Oficializado há apenas um mês, o El Niño de 2026 já atingiu intensidade que surpreende até mesmo especialistas que acompanham desde os primeiros indícios do fenômeno, com o fim de La Niña e a primeira onda Kelvin – onda quente submersa que se desloca em profundidade.
Nesta segunda-feira (13), meteorologistas da MetSul informaram que o Pacífico Equatorial atingiu a marca de +2°C pelo monitoramento tradicional da NOAA, denominado Índice Oceânico Niño (Oni). Este é o valor mínimo usado para classificar um El Niño de muito forte intensidade, conhecido informalmente como Super El Niño.
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Foto: Nasa
Patamar de Super El Niño pela primeira vez desde 2023
De acordo com os especialistas Estael Sias e Luiz Nachtigall, o Pacífico atinge em 2026 o patamar de Super El Niño pela primeira vez desde 2023. A última vez em que condições de El Niño muito fortes foram atingidas foi justamente no evento de 2023-2024, que contribuiu para a catástrofe no RS.
No entanto, há diferença entre o Super El Niño anterior e o atual: há três anos, a intensidade muito forte somente foi alcançada pelo índice ONI na semana de 22 de novembro; em 2026, o mesmo nível de aquecimento ocorre quatro meses antes.
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Intensidade antecipada
Os meteorologistas destacam que jamais se viu um patamar tão alto nos registros modernos desse sistema de monitoramento.
- no Super El Niño de 1982-1983, a anomalia de temperatura da superfície do mar apenas alcançou +2ºC na semana de 24 de novembro;
- no Super El Niño de 1997-1998, a primeira semana com intensidade muito forte só ocorreu em 3 de setembro;
- e no grande evento de 2015-2015, o patamar de Super El Niño foi atingido pela primeira vez em 16 de setembro.
Novo índice aponta 81% de intensidade muito forte
Neste ano, a NOAA passou a usar um novo índice de monitoramento, chamado Índice Oceânico Niño Relativo (Roni). Por esse sistema, a anomalia de temperatura da superfície do mar está hoje na Região Niño 3.4 em 1,3°C. Por isso, a agência norte-americana divulgou na semana passada que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte (Super El Niño).
O Roni mostra anomalias menores para corrigir um efeito provocado pelo aquecimento global sobre o Oni, sistema usado por décadas para monitorar e classificar episódios de El Niño e La Niña, já que os oceanos estão mais quentes. Este novo índice busca remover essa tendência de aquecimento de fundo.
Evento extremo
Esse patamar alcançado de forma tão antecipada em comparativo com episódios históricos anteriores “é uma clara sinalização de que este episódio de El Niño será um dos mais intensos da história e muito possivelmente o maior dos tempos modernos, em ao menos 150 anos“, conforme indica o portal de meteorologia.
Segundo a MetSul, nove dos dez modelos de clima sazonais de maior prestígio e utilização pela comunidade meteorológica internacional indicam que o fenômeno deverá alcançar uma intensidade sem precedentes nos próximos meses, superando os episódios históricos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
O consenso entre os modelos chama atenção pela força projetada para o El Niño. Embora existam diferenças na magnitude exata prevista por cada sistema, praticamente todos convergem para um cenário de aquecimento excepcional das águas do Pacífico Equatorial, suficiente para colocar o evento em um patamar nunca antes indicado pelos modelos modernos de previsão sazonal.
Pico varia
Pelas projeções dos principais modelos climáticos, o pico medido pelo Oni varia de +2,7°C a +5,3°C. O modelo italiano CMCC prevê +5,3°C, seguido pelo ECMWF e pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), ambos com +3,9°C.
O modelo canadense ECCC-2 projeta +3,8°C, enquanto o modelo do Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM) indica +3,6°C e o NCEP dos Estados Unidos +3,5°C. O modelo da Météo-France estima um pico de +3,1°C, o serviço meteorológico alemão DWD projeta +3,0°C, o modelo ECCC-1 do Canadá aponta +2,8°C. Já o modelo do Met Office do Reino Unido (UKMET) prevê um máximo de +2,7°C.
Para colocar em contexto o quão extremos são esses valores, um levantamento da MetSul com base em dados semanais da NOAA e calculados pelo método tradicional, mostra que o maior valor de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño foi registrado no evento de 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana de 18 de novembro de 2015.
O segundo maior pico ocorreu durante o Super El Niño de 1982-1983, com 2,6°C na semana de 29 de dezembro de 1982. O evento de 1997-1998, apesar de ser considerado um dos mais poderosos já observados pelos seus impactos globais, atingiu um máximo semanal de 2,3°C, registrado nas semanas de 17 de dezembro de 1997 e 4 de fevereiro de 1998.
Já o Super El Niño de 2023-2024 apresentou uma anomalia semanal máxima de 2,1°C na semana de 22 de novembro de 2023, valor inferior ao dos três grandes episódios anteriores, mas ainda suficiente para colocá-lo entre os mais intensos da série histórica da NOAA.
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