Dó, Ré, Mi, Fá, Sol… com gestos e entoando a voz conforme cada nota, as crianças participantes do projeto Canto Coral na Escola: Inclusão e Transformação vão conhecendo suas próprias vozes e se encantando pela musicalização. Esses são alguns dos objetivos da iniciativa, promovida pela Presto Produções e Promoções Artísticas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura.
As oficinas gratuitas estão sendo realizadas em quatro escolas municipais da periferia de São Leopoldo, uma vez por semana, com a intenção de unir arte, educação e transformação social e oferecer vivência musical e formação de grupos corais nas comunidades atendidas.
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Conhecer a voz
“Esse projeto visa despertar nas crianças o gosto pela música, a musicalização, fazer com que conheçam suas vozes e fazer elas cantarem. Hoje em dia, é muito difícil. As crianças não cantam mais, elas só ficam no computador, na tela, e não tem essa oportunidade de conhecer a sua voz. Quando chegam da idade adulta, querem cantar, não sai nada, porque não tiveram esse hábito. Isso é uma habilidade que se desenvolve. A gente está tentando passar pras crianças, o prazer de cantar, com mensagens bonitas e educativas também”, destacou a coordenadora do projeto, Lúcia Passos.
“A gente acredita que a música realmente transforma as pessoas”, completou.
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Periferia
As oficinas ocorrem às segundas-feiras pela manhã, nas escolas municipais Tancredo Neves (do bairro Arroio da Manteiga) e São João Batista (no bairro de mesmo nome), e às quintas à tarde, nas escolas João Goulart (Santos Dumont) e Mário Fonseca (Arroio da Manteiga).
“São quatro escolas na periferia, mais longe da área central, onde as crianças não têm tanto acesso à cultura quanto as que estão mais no Centro”, argumentou Lúcia, ressaltando que a escolha das instituições foi definida após conversa com a Secretaria Municipal de Educação (Smed), com as direções dos educandários e após a verificação de quais ofereciam oficinas de música no currículo.
Cantar, ouvir e produzir em conjunto
As atividades seguem até dezembro nas escolas, sendo aplicadas por Lúcia, a professora Angela Dillenburg e a professora de piano da Presto, Sara Fleck. Os alunos contemplados têm entre 8 e 12 anos.
Angela explicou que além das noções básicas de teoria, para os alunos saberem que estão cantando notas musicais, as aulas têm o intuito de deixar os participantes alegres com o que estão fazendo e ensinar a usar a voz como próprio instrumento de forma coletiva. “Essa é a grande diferença do canto coral: todos cantando juntos, ouvindo juntos e produzindo alguma coisa em conjunto”, disse, lembrando que além das músicas, coreografias simples são passadas.
“Essa é uma forma também de aprenderem a escutar, que é a grande queixa dos educadores hoje em dia: prestar atenção, focar em alguma coisa. Então, fazer esses gestos, a altura das notas, dramatizar um pouco isso que está fazendo, é uma forma de enriquecer aquela aula”, continuou a professora.
As atividades seguem até dezembro nas escolas, sendo aplicadas por Lúcia, a professora Angela Dillenburg e a professora de piano da Presto, Sara Fleck. Os alunos contemplados têm entre 8 e 12 anos.
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Professora destaca evolução dos participantes
Na Escola Municipal João Goulart, a oportunidade de realizar a oficina foi recebida com entusiasmo. “Quando eu li o e-mail, eu disse ‘meu Deus, é uma baita oportunidade’. Porque a gente tem banda, tem aula de violão, tem dança… Aqui eles são apaixonados por arte. Dito e feito: o pessoal amou!”, exclamou a diretora da escola, Juliana Fogaça Garbin.
Na instituição, a oficina é oferecida sempre às quintas-feiras à tarde, para uma turma de 3º ano. “Os alunos têm participado com dedicação e alegria, demonstrando sensível progresso nas atividades propostas pelas professoras de canto. Estão aprendendo a perceber e respeitar o ritmo, a entonação e o tempo do colega, além de desenvolverem habilidades importantes como a dicção e a projeção da fala – aspectos em que muitos tinham dificuldades e que agora estão sendo trabalhados de maneira leve e colaborativa”, analisou a professora da turma, Inês Beatriz Nery.
Os colegas Thallissa dos Santos, de 9 anos, Hillary Soares Carvalho e Enzo Gabriel Pereira Silva, de 8, estão adorando a oficina. “O que mais gosto de aprender é sobre o jeito de cantar, porque melhora mais a nossa canção, nossa respiração”, contou Thalissa. “Acho legal as músicas e coreografias também”, acrescentou Hillary. “Gosto das canções e as professoras são bem legais”, completou Enzo.
Formação também para educadores da região
A oficina nas escolas é apenas um dos eixos do projeto Canto Coral. O outro está focado nos educadores das redes públicas de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Portão, Sapucaia do Sul, Esteio, Campo Bom e Sapiranga. Por meio de oficinas de capacitação que acontecem em São Leopoldo, na sede da Presto, os professores têm aulas de regência, de técnica vocal e de teoria e percepção musical. A partir deste conhecimento, são incentivados a formar grupos nas suas escolas. A formação iniciou em julho e está sendo conduzida por Lúcia e pelo maestro João Paulo Sefrin.
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Encerramento coletivo
O projeto será encerrado com uma grande apresentação pública no fim do ano. O evento reunirá todos os grupos participantes — os quatro corais infantojuvenis de São Leopoldo e os grupos formados por professores dos municípios envolvidos.