O Sindicato dos Professores Municipais leopoldenses (Ceprol) realizou nesta terça-feira (18) uma paralisação da categoria. Os profissionais se posicionaram em defesa da educação pública e protestaram contra o teto de gastos do prefeito Heliomar Franco (PL). De manhã, das 50 escolas municipais de São Leopoldo, 38 aderiram à paralisação total, enquanto 12 trabalharam de forma parcial. Na quarta-feira (18), as aulas voltam a ocorrer normalmente.
No início da tarde, os professores municipais transformaram a Praça do Imigrante como ponto de encontro para a agenda do Ceprol, que contou com panfletagem na Rua Independência, ato político na Praça do Imigrante, ocupação da Câmara de Vereadores e uso da tribuna popular. A mobilização tinha como objetivo alertar a população sobre o que o município propõe para a educação.
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Conforme a presidente do Ceprol, Cristiane Mainardi, a paralisação tem como objetivo dizer para a Câmara que é necessário dialogar com a categoria. “Estamos fazendo um manifesto que será entregue às autoridades. O teto de gastos do prefeito vai dar prejuízo à população.”
De acordo com Cristiane, a tarde foi de luta para a categoria. “Precisamos de mais escolas, mais profissionais, mais estrutura. Nossa expectativa é que o governo revogue a lei e a Câmara não vote mais em todas essas leis.”
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Expectativa dos professores
Para a professora Francine da Rocha, 30 anos, a expectativa é que a categoria seja vista e ouvida. “É muito importante valorizar a educação. As decisões do governo não são tomadas pensando nos professores e nos alunos.”
Para o professor Ricardo Fernandes, 48 anos, a expectativa é uma grande mobilização dos profissionais da educação.”A educação pública só é feita com investimentos. Não há diálogo com a categoria. Não vamos permitir a falta de investimento, isso é fundamental.”
Para a professora Fernanda Cristina Freese, 44 anos, a expectativa é de que o teto de gastos não seja aprovado. “Já existe um, não precisa de um novo. Esse evento é importante para mostrar ao município e à comunidade que não estamos satisfeitos e não vamos aceitar tudo.”
Posição da Prefeitura
De acordo com prefeito Heliomar Franco, é legítimo e constitucional que os professores façam a paralisação, e que não haverá nenhuma retaliação por parte da gestão. “Importante frisar que marcamos uma reunião com o sindicato antes dessa paralisação, para entender os motivos que os levavam a isso, mas a reunião foi posteriormente desmarcada pelo próprio sindicato.”
Conforme Heliomar, o que mudou com a lei de responsabilidade fiscal foi a nova conduta gerencial, substituindo práticas antigas que não procuravam conter a expansão dos gastos, gerando insuficiência financeira e milhões em restos a pagar. “Durante vários anos São Leopoldo tem enfrentado dificuldades orçamentárias o que lhe impõe operações de crédito muito caras. Essa nova postura busca controlar gastos, principalmente o que se chama de despesas primárias, e abre espaço fiscal para o que o município tenha condições de melhorar investimentos em áreas como saúde e educação.”
Heliomar explicou que o teto de gastos permite flexibilidade caso haja uma calamidade e excepciona a revisão constitucional dos reajustes aos servidores. “O pacote de leis aprovado pela câmara em nenhum momento faz corte de investimentos ou retira direitos dos servidores. Em nenhum momento houve desrespeito ou falta de diálogo de nossa parte para com a categoria, pois a qualquer momento poderemos receber seus representantes para quaisquer tratativas.”
Em nota, a presidente da Câmara, a vereadora Iara Cardoso comunicou que, como presidente está atuando como magistrada, equilibrando os dois lados, na sessão desta terça-feira, conduziu os trabalhos do Poder Legislativo conforme os preceitos democráticos.
Maioria das escolas aderiu pela paralisação total
Das 50 escolas do município, 38 aderiram a paralisação total, enquanto 12 trabalharam em formato parcial, como foi o caso da Escola Municipal Gusmão Britto. A Técnica em enfermagem Bruna Nunes, 42 anos, contou que pela manhã trouxe a filha para escola e teve que buscá-la mais cedo. “Na hora do recreio, por volta das 9h30 me ligaram para vir buscar. Veio ela e mais dois colegas.”
A vendedora Aline Drabach, 37 anos, contou que recebeu a informação de qua a professora do filho estaria na escola para dar aula. “Não entendi o porque da paralisação, sei que é sobre uma reivindicação, mas no bilhete que mandaram para casa não tinha mais detalhes.”
Documento do Ceprol para o prefeito e vereadores
Os professores estiveram na sessão da Câmara realizada na noite da terça-feira e o Ceprol aprovou o documento do manifesto.
De acordo com Cristiane, o documento será entregue aos vereadores nesta quarta-feira (19). “Também vou solicitar uma audiência com o prefeito Heliomar Franco para entregar o documento pessoalmente para ele.”
Conforme a presidente do Ceprol, as aulas não dadas nesta terça-feira serão recuperadas. A data ainda está sendo analisada.
“Não precisava ser assim. É uma inabilidade da gestão de conduzir uma negociação. A Câmara tinha que dar a oportunidade ao Ceprol de avaliar leis voltadas à educação para verse o sindicato concorda e aprova.