A partir deste domingo (12), o Santuário Sagrado Coração de Jesus, em São Leopoldo, terá novo reitor. O local, conhecido por ser o ponto onde está situado o túmulo do Padre Reus, será comandando por padre Paulo Finkler, que tomará posse às 8h, em missa presidida pelo bispo dom João Francisco Salm.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
Padre Finkler é natural da cidade de Cerro Largo, no noroeste do Estado, e tem 66 anos. “É a primeira vez que vou trabalhar como padre no Rio Grande do Sul”, comentou ele, contando que saiu de casa aos 18 anos para fazer dois anos de seminário em Salvador do sul e, com 20 anos, entrou noviciado na congregação de Cascavel, no Paraná.
Daí em diante, fez Filosofia, Magistério e Teologia, passando pelos estados da Paraíba, Minas Gerais, Santa Catarina, Espírito Santo, além de Brasília. Foi ordenado padre em 1991, quando atuava no oeste catarinense.
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Desde 2020, padre Finkler estava no Espírito Santo, onde assumiu a Paróquia de Iconha, município de 12 mil habitantes, mas que tem 35 comunidades católicas. “É uma trajetória que nós, jesuítas, como temos diferentes apostolados, também temos experiências diferentes, então, isso enriquece. Em santuário vai ser a primeira vez, mas eu já trabalhei em colégio, já fui professor, formador, trabalhei em escritório (provincial), fui vigário, pároco por 2 vezes e, agora, reitor”.
Experiência única
“Acho que o interessante é essa diversidade apostólica da Companhia de Jesus, como tem a universidade, casas de exercício, tem santuários, tem paróquias, etapas de formação. Então, acho que é uma experiência única para nós religiosos, que sempre trabalhamos juntos”, destaca padre Finkler, citando sua última experiência, em Iconha.
“Economicamente, são pequenos agricultores, de origem italiana, um povo que participa muito de igreja, com muitas lideranças. Então, foi uma experiência das melhores pastoralmente falando”.
“Espaço acolhedor”, observa o novo reitor
Padre Finkler também falou sobre o santuário, Padre Reus e suas expectativas como reitor do local. “É um polo de convergência. Santuário é também experiência de igreja, eclesial, experiência de fé, de vida cristã, de celebração, de cultivo pessoal, familiar, também de devoção, a partir de um jesuíta considerado santo pelo povo. E o espaço favorece essa circulação, essa proximidade. Eu acompanhei um pouco a Semana Santa, sei que sempre vem muita gente aqui; e tem a romaria, que se criou uma expressão mais importante”, ressaltou.
“A expectativa é de ver um espaço tão importante, grande, de peregrinação, de busca da vivência da fé. Um espaço acolhedor”, disse, revelando que nas primeiras horas que esteve no santuário observou pessoas passeando pelo local. “O pessoal gosta de passar pelo túmulo, de entrar na igreja, fazer uma oração, participar das celebrações”, sublinhou.
“O santuário eu acho que é um lugar que cada vez mais está recuperando essa presença bonita junto com o povo, de celebrar, de caminhar na sua fé, renovar cada vez mais, a exemplo de um jesuíta – Padre Reus”, completou.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
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Padre Resende vai para o Espírito Santo
Padre Paulo Finkler substitui padre Raimundo Nonato Resende, que estava como reitor desde julho de 2019 e agora assumirá o Santuário Nacional de São José de Anchieta e a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, na cidade de Anchieta, no Espírito Santo. Ele conta que é uma prática jesuíta que a cada seis anos se mude a missão dos padres.
Padre Resende, que completou 64 anos na terça-feira (7), é natural da cidade de Alto Longá, no Piauí. Ele realizou sua missa oficial de despedida do santuário na tarde do domingo (5), quando ministrou a celebração de Páscoa.
Neste domingo (12), porém, padre Resende preside ainda sua última Missa com Crianças, projeto criado por ele no santuário. A celebração ocorrerá às 16h30. “Teve a despedida oficial e terá a despedida afetiva”, comenta o padre, sobre a emoção de se despedir dos jovens participantes da iniciativa.
Capacidade do diálogo foi um grande aprendizado
Fazendo uma retrospectiva de seu tempo à frente do santuário, padre Resende confessa que o início foi um pouco difícil, especialmente para adaptação à cultura local, já que nunca tinha exercido o sacerdócio no Estado.
Ele também avalia que seu grande aprendizado aqui foi a capacidade do diálogo. “Para eu entender a cultura do povo, eu tive que administrar meu temperamento apressado, e escutar mesmo, sem pressa. Então, o grande aprendizado meu aqui foi exercitar a capacidade do diálogo e de entender o povo, entender a cultura”, analisa.
“Eu sempre costumava dizer nas reuniões aqui, e digo em todo local onde eu vou: ‘nós vamos ter que caminhar juntos, trabalhar juntos’. A gente chama isso de sinodalidade: eu não tomo a decisão, a gente toma junto”, acrescenta.
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Missa com Crianças é a “menina dos olhos”
Logo no primeiro ano em que comandaria a Romaria de Padre Reus, em 2020, padre Resende precisou reorganizar a atividade em função da pandemia de Covid-19. Com isso, nasceu a Romaria Motorizada, em que os participantes realizavam a procissão em seus veículos, passando por inúmeras ruas e avenidas da cidade.
Quando a romaria retornou ao formato antigo, grupos de ciclistas e motociclistas foram convidados pelo reitor a participar.
Uma das novidades também idealizada por ele foi o novo presbitério da igreja, todo feito em arte de madeira, pelo artista Valter Frasson, e concluído em 2023.
Mas, entre as iniciativas implementadas em seu tempo no santuário, padre Resende destaca a Missa com Crianças como um dos maiores orgulhos. “Sem sombra de dúvidas que é, digamos assim, a menina dos meus olhos”. Por isso, a última missa será com elas.
Ele destaca que o projeto já caminha para seus dois anos de implementação e que a equipe que o realiza é muito boa. “Por exemplo: é normal em qualquer grupo ter discussões, mas é uma equipe que, até agora, nunca teve um bate-boca. Fechou mesmo. Tudo flui com leveza”, elogia. “Dá um orgulho danado! A equipe está super coesa e tem muita criatividade”, exalta o padre, citando a encenação da Via Sacra feita por crianças na Sexta-feira Santa (3), que foi idealizada e produzida por eles mesmos. “Eles pensaram tudo, inclusive o texto. Eu só li e não cheguei a agregar nada, foi perfeito.”

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
Posse será no dia 2 de maio
Padre Resende viaja para o Espírito Santo na próxima terça-feira, 14 de abril, e já tem reuniões marcadas com as lideranças do Santuário Nacional de São José de Anchieta. “Há 25 anos, eu trabalhei lá. A primeira reforma lá do santuário foi eu que coordenei. Fui reitor e pároco”, conta, ressaltando que já conhece a cultura local. “Claro que mudou muita coisa, então, serão esses primeiros seis meses de diálogo, de visita, de conversa”.
A posse de padre Resende no Santuário José de Anchieta ocorre no dia 2 de maio.