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SAÚDE

Casa São Leo é inaugurada com espaço de referência para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

CAS TEA é um dos quatro serviços que integram a nova estrutura, que fica no Centro da cidade

Priscila Carvalho
Publicado em: 27/01/2026 às 10h:51 Última atualização: 27/01/2026 às 10h:53
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Foi inaugurada oficialmente nesta segunda-feira (26), a Casa São Leo, nova infraestrutura de saúde que abriga quatro espaços com serviços da área, em prédio de cinco pavimentos no Centro de São Leopoldo.

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Unidades que integram a Casa São Leo foram inauguradas no evento



Unidades que integram a Casa São Leo foram inauguradas no evento

Foto: Pedro H. Tesch/Prefeitura de São Leopoldo

Em evento que contou com as presenças do prefeito Heliomar Franco, da primeira-dama e secretária de Assistência Social, Simone Dutra, do deputado federal Luciano Zucco, do presidente da Câmara de Vereadores leopoldense, Fabiano Haubert, entre diversas outras autoridades, a secretária de Saúde, Kelbe Gonçalves, classificou o dia como “muito especial e histórico”.

Ela ressaltou que a Casa São Leo contempla a Vigilância em Saúde, o Centro de Especialidades Odontológicas (Ceo), a Saúde Digital/Tele medicina e o Centro de Atenção à Saúde – Transtorno Espectro Autista (CAS TEA), unidade destaque do espaço. A secretária lembrou que havia uma demanda muito grande em São Leopoldo por atendimento especializado a crianças com autismo, pois há apenas uma clínica credenciada pelo Estado para realizar tais atendimentos na cidade. Por isso, o CAS TEA foi pensado.

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Olhar para a família

“Nós vamos fazer em torno de 1.200 atendimentos por mês e isso vai impactar em muitas famílias, porque foi um serviço pensado não somente para atender as crianças”, disse Kelbe. “Nós precisamos ter um olhar para toda a família, porque esse diagnóstico não afeta somente a criança. Nós precisamos dar um suporte para mães, pais, cuidadores e esse espaço foi pensado exatamente nisso”, acrescentou. “É um espaço de acolhimento, de cuidado, de desenvolvimento.”

90 crianças já em acompanhamento

À reportagem, Kelbe reforçou que a organização do espaço iniciou no dia 10 de dezembro e que, no dia 23, começaram os primeiros acolhimentos das famílias. “Nós já temos em torno de 90 crianças em acompanhamento, já em terapias”.

As crianças aguardavam no sistema Gercon, do governo do Estado. “Elas são encaminhadas pela rede e chamamos pela fila do Gercon. Tinham crianças esperando em torno de 2 anos pra começar as terapias”, afirmou Kelbe. “São 2 anos que elas perdem de estar em pleno desenvolvimento. Então, a gente se sente muito feliz, muito realizado por essa entrega. É uma equipe altamente qualificada – com neuropediatra, psicopedagoga, psicólogo, terapeuta ocupacional (TO), fisioterapeuta –, preparada para acolher as famílias”.

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Segundo a secretária, o custo mensal da equipe gira em torno de R$ 100 mil, e a Semsad aguarda agora a habilitação do CAS TEA pelo Estado.

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“Nós temos um case para o Rio Grande do Sul”

Em sua fala, o prefeito Heliomar Franco recordou que o projeto do CAS TEA foi idealizado ainda em 2024, antes da eleição. “E graças as emendas parlamentares, graças às inúmeras reuniões, planilhas e discussões, hoje nós conseguimos finalmente entregar para a população de São Leopoldo”, colocou, agradecendo o envio de emendas parlamentares pelo deputado federal Luciano Zucco. “Hoje, com muita alegria eu quero dizer que nós temos um case para o Rio Grande do Sul”, concluiu o prefeito.

“Eu fico muito feliz de saber que está sendo muito bem empregado”, disse Zucco, sobre as emendas enviadas, enaltecendo a entrega do espaço. “É um dia que representa alívio, esperança, respeito para centenas de famílias de São Leopoldo, que por muito tempo esperavam por atendimento digno, humano e próximo de seus filhos.”

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Sem rede de apoio, mãe aguarda por acolhimento para a filha

Patrícia Thums



Patrícia Thums

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Moradora do bairro Rio dos Sinos, Patrícia Thums, 40 anos, é mãe de Maria Eduarda, 13, que foi diagnosticada com TEA somente há pouco mais de um ano e meio. Segundo a mãe, mesmo com os relatos de surtos e crises frequentes, os médicos diziam que Maria não tinha nada, que era manhosa. “Minha filha não caminhava até os 4 anos, não comia qualquer alimento até os 5 anos, não come certas comidas, mas achavam que eu era louca”, lamentou.

“Eu só ganhava não: ‘não temos’, ‘não consigo’, ‘não sabemos o que fazer e para onde encaminhar’”, comenta, lembrando que precisou parar de estudar e trabalhar para cuidar da filha, que é nível 2 de suporte. “Eu não tenho rede de apoio. É eu e ela e pronto. Tive que largar a minha vida e viver para a Maria”. Após pedir ajuda, Patrícia conseguiu atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e na escola onde a menina estudava.

Nesta segunda, ela foi ao CAS TEA para encaminhar as terapias à filha e participou da inauguração do local, esperançosa por um novo acolhimento para Maria. “Espero que ela consiga se organizar através do tratamento, porque é difícil, ela não é só uma criança que chora, ela tem crises, ela se bate, ela se morde”, detalhou. “Sou uma mãe em desespero. Não é fácil estar num lugar desses (de mãe de uma pessoa com TEA), sem um tratamento pro teu filho.”

 

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