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Gasolina recua até R$ 0,30 na região em meio a crise e pressão por redução de impostos

Queda nos preços ocorre enquanto 170 municípios enfrentam dificuldades de abastecimento, prefeitos cobram ICMS e fiscalização é intensificada no País

Dário Gonçalves
Publicado em: 26/03/2026 às 17h:43 Última atualização: 26/03/2026 às 18h:35
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Após semanas de forte instabilidade, os preços dos combustíveis começaram a recuar em cidades do Vale do Sinos. Em Novo Hamburgo e municípios da região, a gasolina teve redução de cerca de R$ 0,30 por litro nesta quinta-feira (26), com valores encontrados entre R$ 6,55 e R$ 6,59.

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O movimento, no entanto, ocorre em meio a um cenário mais amplo de crise, marcado por dificuldades no abastecimento de diesel, pressão política por redução de impostos e reforço na fiscalização em todo o País.

Gasolina comum e aditivada podem ser encontradas a R$ 6,55 (redução de R$ 0,30), enquanto o diesel S10 a R$ 7,19 | abc+



Gasolina comum e aditivada podem ser encontradas a R$ 6,55 (redução de R$ 0,30), enquanto o diesel S10 a R$ 7,19

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Apesar da queda recente, os preços ainda seguem acima do patamar registrado no início de março, quando o litro era encontrado por cerca de R$ 6,19 — e, em alguns casos, abaixo de R$ 6. A variação ao longo do mês reflete os impactos do conflito no Oriente Médio, que elevou os custos internacionais e gerou incertezas na cadeia de distribuição.

Levantamento realizado pela reportagem em postos da região mostra que, embora a redução seja perceptível, ainda há grande variação entre estabelecimentos. Em alguns locais, o litro da gasolina comum ainda chega a R$ 6,89. No caso do diesel, a diferença é ainda mais significativa. O tipo S10 foi encontrado entre R$ 6,99 e R$ 7,99, uma variação de até R$ 1 por litro.



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Cenário de incertezas

Gerente de um posto de combustíveis de Novo Hamburgo, que preferiu não se identificar, afirma que o cenário ainda é de incerteza. Segundo ele, a dinâmica dos preços está diretamente ligada às distribuidoras.

“Algumas ainda têm restrições, outras começam a liberar mais pedidos. É um momento de muita incerteza, vivemos o dia a dia”, relata. Ele destaca que a redução recente nem sempre está associada à queda de custos, podendo refletir estratégias comerciais dos próprios postos.

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Para o motorista Carlos Schneider, 43 anos, a redução trouxe alívio momentâneo, mas não elimina a preocupação. “Hoje está mais barato, mas ainda está muito alto. A gente não sabe o que esperar. Uma hora falam em reduzir imposto, outra em falta de combustível”, comenta.



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Escassez de diesel atinge um terço dos municípios

Enquanto a gasolina apresenta sinais de acomodação, o diesel segue no centro da crise. Levantamento da Famurs divulgado nesta quinta-feira (26) aponta que 170 municípios gaúchos — cerca de um terço do total — já enfrentam dificuldades no abastecimento. Cidades como Formigueiro, Tupanciretã, Júlio de Castilhos e São Sepé decretaram situação de emergência.

De acordo com a entidade, os estoques em muitas prefeituras têm autonomia de apenas 10 a 15 dias, colocando em risco a continuidade de serviços essenciais e o escoamento da safra agrícola.

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“O impacto é especialmente dramático para o setor produtivo, visto que o RS está no auge da colheita de arroz e soja. Sem diesel, o campo para, o transporte trava e os custos sobem para toda a cadeia”, alerta a presidente Adriane Perin de Oliveira.

Prefeitos pressionam por isenção do ICMS

Diante do cenário, prefeitos da região metropolitana passaram a cobrar medidas imediatas. Em reunião realizada nesta quinta-feira (26), a Granpal definiu como pauta emergencial a solicitação de isenção temporária do ICMS sobre os combustíveis.

Reunião da Granpal na manhã desta quinta-feira (26) pediu ao governador Eduardo Leite que corte o ICMS do diesel | abc+



Reunião da Granpal na manhã desta quinta-feira (26) pediu ao governador Eduardo Leite que corte o ICMS do diesel

Foto: Granpal/Divulgação

O presidente da entidade, Marcelo Maranata, afirma que a alta recente, de cerca de R$ 1,20 na bomba, já impacta diretamente os serviços públicos. “Isso reflete no transporte público, nas ambulâncias e em toda a operação das prefeituras”, destaca.

Segundo ele, a situação também afeta o abastecimento. Empresas têm relatado autonomia média de 72 horas de combustível, enquanto algumas precisam recorrer a postos para manter operações.

“Como também agricultores, porque não está mais sendo entregue nos campos. Então, atinge toda uma cadeia. Em cerca de 20% das cidades, já houve redução de horários no transporte coletivo, especialmente fora dos períodos de pico.”

Debate avança na Assembleia Legislativa

A crise também chegou ao Legislativo estadual. Por proposição do deputado Miguel Rossetto (PT), a Comissão de Economia da Assembleia Legislativa realizou audiência pública para discutir o desabastecimento de diesel no Estado.

Durante o encontro, representantes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis afirmaram que não há falta de produto, mas sim um aumento na demanda provocado pela incerteza em relação aos preços.

Comissão de Economia da Assembleia se reuniu na quarta-feira (25) para cobrar medidas do Estado | abc+



Comissão de Economia da Assembleia se reuniu na quarta-feira (25) para cobrar medidas do Estado

Foto: Charles Scholl

A agência informou ainda que reforçou a fiscalização para coibir práticas abusivas ao consumidor.

Fiscalização se intensifica em todo o País

Em meio à instabilidade, órgãos de defesa do consumidor ampliaram as ações de fiscalização. Procons de diferentes Estados passaram a notificar postos e distribuidoras para esclarecer aumentos considerados injustificados.

No Rio Grande do Sul, operações recentes resultaram na autuação de estabelecimentos em cidades como Bento Gonçalves, onde 28 dos 43 postos foram multados após reajustes na casa de 40 centavos. Também houve registros de sanções em Porto Alegre e Pelotas.

No Vale do Sinos, Procons de cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas confirmam que há registros de reclamações por parte dos consumidores, mas que até o momento não foram identificadas irregularidades.

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