As obras de recuperação da estrutura do dique do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo — danificado pela enchente de 2024, estão sendo finalizadas nesta semana. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Anderson Bertotti, a etapa corresponde à reconstrução da base original do dique, com a substituição da terra comprometida por argila compactada e materiais de melhor qualidade.
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
A partir de agora, o foco passa a ser na conclusão da elevação da cota de proteção, medida que busca deixar o dique cerca de 1,60m mais alto e resistente para futuras cheias. “O dique está sendo reconstruído, foi retirada toda a terra podre que tinha na estrutura e foi colocada argila compactada. Essa parte de recuperação está sendo concluída agora, e o dique está 100% seguro. O que segue em andamento é a elevação da estrutura”, explica Bertotti.
Melhorias em curso
A recuperação emergencial representa a parte mais crítica da obra, iniciada após os rompimentos e extravasamento provocados pelas enchentes de maio de 2024. Essa etapa garantiu a estabilidade da estrutura e a recomposição das defesas laterais, especialmente nas proximidades da Casa das Bombas, ponto vital para o controle das águas do Rio dos Sinos e do Arroio Luiz Rau.
Segundo o secretário, o avanço depende da liberação total da área para execução do novo talude. “Até o momento, 65% da obra de elevação está concluída. Para finalizar, dependemos ainda da remoção de algumas residências que ainda se encontram na lateral do dique”, detalha Bertotti.
Desde o início das obras, cerca de 60 casas foram identificadas para remoção por estarem sobre ou muito próximas à faixa do dique. Dessas, aproximadamente 40 já foram demolidas, e 20 aguardam retirada. Todas as famílias, segundo Bertotti, estão sendo atendidas por programas habitacionais e sociais. ”Assim que as famílias saem, a prefeitura realiza a demolição para evitar invasões e o uso irregular dos imóveis. É uma demanda, inclusive, da própria vizinhança para evitar usuários de drogas”, afirma o secretário.
Na última semana, dez casas foram demolidas na Avenida Nações Unidas, nas proximidades da ponte da Rua Manágua, liberando um dos trechos mais críticos para o avanço da obra.
Novo Hamburgo mantém uma lista de cerca de 30 casas já desocupadas ou em processo de desocupação, que serão demolidas conforme os trabalhos avancem. Bertotti reforça que os imóveis condenados oferecem risco à segurança, tanto pela fragilidade das estruturas quanto pela possibilidade de nova ocupação irregular.
Próximos passos
Com a recuperação praticamente finalizada, as equipes concentram esforços na elevação da cota do dique, o que exigirá novas camadas de argila e compactação ao longo dos próximos meses. “A ideia é trazer mais segurança para o bairro e para toda a população. Mas dependemos da retirada completa das casas próximas para poder fazer um talude adequado e finalizar essa etapa”, complementa o secretário.
De acordo com a Prefeitura, o dique já oferece condições de segurança equivalentes ao período anterior à enchente, e a elevação prevista trará um nível de proteção superior ao original. O município ressalta que o trabalho é acompanhado pela Secretaria de Obras Públicas e Infraestrutura (SMOPI) e pela Defesa Civil, e que as ações sociais seguem sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação.
Moradores ainda aguardam por casas
Entre os moradores que aguardam uma definição está o casal Ariolindo Dias da Silva, 59 anos, e Isalete de Lima, 54. O casal teve metade da casa destruída durante a enchente de 2024, mas ainda vive no local. Já neste ano, durante uma das ações da Prefeitura para reconstruir o dique, uma das máquinas acabou atingindo e derrubando a parede do quarto do casal.
“Nós queríamos consertar só essa parede, porque não tinha como ficar aberta, mas a Prefeitura disse que não poderíamos reconstruir com material porque a casa já está condenada. Então fechamos com madeira e estamos vivendo em duas pecinhas”, comenta Silva.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Morando há 28 anos no local, o casal é um dos únicos que permanece na área, pois ainda aguarda liberação de documentos para se mudar ao novo apartamento, adquirido via Compra Assistida, no bairro Canudos. “Nós queremos sair, e o quanto antes. Eu me trato com depressão, e isso piorou depois as enchentes. Só que apesar de já ter o imóvel, ainda não liberaram para fazer a vistoria e nos entregarem as chaves”, acrescenta.
Quem já deixou sua casa, mas ainda não tem sua situação definida é Claudete Bosco, 51 anos, ex-vizinha de Ariolindo e Isalete. Ela deixou a residência no início deste ano e está recebendo aluguel social. “Eu fui uma das primeiras a sair de casa. Ainda dava para morar, mas a Prefeitura pediu para sair porque disseram que meu nome já estava na lista dos contemplados do Compra Assistida, mas até o momento não fui contemplada”, relata. “Liguei ontem (13) para a Habitação, eles me disseram que ia sair uma lista essa semana e, quem sabe, meu nome estaria nela, mas está difícil”, acrescenta.
A casa onde Claudete está morando com o marido e uma filha fica na Vila Palmeira, local também atingido pela enchente. “Foi o lugar mais barato que encontrei, e quando chove, alaga tudo porque os esgotos estão entupidos. Não tenho condições de uma casa melhor, então estou esperando a minha, que eles ficaram de me dar faz tempo e não tem jeito de sair”, finaliza.