O drama da moradora do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, Isalete de Lima, de 54 anos, que perdeu parte do imóvel e os pertences na histórica enchente do ano passado, terminou na última terça-feira (18).
Com os danos na casa, construída no pé do dique, Isalete não podia reformar a moradia devido às obras no local, e três meses após escolher o imóvel pelo Compra Assistida, benefício para vítimas das enchentes, a liberação ainda não havia sido realizada.
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Na segunda-feira da última semana (17), a dona de casa decidiu se acorrentar em frente à agência da Caixa Econômica Federal da Rua Bento Gonçalves, no Centro de Novo Hamburgo, como ato de protesto pela liberação da casa escolhida no bairro Canudos.
No dia do ato, publicado em ABCmais, houve a promessa de que a assinatura do contrato e a entrega da chave ocorreria no dia seguinte. Assim, a terça-feira (18) ficou marcada como o início de um novo capítulo na vida de Isalete e do marido, Ariolindo Dias da Silva, 59, aposentado por invalidez.
A mudança dos móveis ocorreu na quinta-feira (20), e o casal teve a primeira noite no novo espaço no mesmo dia. Isalete conta que se emocionou ao receber as chaves. “Eu fiquei muito feliz porque eu saí daquele sofrimento e vim para esta casa abençoada por Deus. Ela é linda, eu adorei e quero ser muito feliz aqui”, declara.
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Mesmo sem água e luz nos primeiros dias de instalação, o casal optou por ficar na nova moradia. “Eu preferi vir para cá do que ficar lá [perto do dique], que corria sério risco. Lá, a gente deitava e não sabia se amanheceria vivos”, recorda.
Além disso, as condições da casa não favoreciam a estadia. “A minha casa estava muito precária, eu estava morando dentro de dois quartos e o banheiro estava na rua, não tinha mais condições de eu continuar morando lá”, explica Isalete.
Durante o período que aguardava pela liberação do imóvel, a dona de casa descreve que passou por momentos de angústia e aflição. “Fazia muito tempo que a gente não deitava e dormia, porque além do medo que a gente tinha lá, nós estávamos sozinhos e abandonados, então a gente só queria sair de lá para poder viver”, relembra. “Olhava para o lado e parecia um cemitério, as casas todas sem janelas e sem porta.”
Obras do dique
Ao passar pelo dique na tarde da última sexta-feira (21), a reportagem constatou que a antiga moradia de Isalete havia sido derrubada.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Desde outubro, as intervenções no dique não avançaram e seguem com 65% da obra de elevação concluída. A Prefeitura justifica que a continuidade depende do avanço no processo de realocação das famílias pela Caixa Econômica Federal. “Os próximos passos incluem a remoção de outras casas localizadas no entorno do dique e o recebimento de novos repasses de recursos por meio do governo federal”, explica em nota.
A gestão municipal ressalta que a Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação (SDSH) segue em contato com as famílias que precisarão desocupar suas residências em breve para permitir o andamento dos trabalhos.