Transformar conhecimento científico em desenvolvimento econômico. Este é o objetivo do projeto da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, que deve transformar pesquisas acadêmicas em start ups deep tech.
A iniciativa foi aprovada em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), pelo qual deverá receber recursos de até R$ 200 mil para o desenvolvimento da ação.
Coordenado pelo professor João Batista Mossmann, o projeto Da pesquisa ao empreendimento deep tech: metodologia estruturada para conversão de pesquisa acadêmica em empreendimento inovador consiste em uma sistemática para orientar os pesquisadores no processo de transformação da pesquisa em produto, serviço ou tecnologia.
Mossmann ressalta que os resultados do projeto tendem a contribuir com a economia como um todo. “As universidades produzem pesquisas de alta qualidade, mas muitas vezes esse conhecimento permanece restrito ao ambiente acadêmico. Para a nossa região, o projeto significa fortalecer a economia baseada no conhecimento, gerar empregos qualificados, atrair investimentos e ampliar a competitividade das empresas locais”, afirma.
Você também pode se interessar: O Executivo de Si Mesmo: Morador da região é autor de livro que figura no top 100 da Amazon
“Também cria oportunidades para que talentos formados na universidade permaneçam na região, desenvolvendo negócios inovadores em vez de buscar oportunidades em outros centros”, continua.
O professor acrescenta ainda que o projeto não deve se restringir a um número seleto de pesquisas, demonstrando potencial para virar uma iniciativa permanente.
“O projeto deixa um legado permanente. Não estamos trabalhando apenas para apoiar alguns projetos específicos, mas para desenvolver uma metodologia que poderá ser utilizada continuamente pela Feevale Techpark e, futuramente, por outras instituições. Isso contribui para consolidar o Vale do Sinos e o Rio Grande do Sul como referências em empreendedorismo científico e inovação de base tecnológica.”
A metodologia deve contar com elementos como uma plataforma digital de apoio à conversão das pesquisas em empreendimentos; um toolkit reunindo guias, instrumentos, templates e estudos de caso; e um observatório dentro da plataforma para acompanhar indicadores, evolução da maturidade tecnológica (TRL) e resultados dos projetos apoiados.
Veja também: Nova sede do IFSul em Novo Hamburgo avança após reunião no MEC e aguarda definição sobre recursos para licitação
Próximos passos
De acordo com João Batista, há ainda procedimentos administrativos a serem realizados antes de receber a verba para dar andamento ao projeto. “Agora entramos na fase de formalização junto à Fapergs, que envolve os trâmites administrativos e a assinatura da documentação necessária para a execução”, diz.
“A liberação dos recursos acontece após essa etapa, portanto, ainda não recebemos e não há uma data oficial para o repasse”, completa.
Passo a passo: da pesquisa à start up
João Batista Mossmann explica que, em termos de proposta, o método deve ir além de apenas dizer ao pesquisador para iniciar um empreendimento. “A metodologia cria um caminho acompanhado, com diagnóstico, validação tecnológica, validação de mercado e apoio à estruturação do negócio, para que a pesquisa tenha mais chance de se transformar em inovação real.”
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL NH NO WHATSAPP
Passo a passo, o coordenador descreve que os projetos de pesquisa devem passar por sete etapas.
1. Mapeamento e seleção
Identificar pesquisas dos PPGs com potencial de virar produto, serviço ou tecnologia. Mossmann descreve que a seleção deve ocorrer tanto por meio de atuação ativa da coordenação junto aos PPGs quanto por meio de candidaturas espontâneas de pesquisadores, de forma que o processo ocorra de forma estruturada e transparente.
2. Diagnóstico inicial
Avaliar maturidade tecnológica, potencial de mercado, riscos e capacidade da equipe.
3. Imersão e alinhamento
Definir qual problema real aquela pesquisa resolve e qual proposta de valor ela pode entregar.
4. Validação tecnológica
Desenvolver e testar protótipos, buscando aumentar o nível de maturidade tecnológica.
5. Validação de mercado
Conversar com empresas, usuários e potenciais clientes para verificar se há demanda real.
6. MVP e modelo de negócio
Construir uma versão mínima da solução e estruturar o modelo de negócio.
7. Preparação para incubação/startup
Apoiar pitch, conexão com mentores, investidores, parceiros e possível entrada na incubadora.