados naquele maio de 2024. “Foi um pesadelo, um verdadeiro filme de terror”, recorda Genessi Izidra da Roza Oliveira, moradora da Rua das Palmeiras, no bairro Santo Afonso em Novo Hamburgo.
A aposentada que mora há 17 anos na mesma casa diz que saiu de casa na manhã do dia 3 de maio, quando o bairro foi evacuado. “Passei a noite inteira acordada, a água já estava passando por cima do dique e ficamos apavorados. Foi terrível.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Ao deixar a residência, tentou erguer alguns móveis do quarto, sala e da cozinha planejada recém-reformada. “Pensei que voltaria logo. Em junho de 2023, tinha entrado 30 cm de água dentro de casa.” Apesar da positividade, foram mais de 30 dias fora do lar. “Fui acolhida por familiares em um bairro mais alto em Novo Hamburgo.”
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Emocionada, diz que teve sorte de a estrutura de sua casa não ter sido danificada. “Graças a Deus, fui abençoada.” Afinal, o imóvel ficou completamente submerso. “Os barcos passavam por cima das casas.”
Depois, quando a água finalmente baixou, o desespero seguiu presente. “Todos os dias que vinha aqui, pensava em virar as costas e ir embora. Era uma carniça, uma lama.” Dona Genessi reforça que o que deu forças foi a ajuda da população. “O brasileiro é um povo muito bom. Recebemos ajuda de todos os cantos, já que na vizinhança não podíamos ajudar ninguém, estávamos todos na mesma situação”, completa.
Reconstrução
Outra moradora do Santo Afonso, Izete de Souza, é proprietária de uma padaria na Rua Punta Arenas. “Eu e o meu marido temos o comércio há 30 anos e nunca imaginamos que poderia acontecer algo assim.”
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Quando a chuva começou, eles imaginavam que seriam alagamentos de rotina. “Pensamos que não viria [a água do Rio dos Sinos], mas quando vimos, não dava para tirar mais nada.” Na padaria, não sobrou nada. “As memórias são horríveis. Nossa casa também foi atingida, ficou submersa, assim como o comércio.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
A família deixou o bairro no dia 3 de maio e só voltou para avaliar os estragos mais de 30 dias depois. “A vontade era de fechar e sumir. Imagina, ficaram 50 sacos de farinha mais de um mês embaixo da água. Quando entramos, o cheiro era horrível, tudo fermentado.”
Hoje, dois anos após a catástrofe, diz que não sabe como conseguiram vencer os desafios. “Investimos primeiro na reforma da padaria, que levou dois meses. Para nossa casa, conseguimos voltar mais de um ano depois.”
Sobre a previsão de um novo El Niño, diz que fica mais tranquila por observar as obras efetuadas pelo município no bairro, como o desassoreamento de arroios e a reconstrução do dique. “Esperamos que não aconteça de novo”, finaliza.
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