A morte do adolescente Thiago da Silva de Melo, 13 anos, que desapareceu nas águas do Rio dos Sinos na tarde de segunda-feira (19) e acabou tendo o corpo encontrado na manhã do dia seguinte, reacendeu a discussão sobre a adoção de medidas que evitem fatalidades como esta e como outras que ocorreram nos últimos anos – em novembro de 2024, por exemplo um outro adolescente da mesma idade de Thiago morreu próximo ao mesmo local.
Visitantes, moradores e comerciantes da Rua da Praia, no Rio dos Sinos, em São Leopoldo, pedem por mais segurança nas margens do rio, inclusive por instalação de placas que proíbam as pessoas de nadar na localidade.
Monitoramento
A vendedora Marilene Berti, 42 anos, contou que frequenta a Rua da Praia há muito tempo e que vê, principalmente no verão, muitas pessoas nadando no rio. “A solução seria colocar alguém para ficar monitorando essa situação.”
De acordo com Marilene, ela nunca viu ninguém se afogar, apenas ouviu algumas histórias sobre. “Às vezes a gente fala para as pessoas não entrarem na água, pois é perigoso, e muitas vezes somos xingados.”
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O aposentado e morador da Rua da Praia, Ederson Monteiro, 54 anos, explicou que sempre nas épocas mais quentes, e quando as águas estão mais baixas, é quando as pessoas se banham com mais frequência no Rio dos Sinos, principalmente os jovens e na região da escadaria. “Nos finais de semana chega a aparecer de 15 a 20 pessoas.”
Monteiro diz que não aconselha entrar na água, mesmo no calor, e que as pessoas devem arranjar outra forma de se refrescar. “Uma vez eu quase me afoguei no Rio Taquari, mas meu compadre me salvou, por isso eu respeito o rio e a água.”
O aposentado Ângelo Porciuncula, 62 anos, falou que no ponto final da Rua da Praia não tem banhistas, e que eles ficam mais no início da rua. “Aqui o que mais passa são jetskis, caiaques, canoas. Já vi até um cachorro branco que de vez em quando dá umas nadadas no rio, mas sempre consegue sair.”
“Acho que aqui deveria ter placas, ou até mesmo um salva-vidas, com todos os equipamentos necessários”, sugeriu o aposentado.
“Aqui na frente eu não deixo nadar”
Proprietária do Boteco do Rio, Rosi Keller, 61 anos, contou que, nos 10 anos que tem o estabelecimento, já viu várias pessoas afogadas. “Aqui na frente eu não deixo nadar, sou totalmente contra. Deveria ter placas proibindo na extensão do rio. Também deveria passar a GCM ou a Polícia Militar e que eles tenham o poder de mandar as pessoas irem embora quando flagradas.”
José Keller, 61 anos, também proprietário do Boteco do Rio, contou que já solicitou inúmeras vezes que fossem instaladas placas que proíbas as pessoas de nadar. “Afogamentos acontecem com muita frequência, os órgãos públicos não fazem nada. É sempre uma molecada de 13 ou 14 anos. Tem vezes que eles sobem na ponte para pular na água.”
Keller lembra: “No Natal de 2023 dois meninos adolescentes vieram celebrar as festas de fim de ano na casa de uma irmã. No dia 25 os bombeiros estavam aqui na frente recolhendo os corpos. Quando eu vejo aqui, coloco para correr, não deixo nadar.”
Extremamente perigoso
Conforme o 2° Batalhão de Bombeiro Militar a principal forma de evitar novas tragédias é a prevenção e a conscientização da população. O Rio dos Sinos apresenta diversos riscos, como correnteza forte, desníveis no fundo, buracos, objetos submersos e baixa visibilidade, além de não ser um local próprio para banho e não possuir a proteção de guarda-vidas.
De acordo com o batalhão, muitas vezes, esses perigos não são perceptíveis à primeira vista, o que aumenta o risco, especialmente para crianças e adolescentes. A corporação reforça que o Rio dos Sinos é extremamente perigoso.
Orientações
– Não entrar no rio, mesmo em dias quentes;
– Nunca permitir que crianças ou adolescentes se aproximem da água sem supervisão constante de um adulto;
– Não tentar atravessar o rio a nado ou utilizando boias;
– Respeitar áreas sinalizadas e alertas das autoridades;
– Nunca tomar banho em local sem proteção de guarda-vidas.
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“O Sinos não é próprio para banho”

Foto: Reprodução
A vice-prefeita de São Leopoldo e secretária de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Regina Caetano, publicou no seu Instagram um vídeo de alerta. Nele, Regina conversou com o coronel Uberti, superintendente da Defesa Civil. Ele explicou que o rio não tem características de balneabilidade, ou seja, não é próprio para o banho.
“Não temos serviço de guarda-vidas, o que dá uma garantia de balneabilidade. O rio tem uma correnteza muito forte, principalmente pós-chuvas e também uma variabilidade muito grande de profundidade ao longo de todo o trecho.”
Conforme o coronel, as águas são turvas, o que acaba escondendo galhos e pedras, riscos que as pessoas não enxergam. “O rio é ruim para navegar de barco e para nadar, principalmente crianças que não estão acompanhadas de adultos e não sabem nadar.”
A reportagem procurou as secretarias de Meio Ambiente e Segurança Pública para saber se alguma ação será realizada no local para evitar que outras pessoas nadem no Rio dos Sinos e corram risco de vida, mas não recebeu retorno até o fechamento da matéria.