A tragédia climática de maio de 2024 foi o motivador principal para que uma empresa leopoldense colocasse em prática um projeto que une sustentabilidade e educação.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
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Fundada em 1930, a Flamingo Papéis tem sede no bairro São Miguel, atuando na fabricação de papéis de higiene profissionais para empresas e revendedores. Diretor comercial da empresa, Thiago Porciúncula lembra que a fábrica foi severamente atingida pela inundação, com água atingindo quase o telhado de algumas estruturas e chegando a 6 metros de altura.
“Fomos destruídos como empresa. Ficamos 30 dias vindo de barco trabalhar. Vínhamos do Macromix, na esquina da Avenida João Corrêa com a BR-116, até aqui. Desmontávamos e montávamos equipamentos”, contou. Após conseguirem organizar a empresa novamente, surgiu a ideia de desenvolver um projeto com visita pedagógica estruturada ao processo real de fabricação do papel sustentável.
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“Reconstruímos só com recursos próprios, não tivemos ajuda de ninguém. Dos 120 funcionários que tínhamos na época, 54 perderam tudo. E depois disso a gente decidiu fazer o projeto Escola na Fábrica, trazendo as crianças e os jovens para conhecer a empresa e todas as práticas sustentáveis. A ideia é resgatar isso desde a escola”, destacou.
Conforme o diretor comercial, escolas municipais, estaduais e privadas participarão do projeto, visitando a fábrica de acordo com a agenda dos educandários, com a intenção de trabalhar a questão sustentável e também vocacional com os alunos. “A ideia é que a gente possa trazer isso, porque a enchente se originou num descuido nosso com o meio ambiente. Foi uma consequência dos nossos atos”, sublinhou.
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Visita à fábrica e plantio de muda
A primeira visita foi realizada nesta terça-feira (19) e contou com cerca de 40 alunos de turmas de Ensino Médio do Colégio São José. No encontro, de pouco mais de uma hora, Porciúncula explicou conceitos da fabricação e dos materiais utilizados na empresa – que fabrica papel higiênico, papéis-toalha, guardanapos, entre outros –, falou sobre manejo florestal e os produtos criados. “A partir da enchente, desenvolvemos uma linha de produtos chamado Eccosoft, feito com celulose natural. Então, da enchente a gente traz um produto que vem com conceito sustentável”.
Durante a iniciativa, os estudantes puderam visitar a fábrica, percorrendo as etapas de produção e vendo o tratamento de efluentes, por exemplo. Também conheceram o memorial feito com fotos de antes e depois da enchente e que contém ainda um desenho feito pelo artista Feu Cardoso a partir de lama da inundação. Ao final do encontro, os alunos plantaram uma muda de eucalipto, para representar a participação no projeto, e escolheram um nome para ele: José.
“É possível ser sustentável”
Professores do Colégio São José, Vanesca Severo e Luciano Federle acompanharam os alunos na visita. Ambos ministram um conteúdo chamado Sustentabilidade na escola e falaram sobre a importância da iniciativa para os jovens participantes. “Para eles entenderem que é possível ser sustentável, não é só uma conversinha que a gente larga pra eles: é possível construir um negócio sustentável. Essa é a maior lição”, enfatizou Vanesca. “E numa empresa que vive disso”, completou Luciano.
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Alunos apontam boas oportunidades com o projeto
Para os estudantes, a visita à fábrica representou oportunidades em diversas frentes. “Acho que entra bem no contexto da gente conseguir desmistificar algumas coisas que talvez achávamos quando éramos menores. A gente pode desmistificar um pouco de nossas ideias, conhecer um pouco mais sobre o processo de fabricação dos nossos papéis, onde a gente desenvolve a nossa escrita. E também é importante conhecer essas histórias de resistência”, avaliou o aluno do 1º ano do Ensino Médio, Luiz Henrique Fillmann Ambrósio, de 15 anos.
“Achei muito interessante a visita, cheia de aprendizado. A gente descobriu coisas novas que eu não tinha noção antes, percebemos como funciona uma indústria de forma mais clara, uma indústria de celulose, principalmente. E acho que é uma forma de expandir os horizontes nessa reta final do colégio – que a gente começa a se perguntar o que quer fazer –, pois podemos ver o modo industrial de outra forma e refletir nessa decisão”, disse a aluna 2º ano, Lara Eberhardt da Silva Ramires, de 16 anos. “E foca ainda na sustentabilidade, pra gente entender como podemos ajudar o planeta de formas indiretas.”
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