A 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP) de São Leopoldo instaurou inquérito para investigar as agressões e trotes violentos que estariam sendo aplicados por estudantes veteranos em alunos novatos, no internato do Centro Estadual de Educação Profissional Visconde de São Leopoldo (Ceepro), conhecido como Colégio Agrícola.
Os casos vieram à tona há algumas semanas, quando famílias registraram Boletins de Ocorrência por conta dos fatos. Os adolescentes agredidos, de 15 e 16 anos, são moradores da região e ficam no internato da instituição – que oferece o Ensino Médio junto aos cursos de Técnico Agropecuário e Técnico de Florestas.
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Foto: Divulgação
Próximos passos
Titular da 1ª DP leopoldense, delegada Cibelle Savi confirmou que, pelo menos, três ocorrências chegaram à unidade. “O inquérito foi instaurado porque não é um procedimento simples. Eu entendo por complexo, já que é mais de uma vítima e mais de uma ocorrência. Algumas narram fatos um pouco distintos uns dos outros, o que demanda uma quantidade maior de diligências”, justificou, explicando que o Termo Circunstanciado é apenas para procedimentos mais simplificados e infrações de menor potencial ofensivo.
“Agora, os próximos passos, inicialmente, são coletar as informações das partes envolvidas, suas respectivas narrativas, bem como, alguma documentação por parte da escola pra ver se existia alguma ata a respeito do ocorrido, alguma reunião, se alguma providência foi tomada pela equipe diretiva e etc”, ressaltou a delegada, sobre o que deve ser feito a partir deste momento.
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Defesa diz que diretor está à disposição
Procurado pela reportagem, o diretor do Ceepro, Francisco Machado, se manifestou através de sua defesa. O advogado Mauirá Duro Schneider esclarece que o diretor da escola “está absolutamente tranquilo, pois jamais cometeu, tampouco foi conivente com os fatos que estão sendo apurados pela Polícia Civil, tomando todas as medidas cabíveis e, desde o início, colocando-se à disposição para contribuir com a elucidação dos fatos”.
Adolescente também vai colaborar com as investigações
A família de um dos jovens acusados de envolvimento na prática dos trotes também se manifestou por meio de nota de esclarecimento, enviada pela advogada Luana Dadalt Brasil.
“A defesa técnica de um dos adolescentes supostamente envolvido nos fatos ocorridos no Colégio Agrícola de São Leopoldo manifesta-se, neste momento, de forma cautelosa e genérica, tendo em vista que ainda não teve acesso integral aos autos do procedimento policial. Informa também que já enviou requerimento para que tenha acesso a íntegra dos autos do inquérito e que até o momento não obteve resposta das autoridades policiais, que solicitaram um prazo de 15 dias para análise”, inicia o texto.
“O adolescente e sua família estão à disposição das autoridades para colaborar com as investigações para que a busca pela verdade real seja eficaz nesse caso de repercussão na região, e que a justiça seja estabelecida com a maior transparência possível, e confiam plenamente na atuação do Poder Judiciário para que tudo seja esclarecido com a verdadeira realidade dos fatos”, destaca.
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*Em respeito ao que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e visto que se tratam de menores de idade, o ABCMais não divulga os nomes dos envolvidos.
Relembre o caso
No dia 22 de maio, o Jornal VS publicou matéria sobre o caso. Na oportunidade, famílias de estudantes relataram terem descoberto as agressões e humilhações que os jovens passavam no local.
Uma das mães entrevistadas contou que as agressões contra seu filho começaram quando ele entrou na instituição, em fevereiro deste ano, mas que elas já ocorrem há mais tempo. Elas seriam feitas por jovens do 2º ano e 3º ano, que aplicavam trotes nos alunos do 1º ano. “Ele (o filho) contou que eram obrigados a fazer provas de resistência e que eles não podiam contar em casa, pois ‘seria pior’”.
Outra mãe relatou que viu hematomas no filho. “Minha mãe notou que ele passava muito a mão na cintura, com expressão de dor. Num momento em que ele estava dormindo, ela puxou a bermuda dele e viu que tinham marcas na cintura”.
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Um dos alunos agredidos relatou que os veteranos escolhiam um dia da semana e faziam “provas”, sendo que os que perdiam levavam tapas na nuca. “Eles geralmente não davam muita opção de não fazer. Se não fizesse ia ser ‘bicho’ (como calouros da faculdade) e ia apanhar igual”.
Na época, o Ceepro se manifestou por meio de nota oficial, por onde informou “que está e sempre esteve atenta a qualquer episódio ocorrido dentro de suas extensões, apurando, por meio de procedimentos internos, eventuais condutas que atentem contra a integridade física de seus alunos”.